O Brasil quer ampliar a presença chinesa no turismo brasileiro, e não só no fluxo de visitantes após adotar isenção de vistos para turistas do país asiático. A ideia é também atrair investimentos para o setor, em especial em hotelaria e infraestrutura turística, mirando produtos como resorts, parques, cruzeiros, equipamentos de lazer e experiências ligadas à natureza, entre outros.
Como parte dessa ofensiva, o MTur (Ministério do Turismo) traduziu para o mandarim um guia de investimentos desenvolvido em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e a ONU Turismo. O material reúne projetos do setor que podem movimentar até US$ 4,5 bilhões (R$ 22 bilhões) em investimentos, informa a Folha de São Paulo.
A iniciativa ocorre em um momento de fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China. Segundo levantamento do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), o país foi o principal destino dos investimentos chineses em 2025, recebendo US$ 6,1 bilhões (R$ 30 bilhões), alta de 45% em relação ao ano anterior.
Para o governo, o turismo aparece como uma extensão natural dessa relação comercial. “Os chineses têm investido bastante no nosso país e nós fizemos a tradução do guia em mandarim para que a barreira da língua seja vencida”, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.
Entre os projetos destacados no guia está o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa (PB). O empreendimento prevê a destinação de 1,3 milhão de metros quadrados (m²) para a implantação de um complexo turístico voltado à hotelaria, entretenimento e lazer. Alguns projetos já estão confirmados no local, casos dos novos resorts do Grupo Tauá de Hotéis e da Marriott International com bandeira da The Westin Hotels & Resorts.
O governo aposta em incentivos fiscais e no potencial de expansão do turismo regional para atrair investidores estrangeiros. O Nordeste, especialmente, tem concentrado projetos ligados a resorts, multipropriedade e desenvolvimento imobiliário-turístico, segmentos que vêm ganhando espaço no pipeline nacional.
Turismo corporativo
Hoje, boa parte do fluxo chinês para o Brasil está ligada ao turismo corporativo, impulsionado por feiras, reuniões e negócios. Dados da plataforma CTrip, principal OTA chinesa, apontam que o Brasil é o destino sul-americano mais procurado pela população do pais asiático.
A expectativa do governo é ampliar também o turismo de lazer. Um dos principais movimentos nesse sentido foi a isenção de visto para cidadãos chineses, válida desde o início deste mês. Agora, turistas da China podem permanecer no Brasil sem visto por até 30 dias ao ano.
A medida foi adotada em reciprocidade à decisão do governo chinês, que já havia retirado a exigência para brasileiros em 2025. A avaliação do setor é que a flexibilização pode favorecer o aumento da conectividade aérea, estimular operadores turísticos e ampliar o interesse internacional pelo mercado brasileiro.
(*) Crédito da foto: Hotelier News











