Os gastos com viagens corporativas na América Latina devem alcançar US$ 67,7 bilhões em 2026, alta de aproximadamente 11% em relação ao ano anterior. O crescimento está entre os maiores registrados regionalmente no mundo, segundo pesquisa da GBTA (Global Business Travel Association).
Apesar do avanço previsto no curto prazo, a perspectiva para a América Latina é mais moderada nos próximos anos. O crescimento dos gastos regionais deve desacelerar para 3,3% em 2027, influenciado pela forte dependência da estabilidade econômica. Ainda assim, as projeções reforçam a resiliência e a importância estratégica das viagens corporativas para os mercados latino-americanos, aponta o Hotel News Resource.
Segundo Katharine Farrell, vice-presidente da GBTA para as Américas, a América Latina tem um forte impulso e uma oportunidade clara de transformar o crescimento das viagens corporativas em um valor econômico mais amplo. “A pesquisa aponta para o aumento dos gastos e a retomada da confiança, enquanto custos mais altos e a incerteza geopolítica reforçam a necessidade de programas de viagens resilientes e com propósito. A perspectiva é positiva, mas o sucesso contínuo dependerá de planejamento inteligente e retornos mensuráveis. As conversas na Conferência deste ano demonstram a força e o otimismo que estamos observando em toda a região”, pontua.
Já Mariana Ponce de León, diretora regional da entidade para México, América Central e Colômbia, destaca o papel dos encontros presenciais para os negócios na região. “A forte previsão reflete o papel essencial do relacionamento presencial na construção de relações com clientes, entrada em novos mercados e fortalecimento das organizações em toda a região”, afirma.
Segundo ela, os programas de viagens corporativas também precisam manter uma gestão disciplinada diante das pressões de custos e riscos. “Ao mesmo tempo, os programas de viagens devem permanecer disciplinados e focados em valor enquanto persistem as pressões de custos e riscos”, acrescenta.
Outros dados
O volume de viagens corporativas com origem na América Latina deve chegar a 64 milhões de deslocamentos em 2026, crescimento de 1,5% na comparação anual. O México ocupa a 20ª posição no ranking global, com gastos projetados em US$ 10,4 bilhões.
O Brasil é o único mercado latino-americano entre os 15 maiores do mundo e deve alcançar US$ 35,8 bilhões em gastos com viagens corporativas em 2026, alta de 13,8% sobre 2025. O resultado coloca o país à frente dos demais mercados da região em volume de despesas, enquanto a Argentina deve movimentar US$ 6,1 bilhões, a Colômbia US$ 5,5 bilhões, o Peru US$ 5,9 bilhões e o Chile US$ 3,4 bilhões.
Entre os setores que devem apresentar os maiores crescimentos nas viagens corporativas na América Latina estão indústria, administração pública e defesa, construção, comércio varejista e agricultura, silvicultura e pesca.
No mercado brasileiro, os resultados das viagens de negócios seguem crescendo. Em gosto, por exemplo, o segmento registrou faturamento de R$ 386,2 milhões, segundo dados da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), alta de 4,8% frente ao mesmo mês de 2025.
Viagens corporativas geram impacto econômico local
Dados do estudo 2026 GBTA Global Cities Economic Impact Study demonstram o impacto das viagens corporativas nas cidades que recebem esses deslocamentos. Na Cidade do México, as viagens corporativas para e dentro do destino geraram US$ 3,3 bilhões em receitas para a economia local com base nos dados de 2024. Desse total, US$ 2,1 bilhões corresponderam à contribuição direta e US$ 1,1 bilhão às contribuições indireta e induzida.
A atividade também sustentou 50.858 empregos, gerou US$ 867 milhões em valor agregado local e contribuiu com US$ 419 milhões em impostos. Para cada US$ 1 gasto em viagens corporativas na Cidade do México, 41% permanecem na economia local.
“Essas descobertas mostram que o impacto das viagens corporativas é visível nas receitas locais, nos empregos, na atividade dos fornecedores e no crescimento comercial”, afirma Daniel Duarte, gerente regional da GBTA para a América Latina Sul. “A oportunidade daqui para frente é sustentar esse impulso por meio de investimentos mais inteligentes, parcerias regionais fortes e programas de viagens que equilibrem crescimento e resiliência”, acrescenta.
Números divulgados pelo GBTA Industry Sentiment Poll, realizado em setembro de 2026, apontam o maior nível de confiança renovada entre as regiões analisadas. Ao todo, 76% dos profissionais do setor de viagens da América Latina demonstraram otimismo em relação aos próximos 12 meses. A GBTA, no entanto, ressalta que a amostra regional foi limitada.
(*) Crédito da foto: Divulgação















