A sucessão no MTur (Ministério do Turismo) entrou no centro das negociações do Planalto desde sexta-feira passada (19), quando Celso Sabino informou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o cargo após a determinação do União Brasil para que filiados saiam de funções no governo.
De lá para cá, a disputa avançou em duas frentes: a possibilidade de continuidade com um nome técnico da própria pasta e a pressão de partidos aliados interessados em assumir a cadeira. Nos bastidores, segundo notícias veiculadas na grande imprensa, um nome ganha força: Ana Carla Machado.
Secretária-executiva do MTur, Ana Carla é apontada como solução de transição por conhecer a agenda da pasta, inclusive a preparação para a COP30, em Belém, em novembro, e por não ser filiada ao União Brasil, o que facilitaria a acomodação para uma possível nova configuração da Esplanada dos Ministérios.

Paralelamente, legendas da base e do entorno do governo federal se movimentam para ocupar o espaço, informa a CNN. O PDT comunicou que quer a cadeira do Turismo no redesenho político após a saída de Sabino, enquanto o PSB também aparece nas conversas como potencial beneficiário de um rearranjo de forças.
No curto prazo, a expectativa no governo federal é concluir a transição após o retorno oficial do presidente de compromissos internacionais e antes de novas agendas de alto impacto no setor, mantendo a pasta operacional.
Adeus MTur
A saída de Sabino reflete o movimento de distanciamento do União Brasil em relação à base governista. A cúpula do partido decidiu reagir às acusações que associaram seu presidente nacional, Antonio Rueda, ao PCC (Primeiro Comando da Capital), denúncias negadas por ele e pela própria legenda. Nesse contexto, a direção exigiu que seus quadros deixassem funções no Executivo.
Vale destacar também que Sabino foi o autor original da proposta PEC 3/2021, popularmente chamada de PEC da Blindagem. A proposta, aprovada em regime de urgência na Câmara de Deputados, na semana passada, teve repercussão muito negativa no país.
Ontem (21), por exemplo, milhares de manifestantes contrários ao projeto foram às ruas em todo o país. Entre outras coisas, o texto aprovado – que agora será votado no Senado –
ampliou as imunidades parlamentares, dificultando prisões e processamentos, e incluiu dispositivo que permite voto secreto nas decisões da Casa para autorizar processamentos.
(*) Crédito da capa: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
(**) Crédito da foto: Roberto Casto/MTur


















