O segmento de luxo e alto padrão segue em expansão no Brasil, impulsionado por uma demanda crescente de consumidores que buscam mais espaço, privacidade, exclusividade e serviços personalizados. Ao mesmo tempo, a chegada de novos empreendimentos aumenta a concorrência e exige que hotéis encontrem formas de permanecer relevantes para um hóspede cada vez mais exigente. A avaliação foi feita durante o painel Alto padrão em expansão: o crescimento da oferta sustentará a performance do segmento?, realizado no HTC (Hotel Trends Conference).
Moderado por Renata Cassani, sócia da Noctua Advisory, o debate reuniu Vanessa Martins, country manager da Marriott International; Gabrielle Spindola, diretora geral do Grand Hyatt São Paulo; Armando Ramirez, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Wyndham Hotels; e Pablo Maturana, vice-presidente de Desenvolvimento da Hilton para América Latina e Caribe.
Para Vanessa, o avanço da oferta de alto padrão eleva também a expectativa do mercado. Com mais empreendimentos disputando o mesmo público, a necessidade de inovação e de novas entregas aumenta. A executiva observa que o consumidor dessa categoria procura privacidade, espaço e exclusividade, mas deseja encontrar esses atributos combinados a serviços hoteleiros.

“O bem-estar também ganhou espaço nessa equação. O conceito deixou de ser percebido apenas como uma amenidade e passou a integrar as expectativas do hóspede, tanto em viagens de lazer quanto em hotéis urbanos”, salientou Vanessa.
São Paulo concentra oportunidades
Gabrielle destaca a relevância de São Paulo para o luxo e avalia positivamente a ampliação do calendário de eventos na cidade. Para ela, o movimento representa uma oportunidade para os hotéis, mas também aumenta a necessidade de permanecerem relevantes.
“A experiência precisa ser constantemente renovada e, por conta disso, os empreendimentos devem criar novas histórias e entregas para o hóspede, acompanhando um consumidor que passou a exigir respostas mais rápidas”, explicou.

Outro ponto levantado pela executiva do Grand Hyatt São Paulo é a mudança na percepção de tempo. Ela cita que, o que antes poderia ser resolvido em cinco minutos, hoje, precisa acontecer em um ritmo muito mais acelerado, aumentando a pressão por eficiência e capacidade de resposta.
Por outro lado, a personalização também avançou com essa agilidade. A partir do uso de dados, entregas que antes eram vistas como diferenciais passaram a fazer parte do cotidiano da hotelaria, elevando o patamar de exigência do cliente.
Expansão alcança novos mercados
Para Ramirez, o crescimento do alto padrão no Brasil acompanha a forte demanda pelo segmento. Embora o turismo internacional tenha ampliado sua participação, ele menciona que consumidor brasileiro continua sendo o principal público dessa categoria.
Na avaliação do executivo, o país ainda possui amplo espaço para novos produtos, especialmente fora dos mercados tradicionalmente associados ao luxo. “Locais como Minas Gerais e Goiás aparecem entre os estados com oportunidades, com destaque para empreendimentos voltados ao lazer”, comentou.
No segmento corporativo, porém, Ramirez avalia que ainda existe uma lacuna entre a oferta de produtos de alto padrão e demandas específicas desse público.
Por fim, Maturana também enxerga oportunidades em diferentes regiões brasileiras. Segundo o executivo da Hilton, há boas opções de resorts não apenas em São Paulo, mas em diversas partes do país. Ao mesmo tempo, ele aponta que o Brasil ainda precisa ampliar sua capacidade de atuação no alto padrão para acompanhar o potencial de demanda existente.
O debate mostrou que a expansão da oferta, por si só, não garante a manutenção da performance do segmento. Em um mercado com consumidores mais exigentes, a disputa passa pela capacidade de combinar espaço, privacidade, serviços, bem-estar e personalização, ao mesmo tempo em que os hotéis encontram novas formas de permanecer relevantes diante da crescente concorrência.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News


















