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Brasileiro não quer pagar mais de R$ 500 por diária, diz estudo

De fato, a informação central do título chama atenção, não é verdade? Agora, sim, estudo da Brain Inteligência Estratégica mostra que o brasileiro – que tem viajado bastante por aí – não está disposto a gastar mais de R$ 500 em uma diária de hotel. E é um percentual alto, hein? Segundo a pesquisa, seis em cada 10 viajantes nacionais não querem empenhar esse montante em sua estada. Agora, será mesmo?

Antes de responder à pergunta, voltemos à pesquisa, que entrevistou 1.283 pessoas, com faixa etária acima dos 21 anos em todas as regiões do Brasil. Segundo o estudo, em média, 9% não gastam mais de R$ 150; 25% dizem aceitar pagar de R$ 151 a R$ 300 e 27% de R$ 301 a R$ 500. Valores de R$ 501 a R$ 1 mil são privilégio de 21% dos respondentes, de acordo com a Brain Inteligência Estratégica, que apontou uma margem de erro é de 3,5% no estudo.

Em análise por faixa de renda, o estudo mostra que, entre os que têm rendimentos até R$ 5 mil por mês, a maioria está disposta a gastar até R$ 150. Já os que ganham de R$ 5 mil a R$ 10 mil e de R$ 10 mil a R$ 20 mil topam pagar, no máximo, R$ 300. Por fim, quem recebe acima de R$ 20 mil estaria dentro da média da pesquisa, aceitando empenhar até R$ 500 na diária de um hotel.

O curioso dos resultados da pesquisa da Brain Inteligência Estratégica é que, apesar de estar disposto a gastar “pouco”, o viajante brasileiro não quer ficar em qualquer lugar. Isso porque a revela que, em todos os perfis geracionais, o primeiro critério utilizado para a escolha do destino de viagem é o conforto (77%), seguido por preço (53%) e localização (57%).

“A relação de critérios na escolha de hospedagem apresenta grande correlação com a renda das famílias”, afirma Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica. Na pesquisa, 48% da amostra que ganha até R$ 5 mil prioriza preço, enquanto 45% dos que ganham até R$ 20 mil prioriza conforto.

Análise

O curioso dos números da pesquisa é que, como diz o ditado popular, “querer não é poder”. Ou, melhor dizendo, a vontade de viajar do brasileiro se sobrepõe ao planejamento financeiro. Isso porque, segundo dados do InFOHB, relatório mensal divulgado pelo FOHB, o viajante nacional já paga acima de R$ 500 nas diárias de algumas cidades. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília são grandes exemplos disso.

Segundo o relatório do FOHB, a diária média acumulada até agosto de 2025 nessas praças é de R$ 566,63, R$ 601,48 e R$ 506,89, respectivamente. Quando há grandes eventos, como shows de artistas internacionais então… Há várias outras capitais mapeadas pela entidade onde o indicador está próximo dos R$ 500. Mais ainda, simplesmente nenhuma cidade do relatório tem preços médios abaixo de R$ 300.

Para a hotelaria, ainda bem que a lei de Adam Smith é implacável, não é verdade? Como temos um mercado subofertado e uma demanda em expansão (o estudo da Brain mostra que a maioria dos brasileiros viaja de uma a mais de três vezes por ano durante feriados e finais de semana), os preços continuarão como principal driver de crescimento em 2026, como muitos dos líderes do setor apontaram no Hotel Trends Orçamentos, evento promovido pelo Hotelier News e Noctua Advisory, em setembro.

Agora, uma reflexão sobre os resultados do estudo se faz necessária: é possível fazer uma correlação entre o “limite financeiro” para hospedagens apontado na pesquisa e o avanço do mercado de short-term rentals. O segmento, que vê sua oferta crescer significativamente em grandes metrópoles nacionais, tem diárias médias mais baixas do que a hotelaria (abaixo de R$ 400), além de ofertarem o que o estudo aponta como fatores importantes na hora de escolher uma hospedagem: conforto e localização.

(*) Crédito da capa: imagem gerada pelo ChatGPT

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