InícioNEGÓCIOSShort-term RentalAirbnb adota modelo único de cobrança a partir de outubro
Evento FOHB
Best Western - OTAs
Slaviero hospitalidade
Banner Bee2Pay

Airbnb adota modelo único de cobrança a partir de outubro

A partir do fim de outubro, hóspedes que reservarem acomodações operadas por administradores de propriedades no Airbnb não pagarão mais a taxa de serviço de cerca de 15% que é cobrada atualmente. A mudança, no entanto, transfere esse custo para os gestores, que passarão a desembolsar 15,5% sobre a diária — em vez dos atuais 3%, aponta o Skift.

A alteração marca a transição obrigatória do modelo de “taxa dividida” para o sistema de “taxa única”, que entra em vigor em 27 de outubro de 2025. Segundo a plataforma, a mudança tem como objetivo aumentar a transparência na precificação e simplificar a experiência do usuário.

De acordo com dados da AirDNA, 95% dos anfitriões utilizam hoje o modelo de divisão de taxas. Nesse formato, o hóspede arca com uma taxa de serviço que varia entre 14,1% e 16,5%, enquanto o anfitrião paga uma taxa fixa de 3% ao Airbnb. Em um exemplo prático, se a diária é de US$ 100, o hóspede paga cerca de US$ 115, enquanto o anfitrião recebe aproximadamente US$ 97 após o desconto da taxa.

Implicações

Os anfitriões independentes não são obrigados a migrar para o novo modelo, mas poderão fazê-lo de forma opcional. Segundo a AirDNA, a visibilidade nas buscas não será afetada, já que o algoritmo considera o valor total exibido ao viajante. Além disso, propriedades sem cobrança de taxa extra para o hóspede podem se tornar mais atrativas.

De acordo com o Airbnb – que tem adotado uma série de iniciativas para expandir sua atuação, como a o aumento da presença no setor hoteleiro – a empresa tem ouvido de hóspedes e anfitriões que os preços podem parecer complexos, o que fez com que a companhia trabalhasse para simplificar a estrutura de taxas para tornar os valores mais claros e transparentes para os hóspedes, ao mesmo tempo em que fornecem aos anfitriões total controle sobre o preço final exibido.

Apesar do discurso de transparência, parte dos anfitriões vê a mudança de forma crítica. Especialistas do setor argumentam que a alteração favorece hóspedes e grandes administradores em detrimento dos pequenos anfitriões.

“Esse movimento mostra a real estratégia da Airbnb: ela está deixando de ser centrada no anfitrião para ser centrada no hóspede. E está fazendo isso de forma agressiva”, afirma Amirali Mohajer, fundador de uma empresa de software para anfitriões.

Já John An, especialista em Gestão de Receita, destaca que administradores com sistemas profissionais de gestão terão vantagem competitiva em relação a anfitriões menores, que podem oferecer uma proposta de valor diferente aos viajantes.

Carl Shepherd, cofundador da HomeAway, é ainda mais incisivo ao dizer que a mudança é um “choque de identidade” para a plataforma. Segundo ele, a Airbnb sempre convenceu anfitriões de que as reservas eram quase “gratuitas”, já que a taxa de 3% era vista apenas como custo de processamento de cartão. “Os anfitriões conseguiam se iludir de que a Airbnb era gratuita”, diz.

Shepherd acrescenta que a atualização pode abrir espaço para concorrentes como Booking.com e Vrbo ajustarem seus preços para cima, já que ainda arcam com custos de processamento.

Simon Lehmann, ex-CEO da Interhome, alerta para o risco de desconfiança entre consumidores ao encontrar propriedades sem taxa de serviço e outras com cobrança. Para ele, a mudança pode até ter estratégia regulatória, mas trará atritos. “A Airbnb pode dizer: ‘Construímos padrões profissionais claros’. Mas a que custo para sua base original de anfitriões?”, questiona.

(*) Crédito da foto: Airbnb

Grupo R1
Realgems amenities