Camil Yazbeck não parou nas últimas semanas. Como ele mesmo reportou em um post recente no LinkedIn (leia aqui), foram diferentes paradas em três continentes do globo, passando por Londres, Berlin, Mumbai e Rio de Janeiro. Não é para menos, afinal seu cargo de Global CDO (Chief Development Officer) da Accor exige mesmo muitas e muitas viagens para prospectar, negociar e fechar oportunidades de negócios para a gigante francesa.
Pois foi justamente em uma dessas paradas, durante a SAHIC Latin America and The Caribbean, na capital fluminense, que Yazbeck conversou com a reportagem do Hotelier News. Uma matéria mais longa e completa será publicada nos próximos dias, mas não poderíamos perder a oportunidade de produzir um conteúdo para uma das editoriais mais populares do site número um de notícias da hotelaria nacional.
Nascido no Líbano e residente no Reino Unido há duas décadas, Yazbeck atua na Accor há quase seis anos, sendo responsável pelo desenvolvimento e expansão global de todas as marcas da empresa nos segmentos premium, midscale, economy, extended stay, branded residences e collections.
Neste bate-papo para a sessão Três perguntas para, focamos no mercado brasileiro, as oportunidades para expandir por aqui e a estratégia criada para a rede francesa manter sua histórica liderança. Boa leitura!
Três perguntas para: Camil Yazbeck
Hotelier News: O segmento de short-term rental está crescendo no mundo todo e, no Brasil, sua expansão é evidente, especialmente em grandes centros como São Paulo. A Accor tem uma marca voltada para esse mercado. O que falta para ela ganhar mais tração no país? Isso não é uma prioridade no momento? Por quê?
Camil Yazbeck: Atualmente, a Accor opera mais de 330 hotéis em todo o Brasil, e o país certamente está entre os mercados mais estratégicos para nós nas Américas. Nosso objetivo é manter e ampliar essa posição de liderança em todos os segmentos. Globalmente, desenvolvemos uma expertise sólida como uma das maiores operadoras de extended stay e apartamentos com serviços no mundo, com um portfólio diverso que inclui mais de 300 propriedades nesse modelo. Além dos aluguéis de luxo da onefinestay, oferecemos opções de longa permanência sob 13 marcas diferentes, entre elas as midscale Mercure Living e Novotel Living, além de alternativas premium como Swissotel Living e Pullman Living.
Aqui no Brasil, esse tipo de hospedagem em estilo residencial tem se tornado cada vez mais atraente para as gerações mais jovens de viajantes, que costumam combinar compromissos de trabalho com lazer e buscam vivenciar os destinos como locais. Ao mesmo tempo, valorizam muito a confiabilidade, segurança e solidez das nossas marcas. Por isso, continuaremos a explorar oportunidades em mercados-chave que atraem esse perfil de viajante, como Rio de Janeiro e São Paulo, e também em cidades secundárias selecionadas, onde podemos desenvolver resorts sustentáveis.
HN: Historicamente, a Accor consolidou sua liderança incontestável no mercado brasileiro por meio de contratos de administração. Nos últimos anos, no entanto, a expansão passou (acertadamente) a focar no modelo de franquias, especialmente dentro da divisão Premium, Midscale & Economy. Na sua visão, essa estratégia não limita o crescimento da Accor em segmentos mais rentáveis, como lifestyle e luxo, nos quais a concorrência tem avançado?
CY: O modelo de franquias tem se mostrado uma estratégia extremamente eficaz para a expansão da Accor, permitindo um crescimento acelerado, sobretudo na divisão Premium, Midscale & Economy. Atualmente, esse modelo representa mais de 90% dos contratos assinados, o que reforça sua eficiência tanto em termos de agilidade, quanto de rentabilidade. Além disso, a expansão por meio desse modelo contribui para o aumento da lucratividade à medida que mais hotéis são incorporados ao nosso portfólio.
Embora também estejamos focados em iniciativas nos segmentos de luxo e lifestyle, como forma clara de diversificar nossas ofertas, acreditamos firmemente que esses segmentos não são excludentes. Pelo contrário: eles podem coexistir e se complementar, reforçando ainda mais nossa posição de liderança no mercado.
HN: Para além da resposta habitual de que “a concorrência é sempre positiva”, como você enxerga a expansão das redes norte-americanas no segmento econômico no Brasil, segmento que a Accor historicamente lidera no país? Qual é a estratégia para manter esse protagonismo?
CY: A Accor é a principal operadora hoteleira do Brasil, tanto em termos de rede existente, quanto de pipeline de desenvolvimento, que, aliás, está no seu ponto mais forte dos últimos três anos. Em 2024, assinamos 40 novos projetos hoteleiros na América Latina, sendo responsáveis por cerca de 50% das assinaturas de novos empreendimentos na América do Sul.
Nosso sucesso é resultado de uma estratégia de desenvolvimento consistente. Quando entramos no mercado, muitos anos atrás, investimos diretamente em hotéis como forma de provar que nosso modelo de negócios funcionaria no país. Com o tempo, evoluímos para os contratos de administração e, mais recentemente, para o modelo de franquias, que tem nos permitido crescer de forma acelerada e sustentável. Esse processo resultou na construção de uma rede robusta, com mais de 330 hotéis, totalmente adaptada ao mercado brasileiro.
Hoje, como um grupo asset light, temos uma posição sólida no país, com uma base fiel de clientes, experiências de marca bem estabelecidas e um portfólio diversificado, elementos que criam uma barreira de entrada significativa para novos concorrentes. Embora vejamos a concorrência como um sinal de um setor hoteleiro saudável e dinâmico, acreditamos que os concorrentes enfrentarão desafios importantes para adaptar seus modelos ao mercado brasileiro e terão um longo caminho até atingir o nível de penetração e lealdade que a Accor construiu ao longo das décadas.
Mais do que isso, buscamos liderar continuamente e moldar o futuro da hospitalidade por meio de nossa estratégia de hospitalidade aumentada, que repensa a forma como o setor é vivido tanto por viajantes quanto pelos moradores locais. Essa abordagem está em sintonia com nossa filosofia multi-local, que projeta hotéis não apenas para hóspedes em visita, mas também para as comunidades onde estão inseridos.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Accor














