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IA avança e desafia estratégias de marketing no turismo

O avanço da IA (inteligência artificial) está redesenhando o marketing de viagens e já provoca mudanças na forma como marcas se relacionam com os consumidores. Em meio à rápida evolução tecnológica, executivos do setor ainda divergem sobre os impactos no curto prazo, mas acreditam que o modelo deixou de ser acessório e passou a ocupar papel central nas estratégias.

O tema esteve em pauta no Travel Marketing AI Summit, promovido pelo Phocuswright, que reuniu lideranças de empresas como Hopper, Marriott International, Booking.com, Hotels.com e Google. As informações são do Phocuswire.

IA desafia modelos tradicionais

Para Frederic Lalonde, fundador e CEO da Hopper, a transformação tende a ser profunda. O executivo avalia que os canais tradicionais de marketing podem perder relevância à medida que a interação com o consumidor migra para ambientes mediados por IA.

Na prática, isso significaria menos contato direto entre marcas e clientes. Em um cenário no qual parte significativa das transações pode ser automatizada, por exemplo, o usuário passa a não perceber marca, jornada ou publicidade.

Apesar da visão mais disruptiva, há quem adote uma leitura mais cautelosa. Ben Harrell, diretor administrativo da Booking.com, afirma que a lógica central do marketing permanece a mesma: estar onde o cliente está. “As plataformas mudam, mas a estratégia continua”, resume.

Busca e dados ganham protagonismo

O aumento do uso de IA no planejamento de viagens, com 56% dos usuários norte-americanos recorrendo a essas ferramentas, segundo o Phocuswright, favorece o aumento da preocupação com visibilidade. Práticas como SEO passam a dividir espaço com GEO e AEO, novas abordagens focadas em otimização para mecanismos generativos e otimização para mecanismos de resposta, respectivamente.

No Google, o movimento é de adaptação contínua. A empresa mantém o foco em buscas, mas amplia testes e integrações com IA para acompanhar o comportamento do usuário. Segundo Nelson Boyce, diretor de Viagens da gigante, o objetivo é entender a melhor combinação possível nesse novo cenário.

Na Marriott International, que já prevê investimentos bilionários em IA para este ano, o caminho envolve aportes em infraestrutura de dados e distribuição de conteúdo. A companhia trabalha para garantir qualidade das informações e presença consistente nos novos ambientes de busca baseados nesse tipo de tecnologia.

Publicidade em nova fase

Além da busca orgânica, a publicidade também começa a se reconfigurar. A OpenAI iniciou testes com anúncios e já sinaliza expansão, enquanto o Google não descarta integrar publicidade ao Gemini. Para as empresas de viagens, participar desses novos espaços será estratégico.

“Nós já passamos por mudanças com o mobile e nos adaptamos. A IA será mais um ciclo de transformação”, avalia Harrell.

Influência em debate

O avanço da IA também levanta questionamentos sobre o papel dos influenciadores digitais. Parte dos executivos acredita que a confiança em sistemas generativos pode reduzir a relevância desse modelo.

Por outro lado, há consenso de que autenticidade seguirá como ativo central. Algumas empresas, inclusive, têm apostado em conteúdos próprios e narrativas mais orgânicas para se diferenciar nas redes sociais.

Entre expectativas e realidade

Embora o entusiasmo com a IA seja alto, executivos alertam para o risco de exageros. Acredita-se, no geral, que há muito potencial e um certo aumento do que a tecnologia representa para os setores econômicos, incluindo turismo e hotelaria. O tamanho disso, contudo, vai depender da bolha na qual está inserido.

Portanto, a avaliação é que, apesar das transformações, nem todas as previsões mais radicais devem se concretizar. O histórico do varejo digital, por exemplo, mostra que mudanças anunciadas como disruptivas, como o fim das lojas físicas, nem sempre se confirmam.

A recomendação é testar, aprender e ajustar. A compreensão de aplicações práticas da IA faz com que o negócio gere valor real em vez de iniciativas puramente experimentais.

Com o mercado em transição, fato é que o marketing de viagens entra em uma nova fase: menos previsível, mais orientado por dados e cada vez mais mediado por IA.

(*) Crédito da foto: Freepik

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