A estratégia de expansão por franquias e conversões tem ganhado cada vez mais relevância na indústria hoteleira global, especialmente em um cenário de custos elevados de desenvolvimento, volatilidade econômica e condições mais restritivas de financiamento. Esse movimento também está no centro da estratégia da Accor para crescer em mercados estratégicos, como o Brasil, considerado um dos principais países da companhia nas Américas.
Segundo Leire Leoz, CFO (Chief Franchise Officer) da divisão Premium, Midscale & Economy da rede, o país desempenha papel central na estratégia da Accor. “É um mercado com forte potencial de expansão, especialmente por meio de franquias e conversões, que permitem acelerar o crescimento com mais eficiência e menor necessidade de capital”, destaca a executiva, que esteve recentemente no país para participar do GM Meeting, encontro que reúne gerentes gerais da região, além de visitar operações e se reunir com equipes e parceiros.
Segundo ela, o crescimento do modelo de franquias está diretamente ligado à busca de investidores por estruturas mais eficientes e com maior previsibilidade de retorno. De acordo com a Brainy Insights, o mercado de franquias hoteleiras deve praticamente dobrar de tamanho na próxima década, passando de US$ 37 bilhões para US$ 77 bilhões. “Estamos vendo um aumento significativo no interesse de investidores por modelos mais eficientes, com maior previsibilidade de retorno e entrada mais rápida no mercado. O franchising surge como uma alternativa estratégica para mitigar riscos e, ao mesmo tempo, capturar oportunidades de crescimento”, afirma.
Esse cenário também tem levado hotéis independentes a se associarem a grandes grupos globais, em busca de escala, reconhecimento de marca e maior resiliência em ciclos econômicos adversos. “A força das marcas, aliada a uma plataforma global robusta, faz toda a diferença. Nossos modelos de franquia e gestão permitem que investidores adaptem as estruturas dos acordos aos seus objetivos específicos, equilibrando controle, suporte e rentabilidade”, diz Leire.
A executiva ressalta que a Accor tem impulsionado valor ao elevar o potencial de receita dos hotéis, apoiados pelo reconhecimento das marcas e pela consistência na experiência do cliente, além de otimizar custos de distribuição por meio de acordos globais com OTAs.
“Ao mesmo tempo, oferecemos aos parceiros acesso a uma plataforma completa, que inclui distribuição, vendas, tecnologia, iniciativas de ESG e o ALL Accor, nosso programa de fidelidade com mais de 110 milhões de membros, contribuindo diretamente para a performance dos hotéis”, comenta.
Crescimento
Outra tendência observada pela executiva é o envelhecimento do parque hoteleiro em diversos mercados, diante de um consumidor cada vez mais exigente, o que abre espaço para projetos de conversão e reposicionamento de ativos. “A escolha da marca certa pode transformar completamente um ativo, revitalizando a experiência do hóspede e ampliando sua visibilidade. Temos visto esse movimento acontecer em diferentes regiões, com resultados bastante expressivos”, afirma.
Leire também destaca a crescente atuação de operadores terceiros (third-party operators), que vêm ganhando espaço ao conectar proprietários independentes às grandes redes hoteleiras. “Em muitos mercados, vemos o surgimento de operadores locais especializados, que atuam como parceiros estratégicos ao fazer a ponte entre investidores e marcas globais. Esse modelo facilita a entrada no sistema de franquias, preservando a identidade do proprietário enquanto agrega a força e a escala de uma plataforma internacional”, explica.
No Brasil, esse conjunto de fatores, aliado ao alto custo de novos desenvolvimentos, tem impulsionado especialmente o crescimento via conversões, estratégia que já representa uma parcela significativa dos novos projetos da Accor globalmente. Com o atual ambiente econômico, diz a executiva, investidores estão cada vez mais focados em reduzir custos de construção e acelerar o retorno. As conversões, combinadas ao modelo de franquias, mostram-se uma solução eficiente para atender a essa demanda.
Em 2025, a gigante francesa abriu 23 hotéis nas Américas na divisão Premium, Midscale & Economy, sendo 10 no mercado brasileiro e 13 nos demais países da região. No quarto trimestre, a rede ampliou o RevPar na região em 11,7%, com forte contribuição do Brasil. O desempenho foi impulsionado tanto pela demanda corporativa, quanto de lazer. Atualmente, a companhia possui, no Brasil, 234 hotéis econômicos, 76 midscale e 11 premium. No ano passado, o país respondeu por 64% da receita de hospedagem da rede nas Américas.
Hoje, o franchising já representa a maior parte dos contratos assinados pela Accor e se consolidou como um dos principais vetores de crescimento da companhia. “Acreditamos que o sucesso das franquias está diretamente ligado ao alinhamento com os proprietários, combinando conhecimento local com a força de uma plataforma global. Esse equilíbrio é fundamental para gerar valor consistente e sustentável para todos os envolvidos”, reforça Leire.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Accor











