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Marriott projeta mais hotéis de luxo no Brasil

Com três hotéis de luxo em operação e outros três em construção no Brasil, a Marriott International está de olho nas oportunidades de crescimento no país, especialmente no segmento de alto padrão. A estratégia foi detalhada por Leeny Oberg, diretora Financeira global e vice-presidente executiva de Desenvolvimento do grupo, em entrevista ao Valor Econômico.

Com cerca de 1,7 milhão de quartos, a gigante hoteleira pretende ampliar sua presença em um dos mercados mais relevantes da América Latina. Apesar da liderança regional na hotelaria — em disputa direta com a francesa Accor —, a empresa ainda possui presença modesta no Brasil: são 14 hotéis e 3,4 mil quartos.

“Há praias incríveis no Brasil em áreas com pouca infraestrutura hoteleira. Expandir com hotéis de luxo em centros urbanos e, depois, em resorts é uma grande oportunidade”, afirma Leeny. Segundo ela, há também espaço para crescimento no segmento midscale, com a introdução de marcas como a City Express, voltada ao público de médio padrão.

Nos últimos anos, o grupo tem investido na ampliação de sua equipe local para acelerar sua atuação no país. O segmento de luxo é uma das principais apostas da companhia, que já concentra 10% de seus quartos de luxo operando na América Latina e Caribe — uma proporção superior à representatividade da região no portfólio geral da empresa, de apenas 4%.

Crescimento

A expansão da Marriott no Brasil nesse nicho começou de forma tímida. Até 2022, o único hotel de luxo do grupo era o JW Marriott, no Rio de Janeiro. Desde então, foram inaugurados dois novos empreendimentos em São Paulo: o JW Marriott e o W São Paulo. No pipeline estão o JW Marriott All Inclusive Maraey, o The Ritz-Carlton Reserve Maraey e o W Gramado, somando 258 quartos. Esses projetos também incluem residenciais com 318 apartamentos, parte dos quais pode ser destinada à operação hoteleira, conforme interesse dos proprietários.

A combinação entre hotéis e residenciais tem sido uma ferramenta para viabilizar novos projetos, especialmente diante do alto custo de capital. Enquanto o retorno de um hotel leva cerca de quatro anos, a comercialização de unidades residenciais ou cotas de multipropriedade permite antecipar receitas e reduzir os riscos do investimento.

Leeny avalia que o setor tem apresentado bom desempenho desde a reabertura do turismo pós-pandemia. “Houve um renascimento da demanda por experiências e viagens. Estimamos que o setor de turismo cresça, nos próximos 10 anos, acima da média do PIB (Produto Interno Bruto) global”, afirma.

Desempenho

No primeiro trimestre deste ano, a Marriott registrou lucro de US$ 665 milhões — alta de 18% em relação ao mesmo período de 2024 — e aumento de 4,6% no número líquido de quartos. O pipeline global da companhia alcança 3,8 mil propriedades e mais de 587 mil quartos, 7,4% a mais que no ano anterior. “Isso demonstra a força das nossas mais de 30 marcas em todo o mundo”, reforça a executiva.

Mesmo com esse desempenho, ela destaca que a hotelaria é um setor cíclico e altamente influenciado por fatores locais. “Nosso negócio é local. Os gerentes gerais lidam com situações variadas diariamente, desde obras nas ruas até questões políticas locais. Essa capacidade de adaptação é uma força muitas vezes subestimada”, explica.

A Marriott também tem recorrido a conversões de bandeira para acelerar seu crescimento na América Latina e Caribe. Em 2023, 32% das assinaturas de novos hotéis na região foram feitas por meio de conversões — bem acima dos 15% registrados em 2018.

Sobre possíveis aquisições, a executiva afirma que o grupo tem preferência por aquisições menores, como a City Express, comprada recentemente, e que servem como complemento estratégico. “Fizemos apenas uma grande aquisição na história, a da Starwood em 2016. Mas temos crescido com as chamadas ‘bolt-on acquisitions‘, que adicionam cerca de 5% ao nosso portfólio anualmente”, diz.

Essas aquisições, segundo Leeny, têm foco em marcas e não em ativos imobiliários. “O importante é que essas marcas se tornem globais. Continuaremos abertos a oportunidades, mas nosso crescimento continuará majoritariamente orgânico”, conclui.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Marriott International

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