A hotelaria global acelera sua transformação digital em 2026, com a Inteligência Artificial assumindo papel central nas estratégias do setor. É o que revela o relatório Travel Dreams 2026, da Amadeus, segundo o qual praticamente todos os executivos hoteleiros entrevistados afirmaram que pretendem investir na tecnologia ao longo do ano. O movimento acompanha a busca crescente da indústria por personalização, eficiência operacional e novas fontes de receita.
Segundo o estudo, elaborado a partir de entrevistas com 6 mil viajantes e 500 executivos de hotéis em diferentes mercados internacionais, a satisfação do hóspede tornou-se a principal prioridade para os gestores hoteleiros, superando até mesmo a busca por novas fontes de demanda. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relacionados ao aumento dos custos operacionais, à transformação digital e à necessidade de entregar experiências altamente personalizadas.
Embora preço, localização, limpeza e segurança continuem sendo os fatores mais importantes na escolha de um hotel, os viajantes passaram a exigir mais flexibilidade, interações digitais e serviços moldados às suas preferências. Entre as mudanças de comportamento observadas pelos hoteleiros nos últimos cinco anos estão o aumento da demanda por políticas flexíveis de cancelamento, uso intensivo de dispositivos móveis durante a jornada de viagem e a expectativa por experiências individualizadas.
A personalização, aliás, desponta como uma das principais oportunidades de crescimento para o setor. O levantamento mostra que 74% dos viajantes consideram importante receber ofertas adaptadas ao seu perfil. Para atender a essa demanda, hotéis vêm investindo na criação de pacotes temáticos, experiências locais exclusivas e serviços complementares personalizados.
Além de melhorar a experiência do hóspede, essas iniciativas podem gerar receitas adicionais significativas. A pesquisa aponta que atributos como check-in antecipado, escolha de vista ou andar, amenidades de boas-vindas personalizadas, kits de experiências locais e pacotes voltados para a qualidade do sono estão entre os serviços pelos quais os viajantes demonstram maior disposição para pagar.
Outra tendência destacada pelo estudo é a transformação dos hotéis em centros de experiências. Executivos do setor enxergam potencial de crescimento em áreas como eventos sociais, experiências guiadas, programas de bem-estar, gastronomia especializada e parcerias com negócios locais. A estratégia busca ampliar as fontes de receita para além da venda de quartos e fortalecer a conexão dos empreendimentos com os destinos onde estão inseridos.
Insights
Segundo dados do Phocuswire, a IA tem sido um importante diferencial para elevar a receita no setor. As aplicações vão desde precificação dinâmica e previsão de demanda até análise de avaliações online, atendimento automatizado e personalização de ofertas.
Apesar do avanço tecnológico, o relatório revela que os viajantes ainda valorizam fortemente o contato humano. Em praticamente todas as etapas da estadia — incluindo check-in, concierge, solicitações de serviço e room service — a maioria dos hóspedes prefere interações conduzidas por pessoas. O atendimento continua sendo um fator decisivo para a reputação dos hotéis: 77% dos viajantes afirmam que deixariam uma avaliação negativa após uma experiência ruim de serviço.
A sustentabilidade completa o grupo das principais prioridades da hotelaria global. Todos os executivos entrevistados afirmaram que pretendem investir em iniciativas ambientais neste ano, destinando, em média, 6,7% de seus orçamentos para a área. Conservação de água, redução de resíduos, fornecedores sustentáveis e programas de alimentação responsável lideram a lista de ações adotadas.
Do lado da demanda, a relevância do tema também cresce. Três em cada quatro viajantes afirmam considerar as credenciais sustentáveis de um hotel importantes no momento da reserva, e muitos se mostram dispostos a pagar mais por hospedagens alinhadas a práticas ambientais responsáveis.
Para a Amadeus, o cenário aponta para uma hotelaria cada vez mais centrada no hóspede, na qual dados, tecnologia e atendimento humano precisam atuar de forma integrada. A capacidade de transformar informações em experiências memoráveis surge como um dos principais diferenciais competitivos para os próximos anos.
(*) Crédito da foto: Divulgação











