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HTC: escala 5×2 e tributos entram na conta dos hotéis

Durante o HTC (Hotel Trends Conference), a discussão sobre os próximos desafios da hotelaria brasileira passou por temas diretamente ligados à operação e à rentabilidade dos empreendimentos. O painel 2027 chegou: escala 5×2, reforma tributária, custos de distribuição e os desafios práticos da gestão reuniu executivos para debater os impactos dessas mudanças na rotina das empresas e nas estratégias para os próximos anos.

Mediado por Verena Bogéa, head de Operações da Noctua Advisory, o encontro contou com as participações de César Nunes, VP da Hotelaria Brasil; André Sena, diretor Comercial e de Marketing da Accor nas Américas; Flávia Buiati, vice-presidente de Finanças e Jurídico da Atlantica Hospitality International; e Ana Paula Faure, CEO da Hplus Hotelaria.

A conversa começou pelos impactos da implementação da escala 5×2 na hotelaria, tema que vem ganhando espaço nas discussões sobre gestão de pessoas no setor. A Hplus foi uma das empresas a adotar o modelo e, segundo Ana Paula, a decisão partiu da necessidade de reduzir o turnover e, ao mesmo tempo, promover mudanças na estrutura operacional dos hotéis.

“Implementamos a escala 5×2 em 100% dos nossos hotéis desde setembro do ano passado. Nessa operação, hoje temos 44% da nossa equipe na nova escala, e o restante no regime 12×36. Isso resultou em economias importantes, que, por sua vez, garantiram mais contratações na área de Governança”, explicou a executiva.

Apesar dos ganhos já identificados, a redução do turnover ainda não foi observada pela Hplus. De acordo com Ana Paula, é necessário um período maior de acompanhamento para avaliar os efeitos da mudança sobre a retenção de profissionais. “O que entendemos é que o turnover vai reduzir por diversos outros fatores, não só pela escala de trabalho”, afirmou.

Custos da escala 5×2

Ainda sobre a jornada de trabalho, foi a vez de Flávia destacar os desafios relacionados à adoção da escala 5×2 e seus possíveis efeitos sobre os custos de pessoal. Para a executiva, a mudança exige que as empresas avaliem diferentes cenários para preservar a rentabilidade dos empreendimentos. “Na Atlantica, por exemplo, entendemos que isso vai nos gerar cerca de 15% a mais em custo, no pior dos cenários. No mais otimista, esse aumento ficará entre 6% e 8%”, analisou.

Painel escala - Foto_interna
Painel debateu impactos de mudanças na jornada

A discussão sobre a jornada também evidenciou a necessidade de equilibrar mudanças na gestão de equipes com a estrutura financeira dos hotéis. Para as empresas, a adequação da operação passa não apenas pela reorganização das escalas, mas também pela avaliação dos impactos sobre produtividade, contratação e custos.

Na sequência, o painel avançou para outro tema com potencial de alterar as estratégias financeiras do setor: a reforma tributária. Flávia afirmou que a mudança terá impactos distintos entre os diferentes agentes da cadeia turística e destacou a necessidade de planejamento durante o período de transição.

“O impacto é diferente para cada um dos atores da cadeia turística. A reforma começou e tem um período de transição muito longo, exigindo que nós, enquanto indústria, tenhamos conversas mais próximas para definir estratégias”, acrescentou Flávia.

Reforma tributária e distribuição

Complementando a discussão, Sena avaliou que a hotelaria terá de considerar os efeitos do aumento de custos em suas estratégias comerciais. Segundo o executivo, o setor precisará encontrar formas de absorver ou repassar esses impactos ao consumidor, sempre levando em conta o posicionamento e a estratégia de cada empresa. “É preciso ter uma estratégia de longo prazo, para que lá na frente consigamos reverter esse momento desafiador”, salientou.

Os efeitos da reforma tributária também foram relacionados às estratégias de distribuição hoteleira. Nunes citou o modelo de comissionamento das OTAs, como a Booking.com, que recentemente elevou as comissões a serem pagas por hotéis, e avaliou que as mudanças no sistema de tributação podem aumentar a complexidade da gestão desses canais.

“Trata-se de uma OTA que é comissionada em cima do valor pago pelo cliente. Então, com esse novo sistema de tributação, teremos um comissionamento sobre o valor da diária e também do valor final, pago pelo hóspede. É um grande desafio”, pontuou Sena.

Para Nunes, a discussão sobre os custos de distribuição também abre espaço para que redes e administradoras reforcem suas estratégias de venda direta, buscando maior eficiência na relação com o hóspede e na geração de receita. “Ao mesmo tempo, esse canal não vai simplesmente crescer. Isso só vai acontecer por meio do aumento da eficiência”, completou.

A combinação entre mudanças trabalhistas, reforma tributária e custos de distribuição coloca a gestão hoteleira diante de decisões que ultrapassam a operação cotidiana. Durante o painel do HTC, os executivos reforçaram que as empresas precisarão acompanhar os impactos financeiros de cada mudança, revisar processos e desenvolver estratégias de longo prazo para preservar a eficiência e a rentabilidade dos negócios.

Mais do que tratar cada tema de forma isolada, a discussão mostrou como pessoas, tributação, distribuição e custos estão diretamente conectados à gestão dos hotéis. Para a hotelaria brasileira, a capacidade de adaptar a operação e melhorar a eficiência dos diferentes canais será um dos pontos centrais para enfrentar os desafios dos próximos anos.

(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News

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