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O que está no radar de CEOs da hotelaria brasileira?

A elaboração do orçamento anual na hotelaria começa muito antes do fechamento do exercício. Em um cenário marcado por mudanças econômicas, transformações no mercado de trabalho e avanço da tecnologia, a definição das estratégias para o próximo ano exige atenção a fatores que podem impactar diretamente o desempenho dos empreendimentos.

Na avaliação de Marcio Lacerda, CEO da Hotelaria Brasil, e Ana Paula Faure, CEO da Hplus, cinco temas já estão no radar das lideranças do setor: juros, inflação, IA (inteligência artificial), mão de obra e expansão. Embora cada um apresente desafios próprios, é unânime a opinião de que todos exigem planejamento, capacidade de adaptação e decisões cada vez mais orientadas por dados.

Os assuntos abordados pelos executivos estarão no centro dos debates durante a programação do Hotel Trends Conference 2026, promovido pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory. O evento reunirá lideranças da hotelaria para discutir cenários, tendências e estratégias voltadas à construção dos orçamentos do próximo ano.

Juros e pressão sobre investimentos

Para Lacerda, a manutenção de juros elevados continua sendo um dos principais fatores de atenção para a hotelaria, sobretudo por se tratar de uma atividade intensiva em capital. “O ambiente de juros elevados sempre representa um desafio para o segmento. Juros mais altos encarecem novos investimentos, aumentam o custo das dívidas, retardam projetos de expansão e reduzem o consumo de parte da demanda corporativa e de lazer”, explica.

Apesar do cenário desafiador, Lacerda destaca que o setor tem a capacidade de reação como vantagem quando comparado a outros segmentos imobiliários. Para o executivo, a resposta das redes hoteleiras às oscilações do mercado é rápida e pode acontecer por meio do ajuste de tarifas e estratégias comerciais.

Pela ótica da Hotelaria Brasil, a resposta para atravessar períodos de turbulência passa por uma gestão baseada em revenue management, controle rigoroso de custos, diversificação do portfólio e modelos operacionais que demandem menor volume de capital próprio. “Não controlamos a taxa de juros, mas controlamos a qualidade da gestão”, afirma o CEO.

Inflação e produtividade

Márcio Lacerda - Hotelaria Brasil - O que está no radar de CEOs da hotelaria brasileira
Lacerda: “O futuro exige gestão mais inteligente”

A inflação também segue pressionando a operação hoteleira. Segundo Lacerda, itens como energia, alimentos e bebidas, lavanderia, amenities, tecnologia, contratos de manutenção e serviços terceirizados registraram aumentos significativos nos últimos períodos, enquanto o repasse integral desses custos para as diárias nem sempre é viável.

O executivo defende que o debate deixou de ser apenas sobre redução de despesas. “O foco precisa ser aumentar produtividade. Um hotel eficiente consegue oferecer uma experiência superior ao hóspede utilizando melhor seus recursos, sem comprometer qualidade”, diz.

A companhia investe em indicadores em tempo real, renegociação constante com fornecedores, compras centralizadas, automação de processos e análise detalhada da produtividade das equipes. Na visão do CEO, IA, automação e análise de dados terão papel cada vez mais relevante na preservação das margens operacionais.

IA como ferramenta estratégica

Quando o assunto é IA, Ana Paula afirma que o assunto deixou de ser tratado como tendência, integrando a estratégia da Hplus. Segundo a executiva, a tecnologia é avaliada como uma aliada para otimizar processos, reduzir tarefas repetitivas e oferecer maior agilidade às equipes, sem substituir o fator humano.

“A ideia não é substituir o olhar humano, que continua sendo essencial na hotelaria, mas oferecer melhores ferramentas para que as equipes tenham mais tempo para se dedicar à experiência do hóspede, à qualidade da operação e à entrega de resultados”, explica.

A executiva afirma ainda que a adoção dessas soluções também favorece a integração entre diferentes áreas da empresa. Para ela, a tecnologia deve atuar como suporte à operação, promovendo ganhos de eficiência sem abrir mão da hospitalidade humanizada.

Expansão e conversões

Mesmo diante de um ambiente econômico desafiador, a Hplus mantém o plano de crescimento. A estratégia está voltada principalmente para cidades secundárias e terciárias com potencial de desenvolvimento, além de regiões impulsionadas por atividades econômicas específicas, como o agronegócio.

Ana Paula Faure - Hplus - O que está no radar de CEOs da hotelaria brasileira
“Valorizar pessoas é fundamental”, afirma Ana Paula

Entre os mercados observados pela empresa, de acordo com a CEO, está Mato Grosso, apontado como um estado que reúne forte circulação corporativa e oportunidades para operações hoteleiras mais estruturadas. Dentro desse movimento, as conversões continuam ocupando posição de destaque.

“Muitos empreendimentos já possuem localização, estrutura e demanda, mas precisam de melhoria de gestão e inteligência comercial. É nesse ponto que a Hplus consegue gerar valor”, salienta Ana Paula.

Para 2026, a expectativa da executiva é de um mercado aquecido, porém mais criterioso na seleção de novos projetos. As prioridades devem ser qualidade operacional e relacionamento com investidores.

Mão de obra

Se há um tema comum às duas lideranças, é a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a valorização dos profissionais e a sustentabilidade operacional diante das discussões sobre novos modelos de jornada de trabalho. Na Hplus, essa mudança já começou, com a eliminação da escala 6×1 para todos os colaboradores desde o fim de 2025. O objetivo é melhorar a qualidade de vida das equipes, fortalecer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e reduzir a rotatividade.

Ao mesmo tempo, ela reconhece que a adoção de modelos como o 5×2 exige uma ampla reorganização operacional. “Não se trata apenas de mudar uma escala, mas de redesenhar processos, ajustar rotinas, preparar lideranças e buscar mais eficiência na operação”, explica.

Lacerda compartilha da avaliação de que a discussão precisa considerar as particularidades da hotelaria, um setor que funciona de forma ininterrupta e depende da disponibilidade de equipes durante todos os dias da semana. Na visão dele, a adoção ampla desse modelo pode favorecer a atração e a retenção de talentos, mas também aumentar a necessidade de mão de obra, elevar os custos operacionais e tornar mais complexa a elaboração das escalas, especialmente em hotéis de menor porte.

“O formato ideal depende do perfil da operação, da sazonalidade, do tamanho do hotel e da demanda de cada mercado”, comenta o CEO.

Para o executivo, independentemente do modelo de jornada adotado, o futuro da hotelaria depende da combinação entre ganhos de produtividade impulsionados pela tecnologia, investimento contínuo na capacitação das equipes e valorização da carreira hoteleira.

Serviço

Hotel Trends Conference

Datas: 2 e 3 de setembro de 2026
Local: Renaissance São Paulo
Endereço: Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista
Horário: de 8h às 18h30 (1º dia) e de 8h às 16h (2º dia)
Informações e ingressos: https://bit.ly/4gLPzy2


O Hotel Trends Conference é uma realização do Hotelier News, em parceria com a Noctua Advisory. Em sua 5ª edição, o encontro tem como patrocinadores o Grupo R1, Accor, Atrio Hotel Management, Best Western Hotels & Resorts, Estancorp, Hplus, Hilton, Hyatt Hotels, Letsbook, Lighthouse, Marriott International, RZK Advogados, TOTVS, Wyndham Hotels & Resorts, Atlantica Hospitality International, Climber RMS, Equipotel, Onfly, STR, Anserve, Duarte Garcia Serra Netto e Terra, Hotéis Deville, IHG Hotels & Resorts, RCI e Realgems.

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(*) Crédito da capa: Magnific

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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