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FII de hotelaria segue entre os maiores dividendos da B3

Para muita gente do mercado financeiro, os melhores FIIs (fundos imobiliários) raramente são associados ao setor hoteleiro. Só que um desses “patinhos feios”, digamos assim, vem mantendo performance destacada na B3 já há certo tempo. O HTMX11, FII de hotelaria gerido pelo BTG Pactual, aparece entre os 10 maiores pagadores de dividendos de junho, segundo levantamento do Valor Investe.

O desempenho não é um episódio isolado. O HTMX11 acumula dividend yield (percentual de rendimento pago ao investidor em relação ao valor da cota) próximo de 12% (11,9% para ser mais exato) nos últimos 12 meses. O resultado é sustentado pela combinação entre a recuperação operacional dos hotéis da carteira e uma estratégia de desinvestimento de apartamentos hoteleiros (condo-hotéis).

A melhora dos resultados acompanha o bom momento vivido pela hotelaria brasileira. Dados do InFOHB, relatório mensal produzido pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), mostram que os hotéis associados movimentaram R$ 8 bilhões em receita de hospedagem em 2025, com ocupação de 60,3%, diária média de R$ 388,45 e RevPar de R$ 234,53. Frente a 2024, os indicadores registraram crescimento nominal de 3,4%, 10,4% e 12,6%, respectivamente.

O ritmo positivo se mantém neste ano, embora um pouco abaixo. De janeiro a abril, segundo números do InFOHB, o setor acumula alta de 2,1%, 8,3% e 10,5% na ocupação, diária média e RevPAR, respectivamente. Diante do cenário geopolítico internacional, que traz instabilidades nos preços internacionais do barril do petróleo, os dados vêm reforçando a capacidade da hotelaria nacional de elevar tarifas mesmo com a pressão sobre os preços dos bilhetes aéreos.

Hotéis mais rentáveis

Esse movimento aparece de forma clara nos números do próprio HTMX11. De acordo com o último relatório divulgado pelo fundo (acesse aqui), a distribuição de renda por apartamento alcançou R$ 5.655 em março, alta de 26% em relação a igual período de 2025. Esse rendimento ocorreu após os hotéis da carteira registrarem ocupação de 70%, contra 57% um ano antes, enquanto a diária média atingiu R$ 652 e o RevPAR chegou a R$ 456, avanço de 27% na comparação anual.

FII de hotelaria - Novotel Morumbi é da carteira do HTMX11
Novotel Morumbi compõe a carteira de hotéis do HTMX11

A concentração em São Paulo ajuda a explicar o bom desempenho. Isso porque, em março, a realização de eventos de grande porte na capital paulista, como a Expo Revestir, a Feicon, a Apas e a Hospitalar, contribuiu para elevar a demanda e a rentabilidade dos ativos. Vale destacar que o HTMX11 detém 724 apartamentos distribuídos em 17 hotéis, com predominância de unidades administradas pela Accor (há também empreendimentos geridos por Intercity, Estanplaza e Meliá).

Agora, não são só os dados positivos dos hotéis que explicam o resultado. O fundo também vem executando um plano de desinvestimento gradual de sua carteira. Somente em abril, sete unidades hoteleiras foram vendidas, gerando lucro líquido de R$ 2,64 milhões. Desde o início desse ciclo, já foram comercializadas 624 condo-hotéis pelo HTMX11.

Em um mercado dominado por fundos de crédito e logística, o HTMX11 mostra que a recuperação da hotelaria também começa a produzir reflexos positivos no mercado de capitais. Uma vez que as perspectivas seguem positivas, diante de um desbalanceamento entre oferta e demanda no setor e as mudanças de comportamento do consumidor, que tem priorizado as viagens em seus gastos de lazer, a pergunta que fica é quando novos fundos imobiliários focados em ativos hoteleiros ganharão o mercado de capitais de vez.

(*) Crédito da imagem: gerada pelo ChatGPT