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Segurança financeira e turnover: o bastidor que a hotelaria precisa encarar

Para falar de felicidade e bem-estar na hotelaria, precisamos primeiro olhar para o chão em que pisamos. Muitas vezes, ao discutir o encantamento do hóspede e a motivação das equipes, esquecemos de responder a uma pergunta básica: a base da vida desse colaborador está segura?

Olá, sou Marian. Hoteleira por paixão há 20 anos, descobri na Felicidade o alicerce para uma liderança mais humana e eficiente. Todo mês, convido você a explorar comigo o mundo da hospitalidade sob a ótica do bem-estar. Que as reflexões aqui compartilhadas inspirem seu florescimento e guiem sua jornada individual e coletiva.

Neste mês, a reflexão que trago nasce de uma das teorias mais clássicas da psicologia: a Pirâmide de Maslow, criada pelo psicólogo Abraham Maslow. Ela nos mostra que as necessidades humanas funcionam como degraus. Na base de tudo estão as nossas necessidades fundamentais — como comer, dormir bem, ter saúde e segurança financeira. Só depois de garantir essa base sólida é que conseguimos subir os degraus para buscar pertencimento, autodesenvolvimento e a realização pessoal.

Na hotelaria, cobramos dos nossos times a excelência no topo da pirâmide: o sorriso, a empatia, a inteligência emocional e a capacidade de encantar. Mas a reflexão que faço e que convido os meus colegas gestores é: como exigir tudo isso se a base de muitos colaboradores ainda está instável?

Os reflexos dessa conta que não fecha já são conhecidos de todos nós: os altos índices de turnover (rotatividade) no nosso setor. Pesquisas e dados do mercado hoteleiro mostram que o turnover na operação muitas vezes ultrapassa os 50% ao ano, concentrando-se pesadamente na base operacional — recepção, governança e manutenção.

Se olhamos de perto para essa realidade, encontramos um sintoma ainda mais alarmante: a jornada dupla. Para conseguir fechar o orçamento familiar, muitos profissionais da nossa linha de frente recorrem a um segundo emprego, bicos nos dias de folga ou turnos extras em eventos.

O estresse financeiro e a incerteza geram um estado constante de alerta que consome a energia mental do indivíduo. Sem a segurança da base, não há tempo de pausa nem descanso psicológico real. E o resultado dessa equação é um ciclo oneroso e vicioso: a rotatividade constante sobrecarrega quem fica, aumenta os custos de atração e treinamento e fragiliza a cultura do hotel.

Estudiosos do bem-estar, como o próprio Martin Seligman, nos lembram que a vitalidade e as emoções positivas dependem de um ambiente seguro. Se o colaborador não tem a certeza de que suas necessidades básicas estão cobertas, a hospitalidade deixa de ser uma vocação espontânea e vira apenas um esforço exaustivo de sobrevivência.

Garantir a segurança financeira e o respeito ao tempo de descanso da equipe não é um luxo, é a infraestrutura básica do nosso negócio. Isso envolve olhar com carinho para:

  • Remuneração e benefícios com visão estratégica: Garantir que o trabalho no hotel supra com dignidade as necessidades essenciais de quem serve, reduzindo a evasão para outros setores.
  • Escalas e pausas reais: Permitir que o tempo de folga seja um período de desconexão e recuperação do corpo e da mente, combatendo o esgotamento.
  • Acolhimento interno: Entender que a retenção de talentos começa na empatia dos bastidores.

A verdadeira hospitalidade é um fluxo: ela precisa transbordar de dentro para fora. Quando garantimos a base da pirâmide para as nossas equipes, estancamos a sangria do turnover e damos a elas a tranquilidade necessária para que possam exercer o seu melhor trabalho desenvolvendo um ambiente propício ao desenvolvimento humano e bons negócios.

Diante de tudo isso: o quanto o nosso setor está realmente unido para atuar de frente em todos os degraus dessa pirâmide e tornar a hotelaria, novamente, um mercado desejado e atraente para novos talentos?

Se você chegou até aqui, muito obrigada! Vamos seguir juntos construindo ambientes onde o bem-estar e os resultados caminham juntos.

Marian Fermino é sócia-fundador da JOY2B, empresa dedicada a promover Felicidade e Bem-Estar como estratégia consciente para pessoas e negócios. A executiva acredita profundamente que o sucesso organizacional nasce do bem-estar, do engajamento e do desenvolvimento humano.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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