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InFOHB: hotelaria mantém ritmo de alta em agosto

A hotelaria nacional registrou desempenho positivo em agosto de 2025, de acordo com dados do InFOHB, relatório produzido pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). A taxa de ocupação subiu 2,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, alcançando 65,03%. Já a diária média teve alta expressiva de 11,2%, atingindo R$ 438,23. O RevPar foi o indicador mais relevante, com avanço de 14%, somando R$ 284,99.

O resultado consolida a tendência de retomada acelerada do setor, puxada tanto pelo turismo de lazer em destinos nacionais, quanto pelo movimento de recomposição de tarifas após os anos de maior pressão inflacionária e custos elevados de operação. Embora a ocupação tenha crescido em ritmo mais moderado, a combinação de maior fluxo e tarifas mais robustas reforça a estratégia das redes em buscar rentabilidade sustentável, privilegiando valor sobre volume.

InFOHB - Gráfico_agosto

Outro ponto importante é a consolidação do perfil do viajante, que tem demonstrado maior disposição para pagar por experiências diferenciadas, infraestrutura moderna e serviços agregados, o que explica o peso do aumento da diária média para os bons resultados de agosto.

Desempenho regional mostra contrastes marcantes

O InFOHB aponta que o desempenho por região revela diferentes dinâmicas. O Nordeste foi o grande destaque, com alta de 8,8% na ocupação, 14,8% na diária média e impressionantes 24,9% no RevPar. O Sul também mostrou vigor, com crescimento de 7,9%, 10,6% e 19,4%, respectivamente. Já o Sudeste avançou de forma mais modesta, mas consistente: 1,2% em ocupação, 10,9% em diária e 12,3% em RevPar.

Na contramão, Centro-Oeste (-4%) e Norte (-0,5%) registraram retração na taxa de ocupação, ainda que tenham conseguido sustentar o crescimento do RevPar, graças ao incremento das tarifas – 9,9% e 18,5% de aumento na diária média, respectivamente.

A leitura desse cenário mostra que, assim como em julho, o turismo de lazer e o fator sazonalidade impactaram positivamente as regiões Nordeste e Sul, beneficiadas por férias, atratividade natural e demanda doméstica crescente. Já o Sudeste, com forte dependência de negócios, segue recuperando gradualmente, ainda sensível às oscilações da economia e do calendário corporativo.

No caso do Centro-Oeste e do Norte, a queda na ocupação indica que o aumento de tarifas nem sempre é acompanhado de volume, um alerta para a necessidade de maior diversificação de demanda e fortalecimento da agenda de eventos nessas regiões.

Upscale lidera desempenho por categoria

Entre as categorias de hotéis, o upscale puxou o crescimento em agosto, com avanço de 9,9% na ocupação, 13,2% na diária média e 24,4% no RevPar, consolidando o segmento como o mais resiliente e lucrativo no momento. Os empreendimentos midscale também tiveram bom desempenho: 1,8% de aumento na ocupação, 13,2% na diária e 15,3% no RevPar. Já a categoria Econômica registrou crescimento mais modesto, com altas de 1,2% na ocupação, 6,5% na diária e 7,7% no RevPar.

Esse comportamento reflete a transformação no perfil de consumo dos hóspedes. O upscale se beneficia de viajantes dispostos a investir em conforto, design e hospitalidade diferenciada – um público que tende a ser menos sensível a preços e mais fiel a experiências consistentes. O midscale segue equilibrando custo e valor, atraindo tanto o corporativo quanto o lazer em famílias e casais. Já o Econômico, tradicionalmente mais exposto à guerra de preços, enfrenta o desafio de repassar custos operacionais sem perder competitividade. A valorização das diárias nesse segmento mostra esforço das redes, mas a margem de manobra é menor.

Em resumo, o mercado brasileiro mostra que o caminho para resultados mais sólidos está na diferenciação de produto e na entrega de valor, não apenas no volume de hóspedes.

Principais municípios

No recorte municipal, Porto Alegre despontou como destaque absoluto. A capital gaúcha registrou alta de 40% na ocupação, 22,9% na diária média e impressionantes 72,1% no RevPar – números que refletem o fortalecimento do turismo regional, eventos de grande porte e uma retomada mais acelerada do mercado local.

O Rio de Janeiro também foi destaque, com alta de 21,8% na diária média e 37,3% no RevPar, reforçando sua posição como destino de lazer e negócios com demanda aquecida. Salvador (39,9% de alta no RevPar), Belém (28,2%) e Vitória (15,1%) também tiveram desempenhos expressivos.

Na outra ponta, Florianópolis amargou queda de 13,2% na ocupação e retração de 1% no RevPar, indicando uma desaceleração no fluxo turístico no mês. Belo Horizonte (-6,8% em ocupação), Goiânia (-5,5%) e Brasília (-0,5%) também registraram retrações, reflexo da dependência do turismo corporativo e da menor realização de grandes eventos.

Esse contraste mostra que destinos de lazer e cidades com apelo turístico conseguiram capturar melhor a disposição dos viajantes em investir em hospedagem de qualidade. Já mercados fortemente ancorados em negócios e governo enfrentam mais instabilidade, exigindo estratégias de diversificação para reduzir a vulnerabilidade a sazonalidade e variações econômicas.

Desempenho acumulado do ano mantém trajetória positiva

Entre janeiro e agosto de 2025, a hotelaria brasileira manteve trajetória de crescimento, segundo o InFOHB. Na comparação com o mesmo período de 2024, a taxa de ocupação subiu 2,5%, chegando a 60,55%. A diária média registrou aumento de 11%, alcançando R$ 426,77, enquanto o RevPar avançou 13,8%, para R$ 258,42

O resultado confirma a consolidação do setor em um patamar mais elevado do que o observado no ano passado. A combinação de aumento moderado da ocupação com reajustes significativos nas tarifas mostra que os hotéis têm conseguido equilibrar fluxo e rentabilidade, mesmo em cenários de maior pressão de custos operacionais.

Acumulado do ano

No recorte regional, apenas Centro-Oeste (-2,4%) e Norte (-0,8%) tiveram queda na ocupação, enquanto Nordeste (2,6%), Sudeste (2,4%) e Sul (6,5%) apresentaram crescimento. Em compensação, todas as regiões registraram avanço tanto na diária média quanto no RevPar, com destaque para o Sul, onde o indicador de receita por apartamento disponível cresceu 17,1%. Isso demonstra que, mesmo em mercados de menor volume, as redes conseguiram capturar valor por meio da precificação.

Na análise por categoria, os hotéis Upscale novamente lideraram, com crescimento de 5,9% na ocupação, 14,1% na diária média e 20,8% no RevPar. O Midscale também teve desempenho sólido, com alta de 1,4% na ocupação e 12,8% no RevPar, enquanto a categoria Econômica avançou 2,5% em ocupação e 10,2% em RevPar. O resultado reforça a resiliência dos segmentos de maior valor agregado, em linha com a tendência de consumidores mais dispostos a investir em experiências completas e diferenciadas.

Entre os municípios, Porto Alegre despontou como destaque, com alta de 33,7% na ocupação e 49,2% no RevPar no acumulado do ano. O Rio de Janeiro também registrou forte desempenho, com avanço de 21,4% na diária média e 39,9% no RevPar. Já capitais como Recife, Brasília, Goiânia e Manaus tiveram variações negativas em ocupação, refletindo maior dependência do turismo corporativo e sazonalidade de eventos.

(*) Crédito da foto: Divulgação

(**) Crédito dos infográficos: Divulgação/FOHB

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