InícioNEGÓCIOSMercadoInFOHB: hotelaria cresce, mas perde fôlego em junho
Slaviero hospitalidade

InFOHB: hotelaria cresce, mas perde fôlego em junho

A hotelaria brasileira encerrou junho de 2025 em alta, com crescimento nos três principais indicadores de desempenho: taxa de ocupação, diária média e RevPar. Segundo a 215ª edição do InFOHB, informativo mensal do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), o RevPar nacional teve aumento de 9% em comparação com o mesmo mês de 2024, enquanto a diária média subiu 8,4% e a taxa de ocupação cresceu 0,5%.

A pesquisa considera uma amostra de 608 hotéis pertencentes a redes associadas ao FOHB, somando mais de 94 UHs. O bom desempenho é atribuído, principalmente, ao aumento das tarifas e ao avanço em regiões estratégicas como o Sul, que se destacou com crescimento de 12,6% na ocupação, 13,3% na diária e expressivos 27,6% no RevPar.

InFOHB - Infográfico_junho

Cabe lembrar que o resultado de junho, apesar de positivo, mostra um movimento de desaceleração frente aos meses anteriores. Em abril, por exemplo, os feriados puxaram a alta da hotelaria, resultando em aumentos de 16,7% no RevPar, 15,7% na diária média e 0,8% na ocupação. Já em maio, a variação do RevPar foi de 19,2%, enquanto diária média e ocupação tiveram incrementos de 9,3% e 9%, respectivamente.

A desaceleração observada em junho pode ser explicada principalmente pela ausência de impulsionadores sazonais, como os feriados prolongados que marcaram o mês de abril. Esses períodos costumam estimular viagens de lazer e escapadas de fim de semana, aumentando a demanda por hospedagem e elevando indicadores como ocupação, diária média e RevPar.

Além disso, maio ainda colheu parte desse efeito residual e apresentou bom desempenho, mas sem a mesma intensidade. Já junho, tradicionalmente, é um mês de transição no calendário do turismo: está fora dos grandes feriados, longe das férias escolares e antecede a alta temporada de julho e, com isso, a demanda tende a se estabilizar.

Alta de preços impulsiona desempenho

O InFOHB revela que o crescimento do setor está sendo puxado majoritariamente pela elevação dos preços — tendência observada em todas as regiões do país. O Norte, por exemplo, mesmo com queda de 2,2% na ocupação, registrou alta de 7,1% na diária média e de 4,7% no RevPar. Já o Sudeste, maior mercado hoteleiro nacional, viu a diária subir 8,3%, com RevPar em alta de 6,2%, apesar da retração de 2% na taxa de ocupação.

No recorte por categoria, os hotéis do segmento upscale foram os que mais cresceram em desempenho financeiro: a diária média subiu 8,7%, e o RevPar avançou 15,2%. Já os hotéis econômicos apresentaram leve crescimento de 0,8% na ocupação e avanço de 7,8% no RevPar. A única queda relevante foi no midscale, com retração de 1,4% na taxa de ocupação.

Principais municípios

Na análise por municípios, o destaque absoluto foi Porto Alegre. A capital gaúcha registrou aumento de 28,1% na diária média e expressivos 238,6% no RevPar, impulsionada por eventos e sazonalidade favorável. Outras cidades com desempenho expressivo incluem Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro — este último com alta de 29% no RevPar.

Por outro lado, algumas capitais apresentaram retração, especialmente Florianópolis, com queda de 22,5% na taxa de ocupação e de 9,8% no RevPar. São Paulo, o maior mercado hoteleiro do país, também teve recuo no RevPar (-2,8%), refletindo leve redução na taxa de ocupação e uma alta moderada de 5,8% na diária.

Semestre fecha em crescimento consistente

Considerando o acumulado de janeiro a junho de 2025, o desempenho da hotelaria brasileira segue em trajetória positiva. A taxa de ocupação cresceu 3,3%, a diária média avançou 10,7% e o RevPar acumulou alta de 14,4% frente ao mesmo período de 2024.

Nesse recorte, novamente o upscale lidera a recuperação: o segmento teve aumento de 12,9% na diária e 19,2% no RevPar. Regionalmente, o Sul se destaca com crescimento de 7,4% na ocupação e 18,3% no RevPar, seguido pelo Nordeste e Sudeste. Apenas as regiões Centro-Oeste e Norte registraram leve queda na taxa de ocupação, mas com alta nos demais indicadores.

InFOHB - Acumulado_ano

Apesar do avanço geral, o InFOHB aponta que a recuperação é desigual entre regiões e perfis de hotel. As grandes capitais seguem sendo os principais polos de geração de receita, mas enfrentam oscilações de demanda conforme o calendário de eventos, feriados e comportamento do turismo corporativo.

A expectativa do FOHB é de continuidade na tendência de valorização das tarifas, com crescimento mais moderado na ocupação. A resiliência do setor frente à inflação e à instabilidade econômica é vista como sinal de consolidação da retomada pós-pandemia, embora ainda dependa de estímulos e estabilidade nos principais mercados emissores.

(*) Crédito da capa: Divulgação

(**) Crédito das fotos: Divulgação/FOHB

Realgems ameneties