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Hotel Trends Conference tem início com olhar no longo prazo

Começou, na manhã de hoje (2), no Renaissance São Paulo, o Hotel Trends Conference 2026. Promovido pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory, o encontro deve reunir cerca de 400 participantes, incluindo executivos, investidores e especialistas para discutir os principais desafios e oportunidades da hotelaria brasileira. O HTC segue até amanhã (3) em formato híbrido.

Peter Kutuchian, CEO e fundador do Hotelier News, abriu o encontro agradecendo a presença dos hoteleiros independentes e citando a importância de uma hotelaria mais humana. “Eu não poderia deixar de falar de pessoas. Elas fazem a hotelaria e a indústria de hospitalidade é a que mais apoia o ser e, por isso, precisamos acolher e olhar às pessoas”, elucidou.

Em seguida, Pedro Cypriano, sócio da Noctua Advisory, comentou sobre a satisfação de receber os principais players do setor, somando cerca de 30 patrocinadores que acreditam na hotelaria nacional. “O Brasil vem em perspectiva de melhora e temos muito potencial. Ao longo desta quarta-feira, olharemos além do curto prazo, analisando dados e vislumbrando o futuro”, disse.

Já Vinicius Medeiros, editor-chefe do Hotelier News, menciona as 200 empresas representadas durante o Hotel Trends Conference para exemplificar a importância dele na agenda do setor. “São redes hoteleiras, hotéis independentes, proprietários de hotéis, operadoras, associações, bancos de fomento e investimento. A hotelaria conta com um ecossistema vasto e o queremos ajudá-lo com muito conteúdo e informação”, pontua.

A cerimônia contou ainda com Vanessa Martins, gerente geral do Renaissance São Paulo, que parabenizou os organizadores do Hotel Trends Conference. “Acho um feito enorme reunir tantos hoteleiros em uma simples quarta-feira em São Paulo”, complementou.

Em sua 5ª edição, o evento, conhecimento anteriormente como Hotel Trends Orçamentos, ampliou sua programação para dois dias e incorporou uma agenda dedicada ao desenvolvimento de novos negócios. Ao longo dos debates, temas como cenário econômico, investimentos, tecnologia, operação, distribuição, lazer e perspectivas para 2027 estarão no centro das discussões.

Investir ou esperar?

A primeira palestra do Hotel Trends Conference 2026 trouxe uma leitura sobre o ambiente econômico brasileiro e os fatores que devem influenciar as decisões empresariais nos próximos anos. A apresentação ficou por conta de Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.

Segundo o executivo, não há, atualmente, nenhuma economia em ritmo elevado de crescimento, e o Brasil também deve atravessar um período de arrefecimento nos próximos anos. Apesar do cenário desafiador, o economista avaliou que o país não está em recessão.

Entre os principais pontos de atenção está a taxa básica de juros. De acordo com Dietze, a Selic em 13% representa o segundo maior ciclo da história brasileira em duração, com quase dois anos acima nesse patamar. Na avaliação dele, o nível elevado reduz a atratividade dos investimentos, uma vez que o retorno dos projetos muitas vezes não compensa os custos.

“A projeção da FecomercioSP para a Selic em 2026 é de 13,75%. Isso indica que o país deverá conviver com juros elevados pelos próximos anos. O cenário também afeta a demanda, especialmente diante da pressão combinada de apostas, carga tributária e juros sobre a renda das famílias. Por outro lado, existem alguns sinais positivos. O uso do cartão de crédito cresceu 15% no último ano, movimento considerado favorável para a hotelaria e o turismo de forma geral”, afirmou.

hotel trends - conference - guilherme dietze - fecomerciosp
“Pensar a longo prazo é o ideal no Brasil”, diz Dietze

Analisando a categoria de Alojamento de forma geral, Dietze cita que 2025 foi considerado um ano positivo nos principais indicadores. Para 2026, a projeção apresentada é de crescimento real de 2%, já descontada a inflação, com faturamento estimado em R$ 67,5 bilhões. O resultado, segundo ele, pode ser considerado satisfatório diante do cenário econômico brasileiro, reforçando a resiliência do setor.

“Investir ou esperar, então? Acredito que três fatores são centrais e devem ser considerados pelos empresários: histórico de ciclos de alta e baixa da economia brasileira, formas de financiamento disponíveis e capacidade de geração de caixa dos negócios, além da incorporação de IA (inteligência artificial) aos processos operacionais e produtivos. Fato é que desafios sempre aparecem no Brasil, mas minha reflexão é que não podemos pensar no curto prazo. Se esperarmos uma notícia boa para investir, não sairemos do zero”, comentou.

Para o especialista, o país mantém potencial de consumo e demanda no horizonte de longo prazo, o que sustenta uma visão positiva para turismo e hotelaria.

Pensamento a curto e longo prazo

Após a apresentação, em bate-papo com Cypriano, Dietze aprofundou a análise sobre os possíveis cenários para 2027. Questionado sobre os chamados outliers da economia brasileira, o economista destaca o turismo como um dos setores que mais despertam atenção. Segundo ele, destinos ampliam investimentos em promoção, mas a falta de mão de obra para atender ao crescimento da demanda permanece como um obstáculo.

Ele também chama atenção para fatores externos que podem afetar a economia, como eventos climáticos. Em termos regionais, Dietze enxerga o Nordeste como uma das áreas mais observadas atualmente, apesar de desafios relacionados à segurança e à malha aérea.

Sobre o impacto do endividamento das famílias, o economista avaliou que a questão pesa mais sobre o consumidor médio e afeta diretamente sua capacidade de compra. No segmento de luxo, porém, a perspectiva é mais positiva, com continuidade do crescimento, impulsionado pelo perfil rentista da economia brasileira.

Em relação às eleições, Dietze afirmou que uma eventual mudança no cenário político não altera a lógica orçamentária das empresas, que já trabalham com planejamento para 2027. O principal ponto de preocupação, segundo ele, está na sustentabilidade do modelo econômico brasileiro e no aumento da conta pública, fatores que reduzem o espaço para um crescimento superior a 2%. “Olho com otimismo para o longo prazo e pessimismo para o curto prazo”, concluiu.

(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News

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