O modelo all-inclusive vem ganhando espaço entre os resorts brasileiros, mas a expansão exige mais do que a inclusão de alimentação e serviços no valor da diária. Abrindo a programação da tarde no primeiro dia de HTC (Hotel Trends Conference), executivos discutiram como experiências, controle de custos e diversificação de receitas podem determinar a rentabilidade desse formato de operação.
O painel A revolução all-inclusive: insights globais de experiências que transformarão o consumo e a rentabilidade dos resorts no Brasil foi moderado por Pedro Cypriano, sócio da Noctua Advisory, e reuniu Antonio Fungairino, vice-presidente regional de Desenvolvimento da Hyatt Hotels para Caribe e América do Sul; Danubia Silva, diretora de Controladoria da Amarante; e Flávio Monteiro, diretor de Vendas e Marketing do Transamerica Comandatuba Resort (BA).

Além da diária
Segundo Fungairino, a estratégia da Hyatt para o all-inclusive combina ocupação elevada com a manutenção dos principais indicadores de desempenho. Dentro desse modelo, a companhia também busca ampliar as receitas geradas durante a estadia.
De acordo com o executivo, a Hyatt consegue obter cerca de 20% em receitas adicionais além das reservas nos produtos all-inclusive. Entre as fontes estão spa, serviços de concierge e restaurantes.
“A lógica passa por ampliar o consumo do hóspede sem depender exclusivamente da diária. A experiência oferecida dentro do resort ganha peso na geração de receitas complementares e na percepção de valor do produto”, explicou.
Migrar exige controle
Para Danubia, a transição do modelo tradicional de resort para o all-inclusive envolve uma série de mudanças operacionais. Embora seja possível trabalhar com uma diária maior, a estrutura de custos também se torna mais robusta.

“Os empreendimentos voltados às famílias ajudam a trazer maior previsibilidade aos resultados. Ao mesmo tempo, há espaço para produtos direcionados ao público adulto”, diz. Segundo a executiva, atualmente, cerca de 60% dos produtos da Amarante possuem modalidades específicas para esse público, embora a empresa ainda não opere empreendimentos exclusivamente adultos.
Outro ponto destacado foi a evolução da gestão de custos. Até 2025, parte das decisões era tomada com pouca base em dados e maior dependência de percepções internas. A mudança para uma construção de números com participação das equipes e da base operacional trouxe ganhos para a companhia.
“Nossa estratégia é transformar esse controle em percepção de valor para o hóspede, equilibrando custos e entrega”, pontuou a diretora.
Experiência precisa ir além
Monteiro lembrou que o Transamerica Comandatuba Resort adotou o modelo all-inclusive há oito anos como parte de uma estratégia para reposicionar o empreendimento e recolocá-lo no radar do mercado de resorts.

Desde então, a operação passou a exigir acompanhamento constante dos custos e maior precisão na entrega dos serviços. Para o executivo, a eficiência depende de uma engenharia cuidadosa desde a concepção do produto.
“Monteiro também defendeu que os resorts desenvolvam experiências para além do all-inclusive. “Temos o setor de cruzeiros como referência nesse sentido, já que os players ampliam a oferta de atividades e serviços além do que foi contratado no pacote, criando novas possibilidades de consumo durante a viagem”, salientou.
Na avaliação do executivo, o principal desafio é encontrar um equilíbrio em que o hotel consiga controlar seus custos sem comprometer a experiência percebida pelo cliente.
Em comum, os participantes apontaram que a evolução do all-inclusive passa por uma operação mais eficiente, novas fontes de receita e maior atenção aos dados. O modelo ganha força, mas seu potencial de rentabilidade depende cada vez mais da capacidade de entregar valor ao hóspede enquanto mantém controle sobre a complexidade operacional.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News


















