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Gente Hoteleira: quando a IA entra na seleção de pessoas

A inteligência artificial vem ampliando sua presença nos processos de recrutamento e seleção, da análise de currículos à identificação de competências. As possibilidades e os limites desse uso foram debatidos na palestra IA na contratação e avaliação de perfil, realizada durante o o segundo dia do 4º Encontro de Gente Hoteleira.

Durante a apresentação, Shuji Shimada, CEO da Quick.in, destacou que, quando se fala em tecnologia, o mais importante é manter-se atualizado. Com mais de 50 anos de experiência na área, o executivo pontuou que muitas funções do segmento, como as de programadores e desenvolvedores, também estão sendo reinventadas.

Shimada explicou que o termo “IA” surgiu há 70 anos e que a inteligência artificial já estava presente no cotidiano das pessoas, embora de forma pouco perceptível. “A IA está em aplicativos como Waze e Netflix e em marketplaces como a Amazon. Já a IA generativa, presente em ferramentas como o ChatGPT, mudou a forma como enxergamos essa tecnologia”, afirmou.

Contratação e escassez de profissionais

Ao contextualizar o uso da tecnologia no recrutamento, Shimada destacou os desafios da gestão de pessoas na hotelaria, entre eles o turnover, a escassez de mão de obra e o custo de uma contratação inadequada.

Segundo os dados apresentados, o setor hoteleiro registrou 24,88% de turnover acumulado no primeiro semestre de 2026. Em funções de linha de frente, como recepção, governança e manutenção, o índice anual supera 50%. Além disso, 95,1% das empresas enfrentam escassez moderada ou extrema de mão de obra qualificada, conforme análise de tendências da Hays para 2026.

Durante a palestra, o executivo também percorreu a evolução do recrutamento, das indicações boca a boca ao uso da inteligência artificial. A apresentação abordou aplicações práticas, ganhos e automações já incorporadas pelo setor, além dos mitos que cercam a tecnologia.

Para Shimada, embora a IA amplie as possibilidades de seleção e análise de candidatos, o fator humano permanece no centro do processo. A tecnologia deve apoiar as decisões, sem substituir a avaliação das pessoas responsáveis pela contratação.

Shuji Shimada
Shimada explicou a evolução da IA no recrutamento

A evolução do recrutamento

Shimada apresentou a evolução dos processos seletivos e ressaltou que cada nova tecnologia surgiu para solucionar uma limitação da etapa anterior, sem retirar o ser humano da decisão final.

O recrutamento começou pelo boca a boca, baseado em indicações e relações de confiança dentro de redes locais. Em seguida, os classificados impressos ampliaram o alcance das oportunidades. Com os portais de vagas, as empresas passaram a alcançar candidatos em âmbito regional e nacional.

A etapa seguinte foi marcada pelos sistemas ATS (Applicant Tracking System), que organizam as seleções e acompanham os candidatos ao longo do processo. Agora, a inteligência artificial acrescenta recursos para o cruzamento de perfis, a triagem de profissionais e a tomada de decisões apoiada por dados.

“A grande questão hoje é a capacidade de desaprender. Isso não significa apagar da memória o que aprendemos, mas manter a mente aberta para tudo o que está acontecendo e o que ainda está por vir”, aconselhou Shimada.

O que a IA já faz no recrutamento

Entre as aplicações que já fazem parte dos processos seletivos, Shimada citou o uso da inteligência artificial na elaboração de descrições de vagas mais claras e atrativas, inclusive com critérios de SEO para ampliar o alcance dos anúncios.

A tecnologia também permite realizar o sourcing ativo, buscando candidatos compatíveis em vez de esperar pelas inscrições. Na etapa de triagem, a IA consegue ler currículos em massa e organizá-los por aderência à vaga em minutos, reduzindo um trabalho que poderia levar dias.

Outras possibilidades incluem a pré-entrevista por voz, utilizada para coletar dados básicos dos candidatos a qualquer hora, e a transcrição e análise de entrevistas. Essas ferramentas ampliam a capacidade dos recrutadores, que continuam responsáveis pela avaliação e pela decisão final.

Vantagens esperadas com a IA

Pesquisa apresentada por Shimada mostra que 70% dos profissionais esperam que a IA ajude a priorizar candidatos qualificados. Outros 47% tem expectativas de ganhos de eficiência nos processos de contratação, enquanto 39% destacam a possibilidade de melhorar a eficácia dos anúncios de vagas.

A ampliação das fontes de talentos foi citada por 37% dos respondentes, e 33% esperam avanços na experiência dos candidatos e na qualidade das contratações. Os dados indicam que o uso da IA vai além da automação de tarefas, alcançando diferentes etapas da busca e da seleção de profissionais.

(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News

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