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Hotelaria brasileira troca ocupação por rentabilidade em junho

A hotelaria brasileira registrou desempenho misto em junho, com retração em ocupação, mas avanço nos indicadores de rentabilidade. De acordo com a 227ª edição do InFOHB, levantamento do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), a taxa de ocupação caiu 1,2% em relação ao mesmo mês de 2025, passando de 60,40% para 59,69%. Em contrapartida, a diária média avançou 2,4%, para R$ 421,53, enquanto o RevPAR cresceu 1,2%, alcançando R$ 251,60.

Os resultados indicam que, mesmo diante de uma demanda ligeiramente menor, os hotéis conseguiram preservar a geração de receita por meio de reajustes tarifários. O crescimento da diária média foi suficiente para compensar a queda na ocupação, mantendo o RevPAR em trajetória positiva, ainda que em ritmo mais moderado.

O desempenho também evidencia um mercado mais seletivo, no qual a estratégia comercial ganha peso. Em vez de priorizar exclusivamente o aumento do volume de hóspedes, parte dos empreendimentos parece ter optado por sustentar preços em um ambiente de demanda menos aquecida, preservando a rentabilidade das operações.

Desempenho regional

O desempenho variou significativamente entre as regiões brasileiras. O Sul apresentou os melhores resultados do mês, com alta de 4,8% na taxa de ocupação, crescimento de 8,9% na diária média e avanço de 14% no RevPAR, frente a junho de 2025. O Nordeste também encerrou junho em alta, com crescimento de 0,9% na ocupação, 5% na diária média e 6% no RevPAR. Já o Centro-Oeste registrou queda de 1,4% na ocupação, mas compensou esse movimento com aumentos de 5,9% na diária média e 4,4% no RevPAR.

Desempenho Regional

Na outra ponta, Norte e Sudeste tiveram os desempenhos mais fracos. A região Norte registrou retração em todos os indicadores, com quedas de 9,6% na ocupação, 2,3% na diária média e 11,6% no RevPAR. O Sudeste também apresentou recuo na ocupação (-2,4%) e no RevPAR (-1,4%), embora tenha registrado leve avanço de 0,9% na diária média.

Performance por categoria de hotel

Entre os segmentos hoteleiros, os hotéis econômicos registraram queda de 1% na ocupação, mas elevaram a diária média em 3,1%, resultando em crescimento de 2,1% no RevPAR. Os empreendimentos midscale também tiveram retração de 1,2% na ocupação, porém apresentaram o melhor desempenho entre as categorias, com alta de 4,5% na diária média e avanço de 3,3% no RevPAR. Já os hotéis upscale foram os únicos a registrar queda em todos os indicadores: ocupação (-2,1%), diária média (-2,7%) e RevPAR (-4,8%).

Os dados mostram que o segmento midscale foi o principal destaque de junho. A combinação entre maior capacidade de reajuste tarifário e manutenção de um nível de demanda relativamente estável favoreceu o desempenho da categoria, enquanto o segmento upscale enfrentou um ambiente mais desafiador, refletindo maior sensibilidade da demanda de alto padrão no período.

Infográfico categorias

Na análise por municípios, Curitiba liderou o crescimento da ocupação, com alta de 5,2%, seguida por Porto Alegre (9,3%) e Florianópolis (3,8%), únicas cidades entre as 15 analisadas a registrarem avanço nesse indicador. Na diária média, Curitiba também apresentou o maior crescimento (18,2%), à frente de Vitória (17,9%), Porto Alegre (12,6%) e Recife (10,1%). Já no RevPAR, os maiores avanços ficaram com Curitiba (24,4%) e Porto Alegre (23,2%), enquanto Belém registrou a maior retração (-23,4%).

Semestre fecha em alta

No acumulado de janeiro a junho de 2026, a hotelaria brasileira manteve desempenho positivo frente ao mesmo período do ano passado. A taxa de ocupação avançou 0,7%, passando de 59,72% para 60,16%, enquanto a diária média cresceu 5,7%, chegando a R$ 447,56. Com isso, o RevPAR registrou alta de 6,5%, alcançando R$ 269,27.

Entre as categorias hoteleiras, o segmento econômico foi o único a ampliar a ocupação no semestre, com crescimento de 2,4%, além de registrar alta de 4,4% na diária média e de 6,9% no RevPAR. Os hotéis midscale tiveram leve retração de 0,5% na ocupação, mas lideraram o avanço da diária média (7,7%) e do RevPAR (7,2%). Já a categoria upscale apresentou queda de 1,7% na ocupação, embora tenha encerrado o período com crescimento de 5,5% na diária média e de 3,7% no RevPAR.

Performance Regional

Os resultados do primeiro semestre mostram que a hotelaria brasileira segue apoiando seu crescimento muito mais na qualidade da receita do que na expansão da demanda. O avanço da ocupação foi modesto, mas suficiente para dar sustentação a uma estratégia de valorização das tarifas, permitindo que o RevPAR crescesse em ritmo superior aos demais indicadores. Isso demonstra que o setor continua encontrando espaço para aumentar preços sem comprometer significativamente o desempenho operacional.

O comportamento das diferentes categorias também revela que a recuperação do mercado não ocorre de forma homogênea. Enquanto os hotéis econômicos conseguiram ampliar o fluxo de hóspedes, os empreendimentos midscale mostraram maior capacidade de capturar valor por meio da precificação, alcançando os melhores resultados em diária média e RevPAR. Já o segmento upscale enfrentou um ambiente mais competitivo, refletido na queda da ocupação e em um crescimento mais contido da receita.

De forma geral, os indicadores acumulados reforçam um cenário de estabilidade para a hotelaria nacional. Apesar de um ambiente de demanda ainda sem avanços expressivos, os hotéis seguem preservando margens por meio de uma gestão tarifária mais eficiente. O resultado do semestre indica que o setor entra na segunda metade de 2026 em uma posição mais sólida do que no ano anterior, sustentando o crescimento da receita sem depender exclusivamente de um aumento no volume de hóspedes.

(*) Crédito da foto: Divulgação

(**) Crédito dos infográficos: Divulgação/FOHB

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