A busca por novas fontes de receita e maior eficiência operacional está ganhando espaço na estratégia dos resorts. Mais do que ampliar o faturamento, o desafio envolve entender quais indicadores realmente importam, melhorar a governança e identificar oportunidades ao longo de toda a jornada do hóspede. O tema foi discutido no painel Os resorts estão deixando dinheiro na mesa? Novas receitas e eficiência operacional para impulsionar resultados, realizado durante o HTC (Hotel Trends Conference).
O debate foi moderado por Renata Cassani, sócia da Noctua Advisory e os executivos que contribuíram com o assunto foram Alessandro Cunha, CEO da Aviva, e Fred Godim, CFO do Grupo Tauá de Hotéis. Para Cunha, governança não deve ser associada apenas a reuniões de conselho, burocracia ou elaboração de atas. Na avaliação do executivo, ela funciona como a base de um sistema de gestão orientado à eficiência.
“A Aviva atua com um modelo de gestão que estabelece indicadores de performance e eficiência. Isso permite acompanhar resultados e cobrar eficiência das equipes, além de contribuir para dar mais agilidade ao atendimento ao cliente”, comentou o CEO.

Ao mesmo tempo, o executivo chamou atenção para o excesso de indicadores disponível atualmente. O desafio, segundo ele, passou da medição a identificação de quais números realmente funcionam como alavancas para o negócio.
A análise combina os resultados passados com decisões para o futuro. No presente, porém, o rastreamento das necessidades precisa ser mais rápido, permitindo ajustes e ações de governança em menor intervalo de tempo.
Eficiência também passa por pessoas
A gestão de mão de obra temporária também entrou no debate. “Os profissionais temporários têm menos vivência da marca, mas esse modelo é importante para preservar a saúde financeira dos empreendimentos”, reconheceu o CEO da Aviva. “Contudo, uma alternativa para evitar a quebra de padrão é manter uma base fixa de temporários acompanhada por treinamentos”, ponderou.
A estratégia da companhia também inclui a diversificação das receitas. Segundo Cunha, a receita com extras, ou seja, ganhos com produtos alternativos, já representa 30% do indicador total da companhia, com experiências complementares entre as frentes capazes de ampliar as oportunidades de consumo.
O uso de dados tende a aprofundar esse movimento, permitindo maior personalização das ofertas e identificação de novas possibilidades de receita.
Indicador precisa virar estratégia
Durante a conversa, Godim também destacou a importância de analisar indicadores para a gestão, mas comentou que o problema não está necessariamente na quantidade de métricas utilizadas. Sendo assim, o ponto central é estruturar os indicadores e definir quais são realmente prioritários para o negócio.
“No Grupo Tauá, o acompanhamento passa por três pilares principais: cultura, satisfação do cliente e KPIs hoteleiros, como ocupação, RevPAR e diária média. A integração entre as áreas também é fundamental para evitar que as medidas de eficiência prejudiquem a operação”, disse o CFO da rede mineira.

Para o executivo, o senso de trabalho em equipe ajuda a preservar a experiência do hóspede enquanto os resultados são acompanhados.
Oportunidades além da operação
A geração de receitas complementares exige ainda atenção ao momento certo de apresentar produtos e serviços adicionais. Godim defendeu que o processo de conscientização das equipes deve considerar tanto a jornada do hóspede quanto a forma de abordagem.
A oportunidade, portanto, não está apenas em oferecer mais produtos, mas em entender quando e como cada oferta pode fazer sentido para o cliente. “Ao olhar para 2027, acredito que a operação continuará sendo central para os resultados, mas que existe espaço para buscar ganhos em outras etapas da cadeia”, pontuou o CFO.
Para Cunha, a mudança na escala de trabalho é um dos exemplos de como a equação dos hotéis pode mudar a partir do próximo ano com a entrada de novos custos. Por isso, o executivo recomendou cautela na construção dos orçamentos para 2027.
Os resorts ainda têm espaço para ampliar receitas e ganhos de eficiência, mas esse movimento depende de uma visão mais ampla do negócio. O caminho começa sendo trilhado com governança, indicadores, cultura, dados e compreensão da jornada do hóspede. Essas, de acordo com os analistas, são peças centrais na transformação de oportunidades em resultados.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News


















