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Viagens corporativas movimentam recorde de R$ 102 bi

As viagens corporativas movimentaram cerca de R$ 102 bilhões no Brasil no primeiro semestre de 2026, estabelecendo um novo recorde histórico. O resultado representa crescimento de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o LVC (Levantamento de Viagens Corporativas), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas).

O desempenho confirma a sequência de recordes registrada pelo setor ao longo de 2026. A projeção é que o mercado encerre o ano com crescimento de aproximadamente 5% na comparação com 2025. O resultado é considerado positivo diante do ritmo mais fraco de expansão da economia brasileira no período.

Somente em junho, as empresas brasileiras gastaram R$ 17,3 bilhões com viagens corporativas, o maior valor mensal da série histórica. Na comparação anual, a alta foi de 3,7%, abaixo do ritmo observado nos meses anteriores.

A desaceleração reflete uma base de comparação elevada, uma vez que o setor havia avançado 9,6% em junho de 2025, na mesma métrica.

Mercado aéreo registra estabilidade nas tarifas

O desempenho do mercado aéreo ajuda a explicar o comportamento dos preços das viagens corporativas. Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mostram que a demanda por voos, medida pelo indicador RPK, somou cerca de R$ 9 bilhões em junho.

O indicador, que representa o número de passageiros pagantes multiplicado pela distância percorrida em cada voo, apresentou crescimento de apenas 0,2% na comparação anual. Mesmo com a variação limitada, o resultado configurou um recorde histórico para o mês.

A tarifa aérea média chegou a R$ 660, permanecendo praticamente estável frente aos R$ 658 registrados em junho de 2025. Em relação a maio de 2026, quando o valor havia sido de R$ 633, entretanto, houve avanço.

O preço do petróleo, atualmente abaixo de US$ 90 o barril, mesmo com a retomada do conflito no Irã, está entre os fatores que ajudam a explicar a estabilidade anual das tarifas aéreas.

Hotelaria mantém ocupação e eleva diária média

Na hotelaria, os preços apresentaram leve crescimento, enquanto a ocupação permaneceu estável. Segundo o FOHB (Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil), entidade que reúne as principais redes hoteleiras do país e monitora o desempenho do setor, a taxa de ocupação ficou em torno de 60% entre junho de 2025 e junho de 2026.

No mesmo intervalo, a diária média dos hotéis avançou de R$ 411 para R$ 421, alta de 2,4%. Os números indicam que a demanda corporativa permanece suficientemente firme para sustentar repasses de preços na hotelaria, embora as negociações continuem exercendo papel importante na contenção de custos adicionais.

Empresas buscam eficiência nas viagens corporativas

O cenário econômico também influencia as decisões relacionadas às viagens a negócios. Diante dos juros elevados e das incertezas políticas e econômicas, as empresas passaram a avaliar com mais critério a necessidade de cada deslocamento.

“O levantamento aponta a importância de as empresas buscarem uso de tecnologia, sobretudo de inteligência artificial, como caminho para ganhar eficiência de custos diante de preços ainda pressionados”, observa Luana Nogueira, diretora executiva da Alagev.

Apesar desse ambiente, o mercado de viagens corporativas mantém uma sequência de recordes em 2026. A trajetória indica que a necessidade de deslocamento das empresas pelo país deve sustentar um volume elevado de gastos ao longo do ano.

O estudo completo pode ser consultado no link.

(*) Crédito da foto: Hotelier News

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