De acordo com dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) de agosto, apurada pela CNC (Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 30% da população está com algum compromisso financeiro em atraso e 12,7% afirma não ter condições de pagar as suas dívidas. Ou seja, são praticamente três a cada 10 consumidores em situação de inadimplência e, desses três, pelo menos um não sabe quando conseguirá arcar com esses compromissos. Este é um recorde da série histórica, iniciado em janeiro de 2010.
Por mais que a inadimplência seja motivo de preocupação, a proporção de famílias endividadas no país apresentou sua segunda queda desde novembro de 2022, atingindo 77,4% das famílias em agosto, o menor nível desde junho de do ano passado. “A queda do endividamento é um sinal positivo de que mais famílias estão conseguindo controlar melhor suas dívidas e ajustar seus orçamentos”, destaca José Roberto Tadros, presidente da CNC. “No entanto, a taxa de juros elevada e o crédito caro ainda são empecilhos à melhoria da situação financeira dos brasileiros”, completa.
A CNC estima que a proporção de consumidores endividados continuará a diminuir nos próximos meses, chegando a cerca de 77% em setembro. No entanto, a previsão é que o endividamento volte a crescer na reta final de 2023, encerrando o ano próximo de 78% do total de famílias no país.
“O aumento da inadimplência acende um sinal de alerta para a economia brasileira como um todo”, aponta Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela Peic. Segundo ela, a inflação em queda e o aumento do emprego formal têm contribuído para melhorar os orçamentos domésticos, reduzindo a necessidade de as pessoas recorrerem ao crédito, mas as altas taxas de juros e o aumento do número de dívidas a vencer continuam a desafiar as famílias brasileiras.
E o setor de serviços, como fica?
No Hotel Trends Orçamentos, evento realizado no dia 21 de agosto pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory, Mauricio Oreng destacou, no painel Macroeconomia: perspectivas para 2024, a desaceleração que o setor de serviços deve sentir no próximo ano.
O superintendente de Pesquisa Macroeconômica do Santander afirmou que, em julho, houve queda de 11% no setor terciário, que inclui Varejo e Serviços. De maneira sintomática, hotéis e demais empreendimentos do segmento devem sentir os reflexos dessa estagnação no próximo ano. Ainda de acordo com o palestrante, em sua fala no Hotel Trends Orçamentos, o RevPar deve sofrer o maior impacto direto da desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto), e altos números de endividamento e inadimplência não melhoram a perspectiva para 2024.
“A desinflação será mais lenta e os juros terão queda gradual. Estes são fatores de um mercado mais inflacionado e que atravessa mudanças macroeconômicas e fiscais, além de situações como Reforma Tributária e o estabelecimento do arcabouço fiscal”, ponderou Oreng durante o evento.
(*) Crédito da foto: Nattanan23/Pixabay


















