A hotelaria da América Latina e Caribe segue demonstrando resiliência, mesmo diante de um ambiente global marcado por instabilidade geopolítica, desaceleração econômica e pressão sobre a demanda internacional. A avaliação foi apresentada por Emile Gourieux, diretor regional da STR/CoStar Group, durante painel realizado na conferência regional da Wyndham Hotels & Resorts, em Porto Rico.
A apresentação trouxe uma análise aprofundada sobre o desempenho da hotelaria nas principais regiões do continente e mostrou que, apesar do enfraquecimento do crescimento global do turismo, os mercados latino-americanos continuam sustentando resultados positivos em ocupação, diária média e RevPAR — especialmente quando comparados aos Estados Unidos e parte da Europa.
“Embora a incerteza global esteja desacelerando o desempenho hoteleiro em várias partes do mundo, a América Latina tem demonstrado uma grande capacidade de resiliência e, em alguns casos, até se beneficiado desse cenário”, afirmou Gourieux durante sua apresentação.
Segundo os dados apresentados pela STR, o crescimento global da demanda hoteleira desacelerou fortemente nos últimos meses e hoje avança cerca de 1,4% ao ano, reflexo direto das tensões geopolíticas e do ambiente econômico internacional mais pressionado.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a STR projeta crescimento praticamente estagnado de RevPAR para 2026, estimado em apenas 1%, cenário impactado por políticas econômicas internas e pela retração de parte da demanda internacional. Enquanto isso, a América Latina segue apresentando indicadores mais sólidos. A ocupação hoteleira cresce em praticamente todas as regiões do continente, com destaque para a América Central, que registra avanço de 12% em 2026, e o Caribe, que mantém ocupação acima de 75%.
América do Sul
Na América do Sul, embora o crescimento da ocupação esteja mais estável, a região lidera a evolução da diária média, com crescimento superior a 10% em diversos mercados. O Brasil apareceu no estudo como um dos mercados mais resilientes da região. Segundo a STR, o país registrou crescimento moderado, porém consistente, em RevPAR durante o primeiro trimestre de 2026, mantendo estabilidade operacional mesmo diante de um ambiente global mais complexo.
Além disso, Gourieux destacou o fortalecimento contínuo das grandes capitais latino-americanas, especialmente Buenos Aires, Rio de Janeiro e Bogotá, como importantes polos de demanda regional. No caso argentino, o crescimento expressivo do RevPAR chamou atenção, embora fortemente impactado pela inflação local.
Um dos pontos que mais despertaram atenção entre os executivos presentes foi a análise sobre o México. Após viver um ano recorde em 2025, o país iniciou 2026 em ritmo mais lento, principalmente por conta das preocupações relacionadas à segurança e à percepção internacional sobre a violência ligada aos cartéis.
Segundo a STR, os resorts mexicanos foram os mais impactados, enquanto hotéis urbanos continuam mostrando maior resiliência graças ao fortalecimento do turismo corporativo e industrial. Ainda assim, a expectativa é de recuperação parcial impulsionada pela Copa do Mundo de 2026, especialmente em cidades como Cidade do México, Guadalajara e Monterrey.
No Caribe, os números seguem impressionando. Destinos como Bahamas, Curaçao, Aruba e República Dominicana registram crescimento consistente tanto em ocupação quanto em diária média, reforçando o forte momento da região para o turismo internacional. Porto Rico, sede da conferência regional da Wyndham, também foi citado como um dos mercados de destaque, especialmente pelo avanço da ocupação e pelo fortalecimento das tarifas em San Juan, onde as diárias de fim de semana já se aproximam de US$ 380.
Outro ponto relevante abordado durante o painel foi a mudança estrutural no perfil da demanda hoteleira na região. Segundo Gourieux, os hotéis vêm conseguindo sustentar crescimento tarifário acima da inflação na maior parte dos mercados latino-americanos, demonstrando maior maturidade comercial e disciplina de pricing por parte da indústria. “As tarifas continuam crescendo de forma sólida e, na maioria dos destinos, já superam a inflação. Isso mostra um mercado mais preparado para proteger a rentabilidade”, destacou.
Ao encerrar sua apresentação, o executivo reforçou que, apesar das incertezas econômicas globais, o momento da hotelaria latino-americana segue positivo — especialmente para grupos capazes de combinar eficiência operacional, gestão tarifária e adaptação rápida às mudanças de comportamento do consumidor. “Como hoteleiros, precisamos continuar atentos ao controle de custos e ao monitoramento de tarifas, mas, no geral, existem muitos motivos para estarmos otimistas com a região”, concluiu.
*Por Wagner Lima, especial para o Hotelier News
(*) Crédito das fotos: Wagner Lima











