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Três perguntas para: Guilherme Martini

Por Nayara Matteis 24 de julho de 2020

Guilherme Martini - tres perguntas paraMartini chegou na Atlantica em 2017

Uma das cabeças por trás das operações da Atlantica Hotels, Guilherme Martini vem desenvolvendo o desafio de retomar as atividades das unidades em conjunto com a implementação de protocolos de higienização e segurança. É nesse contexto que o Hotelier News conduziu a entrevista para o Três perguntas para.

Amante de rock’n’roll, bike e piloto amador de kart, Martini chegou na rede em 2017 com a missão de suceder Christer Holtze, um dos executivos mais antigos da empresa. O executivo juntou-se ao grupo após uma passagem de oito anos pela Costa do Sauípe, onde desempenhou a função de presidente por cinco anos. Durante o período, contribuiu ativamente para a venda do empreendimento para o Grupo Rio Quente, atual Aviva.

Atualmente, é responsável pela operação dos mais de 130 empreendimentos da Atlantica e pela relação com os investidores das unidades.

Hotelier News: Quais têm sido os principais desafios de implantação dos protocolos de saúde nas unidades da Atlantica?

Guilherme Martini: Antes mesmo de a pandemia do Covid-19 ser decretada, nós da Atlantica nos preocupamos com as medidas que deveriam ser adotadas para a proteção de nossos hóspedes e colaboradores. Para nos guiar nesses tempos incertos, buscamos a consultoria de um infectologista que nos ajudou a definir as medidas mais efetivas para mitigar o risco de propagação da doença dentro do ambiente de nossos hotéis. Mas, entendemos ser importante consolidar essas medidas que foram sendo divulgadas gradativamente em um único protocolo, com medidas obrigatórias para todos os hotéis da rede, além de medidas opcionais de acordo com as amenidades oferecidas pelo empreendimento (piscina, sauna, spa etc).

Esse conjunto de medidas foram submetidas ao InCor, instituição que está desempenhando um papel ativo no combate à Covid-19. Com esta validação, chegamos ao Atlantica Safe & Clean Protocol. Porém, entendíamos que só este esforço não seria suficiente para que nossos clientes (especialmente as grandes empresas) sentirem-se seguros em retomar as viagens para nossos hotéis: era necessário oferecermos uma garantia de que tais medidas estariam sendo aplicadas. Assim, fomos atrás do Bureau Veritas, uma das principais empresas de auditoria de padrões e processos do mundo. Pelo nosso contrato, em um período de 12 meses, cada um de nossos hotéis será auditado no mínimo cinco vezes para termos certeza de que todos os procedimentos estão sendo seguidos.

O grande desafio para que todo este processo funcione na prática é a qualificação da mão de obra dos hotéis. Não temos medido esforços para garantirmos que todos os nossos colaboradores de hotéis estejam devidamente qualificados para lidar com esta situação e para aplicar à risca nosso protocolo. Desde o reforço no treinamento de uso de EPIs a módulos de treinamento específicos para cada tipo de função já são mais de mil horas de treinamento ministrados, tanto presencialmente para os nossos gerentes gerais, que são multiplicadores do conteúdo, como no ambiente virtual, através de nossa plataforma on-line de treinamentos UniAtlantica. Nossa avaliação até aqui é que temos tido muito sucesso na aplicação dessas medidas.

HN:  Como vem sendo a recepção dos hóspedes? Quem parece estar mais preocupado: clientes ou a própria rede (com a aplicação dos protocolos)?

GM: De forma geral, sentimos que tanto os colaboradores dos hotéis quanto os hóspedes têm se preocupado em seguir as medidas de mitigação do contágio da Covid-19. Parte importante do convencimento de nossos colaboradores sobre a importância da aplicação do nosso protocolo Safe & Clean é o argumento de que as medidas são, acima de tudo, para a proteção da vida dos hóspedes e a dos próprios colaboradores e suas famílias. O resultado até aqui tem sido nítido; tivemos até o momento uma estatística de colaboradores contaminados inferior à média da população do país, o que nos indica que as ações de mitigação de contágio no ambiente de trabalho têm se mostrado efetivas. Entre os hóspedes, ainda que tenhamos lidado com casos confirmados da doença (hóspedes que manifestaram sintomas durante a hospedagem), temos tido sucesso na condução desses casos e o evitamento da propagação da doença dentro desses hotéis.

O fato que observamos é que as medidas de contenção de propagação da doença são, sem dúvida, diferentes dos hábitos que todos nós nos acostumamos desde sempre. Assim, não é raro vermos hóspedes que se esquecem de colocar máscaras quando saem de seus carros e vão entrar no lobby do hotel. Tais situações são prontamente corrigidas, com uma abordagem amistosa e conscientizadora. Não temos nenhum caso relatado até o momento de hóspedes que tenham se negado a seguir as medidas obrigatórias em nossos hotéis.

HN:  A Atlantica tem unidades franqueadas. Qual o desafio de gestão para implementação dos protocolos nesses hotéis? Há risco de haver discrepância, visto que os gastos aumentam com as medidas adotadas? Como vocês pretendem garantir essa padronização?

GM: Ainda que o modelo de negócios de franquia seja um modelo em franco crescimento, hoje tal modalidade representa menos de 15% do nosso portfólio de hotéis. De todo modo, a adoção do protocolo Safe & Clean é obrigatória para todos os hotéis da nossa rede, sejam administrados, franqueados, com bandeiras internacionais ou com nossas bandeiras próprias. Todo o esforço de treinamento dos colaboradores têm se dado de forma idêntica nas diferentes modalidades de operação, inclusive o feedback que temos recebido de nossos franqueados é o reconhecimento do valor em fazerem parte de uma grande rede hoteleira em um momento como este. Desenvolver um protocolo como o Atlantica Safe & Clean Protocol não é rápido, nem barato. Assim, sem nenhum custo adicional, nossos hotéis franqueados se beneficiaram de nosso protocolo com as melhores práticas do mercado em termos de higienização e segurança do ambiente hoteleiro.

Com relação aos custos de implementação do novo protocolo, esta sempre foi uma enorme preocupação do time que trabalhou no desenvolvimento do nosso material, pois em um momento de queda abrupta das receitas nos empreendimentos, oferecer um protocolo com medidas caras seria um contrassenso. Podemos afirmar hoje que os custos de aplicação das novas medidas de proteção – com uso mais intensivo de EPIs, barreiras de proteção na recepção, álcool em gel por todo o empreendimento, etc – foram absorvidos pelos nossos hotéis e compensados com economias inerentes a este novo momento, como, por exemplo, com a não arrumação diária dos apartamentos – consequência da medida de evitar a entrada de qualquer pessoa no quarto dos hóspedes durante sua permanência.

(*) Crédito das fotos: Divulgação/Atlantica Hotels