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Meliá mira 30 hotéis no Brasil até 2030

A Meliá Hotels International pretende ampliar de 12 para 30 o número de hotéis em operação no Brasil até 2030. O plano de expansão envolve a entrada de uma marca lifestyle ainda inédita no país, a adoção do modelo de franquias, conversões de empreendimentos existentes e novos projetos nos segmentos de resorts e branded residences.

Em entrevista ao Hotelier News, Renato Carvalho, diretor de Expansão da Meliá no Brasil, afirmou que a companhia espera assinar, até o fim de 2026, o primeiro contrato da nova bandeira no mercado nacional. O empreendimento estará localizado entre as regiões Sudeste e Sul e fará parte de um complexo.

“É uma marca lifestyle que já existe globalmente, mas ainda não está presente no Brasil. Vamos fazer, até o final do ano, o lançamento de um novo contrato com essa bandeira”, antecipa o executivo, sem revelar qual marca será introduzida no mercado brasileiro.

Atualmente, a Meliá possui 12 hotéis em operação no Brasil, sendo oito em São Paulo, três em Brasília e um em Campinas. Para Carvalho, há oportunidades no país para praticamente todo o portfólio da companhia, inclusive marcas de luxo como Gran Meliá, The Meliá Collection e ME by Meliá, além de ZEL, Meliá Hotels & Resorts, Affiliated by Meliá e INNSiDE by Meliá.

A exceção é a Paradisus by Meliá, bandeira de resorts de alto luxo que, por exigir um produto mais específico, apresenta maior complexidade de desenvolvimento. O último lançamento da rede espanhola no Brasil foi o iNNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, em 2025, após a conversão de um Affiliated by Meliá.

Meliá abre expansão para franquias e conversões

Uma das principais mudanças na estratégia da Meliá no Brasil será a entrada no modelo de franquias. Até agora, a rede era responsável pela operação de todos os hotéis da marca no país. A experiência acumulada com empreendimentos franqueados em mercados como Peru e Argentina levou a companhia a preparar o formato para o mercado brasileiro.

“O projeto está basicamente pronto para ser lançado. Teremos franquias e também estamos focados em conversões”, afirma Carvalho. Segundo o diretor, a rede pretende trabalhar com franqueados selecionados para preservar seus padrões de operação e serviço.

As conversões também devem ganhar relevância. O executivo explica que parte dos contratos assinados durante o último ciclo de desenvolvimento hoteleiro está chegando ao fim, o que cria oportunidades para mudanças de bandeira e operadora. “Historicamente, um contrato no Brasil tem 10 anos. Como o último grande momento de desenvolvimento aconteceu por volta de 2016, esses contratos estão terminando e uma janela de conversões começa a se abrir”, avalia.

A Meliá já foi convidada a participar de processos dessa natureza, entretanto, Carvalho ressalta que as negociações podem levar entre seis e oito meses, dependendo do tempo necessário para que os investidores tomem suas decisões.

melia - innside
iNNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis é fruto de conversão

Retomada dos investimentos impulsiona novos hotéis

Na avaliação do diretor, o Brasil voltou ao radar da Meliá em um momento em que o próprio mercado retomou o interesse pela hotelaria. Após o ciclo de desenvolvimento relacionado à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, a construção de hotéis perdeu força, inclusive no formato de condo-hotel.

“Nos últimos dois ou três anos, o investimento em hotelaria começou a voltar. Houve um intervalo muito grande sem a construção de novos hotéis e queremos participar ativamente desse momento”, explica Carvalho.

Outro fator é a presença crescente de investidores institucionais e de novas estruturas de financiamento. Carvalho cita o avanço de fundos, FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e outras fontes de capital direcionadas ao setor.

Apesar da retomada, o custo do capital continua sendo um dos principais obstáculos para novos projetos. Segundo o executivo, taxas de juros acima de dois dígitos ainda dificultam a viabilização dos empreendimentos.

Resort no Nordeste está nos planos da rede

A expansão da Meliá não ficará restrita aos mercados nos quais a rede já está presente. A companhia analisa oportunidades em diferentes regiões, incluindo capitais, cidades secundárias e destinos impulsionados por atividades econômicas específicas. No Nordeste, a meta é desenvolver um resort nos próximos três anos. O empreendimento poderá operar com uma bandeira como Sol by Meliá ou Meliá Hotels & Resorts, possivelmente no formato all inclusive. Carvalho não descarta outras marcas, mas afirma que ainda não há definição.

A aposta está ligada à origem da companhia no turismo de lazer e à experiência internacional da Meliá na gestão de resorts. “Queremos um resort no Nordeste nos próximos três anos. Acreditamos que podemos agregar muito com o nosso conhecimento em lazer”, diz o executivo.

Para o diretor, existe um amplo espaço para o crescimento dos resorts all inclusive no Brasil. A concorrência com destinos internacionais, especialmente Caribe e México, tem levado os investidores a buscar produtos mais competitivos e marcas com experiência no segmento. “Hoje, o investidor começa a perceber que seu produto precisa ser tão competitivo quanto um resort no Caribe”, observa.

Lifestyle acompanha mudança no perfil do hóspede

A introdução de novas bandeiras também responde às mudanças no comportamento dos viajantes. Carvalho avalia que o hotel estritamente executivo, concentrado apenas em atender às necessidades de trabalho, já não contempla integralmente a demanda atual.

Com o avanço das viagens que combinam negócios e lazer, os hóspedes procuram academias mais completas, atividades esportivas e opções de entretenimento para os períodos fora da agenda profissional. “As marcas lifestyle ganham visibilidade porque oferecem mais facilidades e opções. A questão central passa a ser o que podemos agregar à experiência do hóspede”, afirma.

Em condições normais, a Meliá trabalha com um período de maturação entre um ano e um ano e meio para um novo hotel. A digitalização e o acesso rápido a informações sobre as marcas, contudo, podem reduzir esse intervalo. Segundo Carvalho, potenciais clientes conseguem conhecer rapidamente hotéis que já operam em outros países, consultar as experiências oferecidas e acompanhar avaliações de hóspedes. Antes mesmo da estreia no Brasil, a companhia pretende ampliar a divulgação de suas bandeiras internacionais no mercado nacional.

Branded residences entram nas negociações

A Meliá também mantém conversas para desenvolver projetos de hotéis associados a branded residences no Brasil. A companhia não pretende trabalhar com residências independentes, sem conexão com um empreendimento hoteleiro. A expectativa é anunciar até o fim de 2026 um novo projeto nesse segmento. De acordo com o diretor, as residências precisam fazer parte de uma construção nova, e não de uma conversão.

A proposta da Meliá é oferecer não apenas o uso de uma marca, mas também serviços e experiências de hospitalidade. Para Carvalho, esse é um elemento importante para diferenciar o produto de empreendimentos imobiliários associados a marcas de outros setores. “Não é apenas comprar uma residência com uma marca. O cliente sabe que também levará uma experiência, com hospitalidade e serviços”, destaca.

O executivo acredita que o consumidor brasileiro já demonstra interesse por esse tipo de imóvel. Como exemplo, cita a participação de compradores do país em um lançamento da companhia em Miami, sem revelar percentuais.

Crescimento com foco em rentabilidade

Para alcançar 30 hotéis em operação até 2030, a Meliá projeta incorporar aproximadamente cinco unidades por ano. Carvalho considera a meta realista e afirma que o objetivo não é disputar a liderança do mercado brasileiro em número de empreendimentos. “Nós não queremos ser os maiores. Queremos ser bons e os melhores naquilo que fazemos”, resume.

A estratégia, segundo ele, será crescer sem abrir mão da rentabilidade dos investidores, do reconhecimento das marcas pelos hóspedes e dos padrões de serviço. O desempenho dos hotéis da rede em São Paulo, que operam no formato de condo-hotel, é apontado como uma das credenciais para atrair novos projetos e conversões.

(*) Crédito das fotos: Nayara Matteis/Hotelier News

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