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Turismo deve movimentar R$ 106,9 bilhões em 2026

A proximidade das férias escolares de julho deve impulsionar o turismo no Brasil e gerar reflexos positivos para setores como hotelaria, transporte e alimentação. De acordo com a Pesquisa IPC Maps, publicada no portal Rádio Guaíba, os gastos das famílias com viagens deverão alcançar R$ 106,9 bilhões até o fim de 2026, valor 6,6% superior ao registrado no ano anterior.

No Rio Grande do Sul, a expectativa é que as despesas relacionadas ao segmento turístico somem R$ 6,2 bilhões, crescimento de 4,2% em comparação a 2025. O levantamento considera desembolsos com hospedagem, alimentação, passagens aéreas e rodoviárias, combustível e excursões, indicadores que refletem diretamente o aquecimento da atividade.

Entre os estados, São Paulo lidera o ranking nacional, com previsão de movimentar R$ 33,8 bilhões em viagens. Na sequência aparecem Minas Gerais (R$ 14,6 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 8,5 bilhões) e Paraná (R$ 7 bilhões), reforçando a relevância desses mercados para a hotelaria e demais segmentos da cadeia turística.

Turismo fortalece ambiente de negócios

O estudo também aponta a expansão da estrutura empresarial ligada ao turismo. Desde 2025, mais de 15 mil novas agências de viagens, operadoras e empresas de reservas foram abertas no país, elevando o total para 123,4 mil estabelecimentos — avanço de 14,1%, contribuindo para o aquecimento do mercado de trabalho. Em abril deste ano, por exemplo, o setor ultrapassou a marca de 2 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

A hotelaria acompanha esse movimento. O número de meios de hospedagem cresceu 9,3% no período, alcançando 89,1 mil empreendimentos em operação. O avanço da atividade turística também vem sendo impulsionado pela geração de empregos formais, fator que estimula a abertura de novos negócios, sobretudo nas capitais e regiões metropolitanas.

Segundo o IPC Maps, o aumento do emprego com carteira assinada contribui diretamente para o dinamismo empresarial. Entre 2025 e 2026, a abertura de empresas avançou 12,3% nas capitais e regiões metropolitanas, acima dos 9,7% registrados nos municípios do interior e da média nacional de 10,9%.

O levantamento destaca ainda que as transformações em curso no sistema tributário brasileiro podem acelerar a criação de empresas nos próximos anos, beneficiando atividades relacionadas ao turismo e à hospitalidade.

Capitais ampliam participação no consumo

As 27 capitais brasileiras devem ampliar sua fatia no mercado consumidor, passando de 27,7% para 28% do total nacional. As regiões metropolitanas também ganham espaço, elevando sua representatividade de 44,6% para 45,2%.

Em sentido contrário, os municípios do interior devem registrar leve retração, reduzindo sua participação de 55,4% para 54,8% do consumo nacional. Outro destaque é o retorno da Região Sul à segunda posição no mapa de consumo brasileiro, movimento que pode favorecer a demanda por viagens domésticas e fortalecer a ocupação hoteleira em importantes destinos da região.

A pesquisa mostra que a classe C se consolidou como a principal força de consumo do país. Presente em 49,7% dos domicílios brasileiros, ela deverá responder por aproximadamente R$ 2,6 trilhões em despesas, o equivalente a 36,9% do total.

Logo atrás aparece a classe B, concentrando quase R$ 3 trilhões em gastos e participação de 36,3%. Já as classes D e E representam 27% dos lares brasileiros e movimentarão cerca de R$ 737,9 bilhões, correspondentes a 9,4% do consumo nacional.

Embora represente apenas 3,3% das famílias, a classe A continua ampliando sua relevância e deverá desembolsar quase R$ 1,2 trilhão, equivalente a 17,5% do consumo brasileiro até o final de 2026. Nas áreas rurais, o potencial de consumo é estimado em R$ 537,3 bilhões, o que corresponde a 6,2% do total nacional. O cenário reforça oportunidades para o turismo doméstico, especialmente em destinos de lazer e natureza.

Sul recupera espaço no mapa do consumo

Na divisão regional, o Sudeste mantém a liderança absoluta, concentrando 49% de todo o consumo nacional. O Sul reassume a segunda colocação, com participação de 18,48%, apesar de registrar uma pequena retração em relação ao ano anterior.

O Nordeste aparece em terceiro lugar, com 17,5% do consumo, seguido pelo Centro-Oeste, com 9,1%. A Região Norte permanece com participação inferior a 6%. A recuperação do Sul ganha relevância para o turismo, já que a região reúne importantes destinos de lazer, negócios e eventos, além de ampla oferta de meios de hospedagem.

Grandes mercados seguem em destaque

Os 50 maiores mercados consumidores do país — compostos por capitais, municípios do interior e cidades de regiões metropolitanas — deverão movimentar R$ 3,3 trilhões, montante equivalente a 38,7% de todo o consumo nacional.

O ranking continua liderado por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Salvador e Fortaleza. Para a hotelaria, esses mercados representam polos estratégicos de demanda, tanto para o turismo de lazer, quanto para viagens corporativas e eventos.

Brasil alcança 27,7 milhões de empresas

O ambiente empresarial brasileiro segue em expansão. Entre abril de 2025 e abril de 2026, o número de empresas cresceu 10,9%, alcançando 27,7 milhões de unidades ativas. As microempresas lideraram esse avanço, com crescimento de 12,9%, seguidas pelos MEIs (microempreendedores individuais), que registraram alta de 11,6%.

Ainda assim, os MEIs permanecem como maioria no país, representando mais de 59% do total de empresas, o equivalente a 16,4 milhões de negócios. O segmento respondeu pela abertura de 1,7 milhão de novos CNPJs no período.

Entre as atividades econômicas, o setor de serviços — que engloba hotelaria, turismo, alimentação, entretenimento e outras áreas ligadas à experiência do consumidor — concentra o maior número de empresas, com 16,6 milhões de estabelecimentos. O comércio aparece em seguida, com 6 milhões, seguido pela indústria, com 4,2 milhões, e pelo agronegócio, com cerca de 910 mil empreendimentos.

Regionalmente, o Sudeste concentra 51,5% das empresas brasileiras. O Sul responde por 18,8%, seguido pelo Nordeste (16,1%), Centro-Oeste (8,8%) e Norte (4,8%).

População envelhece e cria oportunidades

O levantamento projeta que a população idosa brasileira alcançará 36,6 milhões de pessoas em 2026. Já o grupo economicamente ativo, formado por pessoas entre 18 e 59 anos, deverá chegar a quase 128 milhões de habitantes, representando 59,7% da população nacional.

As mulheres são maioria nessa faixa etária. Entre os mais jovens, o país contará com 23,3 milhões de adolescentes entre 10 e 17 anos, enquanto as crianças de até 9 anos somarão 26,4 milhões. As mudanças demográficas também abrem novas oportunidades para a indústria do turismo. O avanço da população sênior amplia o potencial de segmentos como bem-estar, viagens de longa permanência e experiências personalizadas. Ao mesmo tempo, as férias escolares seguem impulsionando a procura por hospedagem e atrações voltadas ao público familiar.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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