À primeira vista, um hotel localizado dentro ou ao lado de um aeroporto pode parecer apenas um empreendimento comum. Na prática, porém, a dinâmica operacional dessas unidades é bastante diferente daquela observada em hotéis urbanos, corporativos ou de lazer. O perfil dos hóspedes, o comportamento da demanda, os serviços oferecidos e até a estratégia comercial seguem uma lógica própria. No caso do Aero Sleep Viracopos, as tarifas vendidas por horas são diferenciais que se destacam no fim do mês.
Localizado no segundo andar do Edifício Garagem, no Setor Rosa, o empreendimento de 77 acomodações vive uma rotina atípica, fortemente influenciada pelo fluxo do terminal aeroportuário de Campinas — um dos principais do país.
Em entrevista à reportagem do Hotelier News, Mateus Meirelles, gerente geral do hotel, revela que a previsão de fechamento de faturamento do primeiro semestre é de R$ 5 milhões. Segundo o executivo, o empreendimento recebe diferentes perfis de hóspedes, como clientes com benefícios de cartões de crédito, tripulantes e passageiros em trânsito.
“Trabalhamos com tarifas diferenciadas, vendidas por horas e não apenas diárias. Essa estratégia é um dos nossos pontos fortes para atingir resultados elevados”, explica Meirelles, ao destacar que o Aero Sleep Viracopos aumentará sua oferta de hospedagem nos próximos três meses para 120 acomodações, com investimentos na casa dos R$ 500 mil.
Com cabines de 8 metros quadrados (m²), o empreendimento atua com uma ocupação de 160%. Meirelles conta que o hotel vende tarifas de quatro, oito, 12 e 24 horas. “Nossa maior demanda é a tarifa balcão. São passageiros que estão em conexões longas ou chegam com antecedência para não perder o voo. Nossa localização é o nosso maior trunfo”, pontua o gerente, que revela que a diária média gira em torno de R$ 377.
As tarifas de 12 horas são as mais procuradas. Entretanto, a parceria com operadoras de cartão de crédito fomenta a ocupação de reservas de quatro horas — benefício concedido a uma parcela de clientes dessas empresas.

Sazonalidade como fator surpresa
Ao contrário de grande parte do setor, a sazonalidade do Aero Sleep Viracopos não acompanha os períodos de alta e baixa estação. Meirelles explica que o histórico de demanda não responde a uma lógica específica, com picos e vales de reservas. “Em alguns anos, determinados meses ficaram aquém do orçamento e, no ano seguinte, apresentaram resultados diferentes.”
Com a guerra no Oriente Médio afetando diretamente o preço do querosene de aviação, as companhias aéreas revisaram seus planos de expansão e adotaram medidas para conter os custos operacionais. Entre maio e junho, o Brasil perdeu mais de 6,2 mil voos — foram 3.596 voos cancelados em maio e outros 2.675 retirados da programação de junho, de acordo com dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Apesar do cenário desafiador, o hotel não sentiu a demanda cair.
“Recebemos mensalmente a previsão de passageiros de Viracopos. E esse dado é constante, não sentimos o impacto da alta do combustível até o momento. Nossa projeção é de crescimento de 15% em receita em 2026. Entre janeiro e maio, já observamos alta de 13% frente a 2025”, pontua o gerente.

Operação enxuta, mas eficaz
Cancelamentos de voos, conexões longas, atrasos operacionais, tripulações, passageiros em trânsito e até condições climáticas podem impactar significativamente o desempenho do empreendimento. Isso exige das equipes uma capacidade maior de adaptação às oscilações repentinas na ocupação.
Embora a hotelaria seja tradicionalmente um setor de funcionamento contínuo, nos hotéis de aeroporto a necessidade de operação 24 horas ganha uma dimensão ainda mais crítica. Chegadas durante a madrugada, partidas muito cedo, voos internacionais e diferentes fusos horários exigem que praticamente todos os serviços estejam preparados para atender hóspedes em qualquer horário.
“Nossa equipe é 100% fixa, o que nos ajuda a garantir um serviço de qualidade e pontualidade na entrega das UHs. Hoje, o hotel conta com um time de governança 24 horas, o que é um diferencial para manter o nível dos serviços”, enfatiza o gerente.
Além da hospedagem, o Aero Sleep Viracopos oferece café da manhã nas tarifas de 12 e 24 horas. A refeição é servida das 4h às 9h, visando atender aos diferentes horários dos hóspedes.
“Também oferecemos guarda-volumes e banho avulso para quem está no terminal, mas esse tipo de serviço não possui tanta representatividade e não chega nem a 1% da nossa receita”, diz Meirelles.
A operação do Aero Sleep Viracopos ainda possui parcerias com restaurantes do aeroporto, que oferecem descontos para hóspedes. “O nosso perfil de clientes preza pela comodidade e agilidade. Não se trata de um hóspede que quer ficar sentado no lobby, mas sim de fazer um check-in rápido para descansar”, finaliza o gerente.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Aero Sleep Viracopos











