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HTC: investir no hotel exige olhar além da obra

Na programação do HTC (Hotel Trends Conference), promovido pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory, o painel Retrofit e CapEx estratégico: quanto e no que investir para valorizar seu hotel? discutiu como o planejamento de investimentos em reformas, construções e melhorias pode contribuir para o posicionamento e a valorização de empreendimentos hoteleiros.

A conversa foi mediada por Gustavo Syllos, sócio-diretor da Forma & Conteúdo, e contou com a participação de Abel Feris Júnior, diretor Operacional e RH da Rede Estanplaza de Hotéis; Giulliano Polito, CEO da Brazilian Host; e Edman Aquino Jr., gerente de Estratégia e Inovação da Aviva.

Na abertura do painel, Syllos questionou de que forma a inovação pode atuar como uma alavanca para a utilização estratégica do CapEx. Ao fazer as primeiras considerações, Aquino destacou que a decisão de realizar um retrofit deve partir, principalmente, de uma avaliação criteriosa dos custos envolvidos. “Quando você vai construir ou reformar, não pode olhar só para o custo da obra, mas o pós também. E isso é um ponto que olhamos muito minuciosamente nas estratégias da Aviva”, afirmou o executivo.

Abel Feris Júnior
“Planejamento é o segredo”, disse Polito

Feris, por sua vez, avaliou que investimentos de maior porte precisam estar apoiados em estudos e planejamento que deem sustentação às decisões. Segundo ele, a ausência desses elementos pode comprometer os resultados esperados. “Muitas vezes vemos empresas fazendo investimentos sem sustentação ou planejamento, e o que acontece é que elas não atingem o resultado esperado”, explicou.

Polito também destacou a importância de estabelecer uma finalidade clara para o investimento antes de iniciar um projeto de reforma ou construção. Na avaliação do executivo, a definição do objetivo deve acompanhar todo o ciclo de CapEx, já que as decisões tomadas ao longo desse processo têm impacto direto na rentabilidade do ativo. “Esse objetivo precisa estar claro durante todo o ciclo de investimento. Tudo isso tem impacto direto na rentabilidade do ativo”, salientou.

Estratégia orienta os resultados

Ainda de acordo com Polito, estabelecer o objetivo desde o início do ciclo de investimentos amplia a capacidade de avaliar a efetividade das iniciativas adotadas. Com um planejamento estruturado, torna-se possível acompanhar os resultados e entender se o capital aplicado alcançou a finalidade prevista.

“Sem planejar, é mais difícil mensurar o retorno daquele investimento”, acrescentou. A discussão também abordou a necessidade de repensar a maneira como obras e reformas são conduzidas na hotelaria. Aquino ressaltou que mudanças nos processos de construção e retrofit podem ter reflexos diretos na experiência do cliente, além de contribuir para uma execução mais otimizada.

“Isso garante uma obra mais otimizada e, principalmente, que os quartos sejam entregues mais rapidamente, por exemplo. É preciso adotar estratégias específicas para cada tipo de produto. É isso que faz a diferença”, comentou o CEO da Brazilian Host.

A definição de estratégias específicas para cada produto hoteleiro, portanto, aparece como um dos pontos considerados pelos executivos para orientar a aplicação do CapEx. A discussão mostrou que a decisão sobre onde investir não deve ser dissociada das características e dos objetivos de cada empreendimento.

Investimento também impacta a percepção do cliente

Durante o painel do HTC, Feris chamou atenção ainda para os efeitos que uma reforma ou construção pode gerar na percepção do hóspede. Para o executivo, quando o investimento é bem direcionado, o cliente consegue reconhecer as mudanças realizadas no empreendimento.

“É muito bom o cliente reconhecer o que foi feito, e passar a perceber o hotel como um produto ainda mais interessante”, disse o diretor da Estancorp. A percepção do cliente, nesse caso, se soma aos aspectos financeiros e operacionais que precisam ser considerados antes e durante a execução de um projeto. Por isso, a discussão sobre CapEx e retrofit envolve não apenas quanto investir, mas também onde aplicar os recursos e quais resultados se pretende alcançar.

Ao longo do painel, os participantes reforçaram que decisões relacionadas a reformas e investimentos precisam estar conectadas a objetivos claros, planejamento e avaliação de custos. A estratégia, portanto, passa a ser um elemento central para direcionar o CapEx e buscar maior eficiência, um dos critérios mais avaliados em retrofits, na execução das obras, além de contribuir para a percepção de valor do produto hoteleiro.

O debate no HTC evidenciou, assim, que projetos de retrofit e investimentos em CapEx demandam uma visão que considere o empreendimento de forma ampla, desde os custos da obra e os impactos posteriores até a experiência do cliente e a rentabilidade do ativo. Com planejamento e objetivos definidos, os investimentos podem ser avaliados de maneira mais estruturada ao longo de todo o ciclo.

(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News

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