A mudança no modelo de cobrança de água para meios de hospedagem em Gramado abriu uma nova frente de tensão entre a Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) e empresários da hotelaria na Região das Hortênsias. A concessionária passou a aplicar a tarifa básica por unidade habitacional, substituindo a cobrança única por empreendimento — uma alteração que, segundo relatos do setor, tem elevado de forma significativa os custos fixos de operação, sobretudo em pousadas de menor porte.
Para dimensionar os impactos, o portal Acontece Gramado ouviu, sob anonimato, um empresário do setor que comanda uma pousada familiar no destino. De acordo com ele, o negócio opera com estrutura enxuta e concentração de demanda nos finais de semana, com consumo mensal que raramente ultrapassa 20 metros cúbicos (m³).
“O problema começou em janeiro. Nossa taxa básica saiu de cerca de R$ 70 para mais de R$ 1.000. Com o mesmo consumo do ano passado, nossa conta teria um aumento de cerca de 200% somente por causa dessa mudança. Um custo anual de R$ 10 mil saltaria para R$ 30 mil sem que tivéssemos gasto uma gota a mais”, afirma.
O empresário questiona o critério adotado pela concessionária ao individualizar a cobrança por quarto, argumentando que a operação hoteleira não funciona de forma fragmentada. “Pagarei o dobro em taxa do que em consumo efetivo. Como nossa ocupação não é total e temos uma sazonalidade forte, esse custo fixo se torna sufocante”, acrescenta.
Alternativa contratual entra na mesa
Após tentativas de contato com a concessionária, o empresário relata ter conseguido abrir negociação. Como alternativa para reduzir o impacto financeiro, foi sugerida a migração para um modelo de contrato com demanda mínima.
Nesse formato, estabelece-se um consumo base com tarifa única, o que, segundo ele, se aproxima mais da realidade operacional da pousada. “Estamos em fase avançada de negociação. Foi a alternativa que restou para não inviabilizar o negócio”, diz.
Corsan nega impacto financeiro
Em nota enviada ao portal Acontece Gramado, a Corsan afirma que a revisão do enquadramento tarifário não implica aumento nas despesas dos estabelecimentos. A companhia sustenta que a medida busca padronizar o modelo de cobrança, em conformidade com normas da agência reguladora e com entendimento do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
A presidente da empresa, Samanta Takimi, tem se reunido com representantes do setor para reforçar o posicionamento. Entre os pontos destacados pela concessionária estão a análise individual dos contratos, considerando características como sazonalidade, a orientação para regularização de fontes alternativas de abastecimento, como poços artesianos, e a abertura de canais para revisão antecipada dos contratos.
Apesar disso, a mudança segue sob questionamento de empresários, que veem risco de aumento estrutural de custos em um mercado marcado por variações de demanda ao longo do ano. O tema já mobiliza discussões no âmbito político local e está sendo acompanhado por vereadores de Gramado, diante do potencial impacto sobre uma das principais atividades econômicas da região.
(*) Crédito da foto: reprodução












