Com uma visão voltada para a inovação tecnológica, Fabio Nahon é fundador e diretor de Atendimento da Pineapples, empresa especializada em short-term rental. Como figura influente no setor, sua missão tem sido trabalhar pontos de modernização dos serviços de hospedagem no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro.
Com formação em Marketing pela extinta Univercidade (Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro), o executivo trabalha com turismo há 13 anos, quando criou a Pineapples. Com a profissionalização ao longo dos anos, Nahon acredita que se moldou por meio de atualização tecnológica, além de acompanhar boas práticas de hospitalidade.
Entrevistado da vez na seção Três perguntas para, Nahon se mantém na liderança da agência de turismo e explica, em suas respostas, o porquê de acreditar que o mercado de aluguel de temporada está aquecido.
Três perguntas para: Fabio Nahon
Hotelier News: São 13 anos atuando na Pineapples. Neste período, quais foram as principais mudanças experienciadas por você no turismo? Quais foram os momentos mais marcantes?
Fabio Nahon: Em 13 anos, muita coisa aconteceu! A maior mudança que posso citar foi a tecnológica. Lembro que comecei de forma totalmente amadora, trabalhando de casa. Meu estoque era o quarto de empregada e fazia toda a lavanderia de lá. Com o tempo, vi a necessidade de me profissionalizar, abrir uma empresa, ter uma sede física com escritório e toda a estrutura adequada. O que mais se destaca é a modernização do setor.
Lembro que fui um dos primeiros a usar um channel manager aqui no Brasil, software que hoje é basicamente obrigatório na área, seja amador ou profissional, aos que desejam ter uma boa performance. Seguindo a evolução, vieram os omnichannels, as automações e os sistemas de precificação por inteligência artificial, aumentando consideravelmente a taxa de ocupação e o faturamento dos imóveis.
Tive a oportunidade de vivenciar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 aqui no Rio. Foram experiências incríveis, não só em relação ao crescimento profissional, mas como os eventos em si.
Como nem tudo são maravilhas, também enfrentei o período de pandemia, algo que a nossa geração nunca tinha vivenciado. O setor do turismo também foi o primeiro a ser impactado e um dos últimos a se recuperar. Imagina acordar de um dia para o outro e receber mais de 300 cancelamentos de reservas, com contas a pagar, funcionários e outros compromissos? Foi desesperador, mas isso mostrou como nosso segmento é forte e hoje estamos aí, com força total e em processo de expansão.
HN: O mercado de aluguel por temporada está bem aquecido no Brasil, mas outros destinos, como Nova York e Barcelona, não enxergam a prática com bons olhos, o que gerou restrições. Pensando nisso, também considerando o cenário nacional, qual sua opinião sobre? Falta, de fato, uma regulação maior para o STR?
FN: O cenário aqui no Brasil é bem diferente de cidades como Nova York e Barcelona, onde além da legislação ser diferente, existem problemas de escassez de apartamentos para aluguel fixo. Na realidade, não falta regulamentação, pois o aluguel por temporada já é regulamentado pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245 de 1991) e amparado pelo Direito de Propriedade em nossa Constituição Federal.
A questão da tributação também já é regulamentada. Ou você tem uma atividade jurídica que é regulamentada e paga seus devidos impostos, ou é pessoa física e paga o IRPF (Imposto de Renda). O fato de algumas pessoas sonegarem impostos não caracteriza que a atividade não seja regulamentada. De qualquer forma, é necessário e já está evidente que teremos, em breve, alguns posicionamentos do Legislativo e do Judiciário em relação a novas interpretações que, ao meu ver, têm sido bem distorcidas.
HN: Para 2025, o que esperar deste mercado? Quais novidades podem surgir? Quais pontos podem evoluir no próximo ano em termos tecnológicos?
FN: O crescimento do setor de turismo está em evidência. Na Pineapples, por exemplo, tivemos um avanço de 30% em relação a 2023 e a expectativa para 2025 é de chegarmos em 50% no mesmo índice, comparando com 2024. O dólar em alta torna a viagem barata para os estrangeiros e as viagens internacionais mais caras para os brasileiros, incentivando o turismo interno.
Em relação à tecnologia, as mudanças são muito dinâmicas. Já temos sistemas de atendimento por inteligência artificial, reservas 100% online, self check in, automatização das fechaduras eletrônicas para liberar a entrada do hóspede devidamente cadastrado e muito mais. A questão não é sobre ela em si, mas sim sobre hospitalidade. É saber equilibrar todos esses recursos com a interação humana para que os clintes sintam-se em casa.
(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal


















