Os impactos da guerra envolvendo o Irã continuam sendo sentidos pelo setor aéreo global. Com a alta dos preços do petróleo e do QAV (Querosene de Aviação), companhias do segmento têm revisado projeções e adotado medidas para conter o avanço dos custos operacionais, aponta a Folha de São Paulo.
Entre elas está a Latam, que reduziu em três pontos percentuais sua previsão de capacidade para o mercado brasileiro no terceiro trimestre deste ano. A decisão ocorre após a empresa rever suas estimativas para o preço do combustível, um dos principais componentes de custo da aviação.
Segundo Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, a expectativa é de que os preços do QAV permaneçam elevados pelos próximos seis a 12 meses, mesmo que o conflito chegue ao fim. “Você não consegue tirar um navio de um lugar para o outro em questão de dias e você também não consegue reconstruir eventualmente a infraestrutura de refino e de extração de petróleo que foram destruídas. Eu acho que vai demorar um tempo”, diz.
A companhia já havia informado, no início de maio, que a guerra provocou um impacto de US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) em seus resultados do primeiro trimestre. Com a deterioração do cenário, a empresa elevou suas projeções para o preço do petróleo. Antes, trabalhava com a estimativa de US$ 90 por barril. Agora, espera que a commodity alcance US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres de 2026 e encerre o ano em torno de US$ 150.
Impacto
Como consequência, a Latam decidiu desacelerar o ritmo de crescimento planejado para o Brasil. Apesar da revisão, a empresa ainda projeta expansão de aproximadamente 8% na oferta de voos em relação ao terceiro trimestre de 2025.
“A gente continua crescendo versus ano passado em torno de 8%. É um crescimento significativo, mas a gente estava se programando para crescer 11%”, diz Cadier.
O executivo afirma que a companhia não cortou rotas nem destinos, mas reduziu frequências em alguns mercados. Um dos exemplos citados foi a ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo. Além dos ajustes na malha, a empresa também vem adequando os preços das passagens para absorver parte da pressão gerada pela alta do combustível.
Reflexo no turismo
Mas, em qualquer guerra, sempre há vitoriosos e derrotados. Com a alta do QAV e, consequentemente, das passagens aéreas, o mercado de lazer tem se beneficiado do estímulo que o turismo regional rodoviário recebe quando os preços dos bilhetes aéreos sobem.
Em entrevista recente ao Hotelier News, grandes players do segmento confirmaram a tese: a demanda individual está subindo. Ainda assim, o alerta segue ligado para empreendimentos de lazer localizados em destinos mais dependentes do modal aéreo.
Dessa forma, embora o cenário atual favoreça momentaneamente o turismo regional, o mercado também olha com cautela para os possíveis impactos de uma eventual escalada do conflito sobrea a inflação e o consumo. Isso porque uma pressão prolongada sobre combustíveis pode afetar não apenas o transporte aéreo, mas também elevar os custos das viagens rodoviárias.
(*) Crédito da foto: Divulgação









