Fechando a programação do HTC (Hotel Trends Conference), o painel Onde está o valor escondido dos ativos hoteleiros e quem melhor performa A visão dos asset managers e dos investidores profissionais reuniu diferentes perspectivas sobre desempenho, investimentos e estratégias para geração de valor na hotelaria.
A conversa foi mediada por Pedro Cypriano, fundador e CEO da Noctua Advisory, e contou com as participações de Gustavo Moura, VP sênior de Asset Management do BHG (Brazilian Hospitality Group); Caio Adelfo, diretor executivo de Real Estate do BTG Pactual Asset Management; e Abel Castro, CDO da Accor Américas.
Na abertura do debate, Cypriano questionou os participantes sobre suas percepções a respeito do momento atual do mercado hoteleiro e dos principais fatores que vêm influenciando a performance dos ativos. Ao responder, Adelfo afirmou que o BTG Pactual continua investindo no setor, mas observou uma mudança no comportamento dos resultados ao longo deste ano.
“Hoje, nem todo empreendimento consegue manter um crescimento de dois dígitos. Há três anos, era mais fácil projetar um cenário de forte alta, mas agora o ambiente está mais desafiador”, afirmou o executivo. Segundo Adelfo, um dos critérios considerados pelo BTG Pactual em suas decisões de investimento é a proximidade das praças. A estratégia permite acompanhar mais de perto a operação e a performance dos ativos, identificando mudanças e oportunidades com maior agilidade.
Desempenho da hotelaria
Ao abordar as particularidades do mercado brasileiro, Castro destacou a diferença de comportamento entre as praças e os diferentes segmentos da hotelaria. Para o executivo, essa diversidade exige uma análise mais específica dos resultados de cada empreendimento e mercado.
“No acumulado deste ano, nossos hotéis econômicos avançaram 6% em RevPAR, enquanto os midscale cresceram 9%. Já no segmento premium, a diária média aumentou cerca de 13% na comparação com o ano passado. Isso mostra que estamos conseguindo vender melhor”, afirmou.

De acordo com Castro, as estratégias de Revenue Management foram um dos principais fatores por trás do desempenho dos hotéis da companhia no Brasil. A gestão das receitas contribuiu para melhorar a performance dos empreendimentos durante o período analisado.
Moura complementou a avaliação ao afirmar que a leitura sobre o mercado precisa considerar um ambiente mais complexo. Segundo ele, a desaceleração observada na hotelaria durante o segundo trimestre e uma performance abaixo das expectativas no início do terceiro trimestre aumentaram a preocupação entre os operadores e investidores. “Há muitos fatores combinados influenciando a demanda, e essa combinação, por si só, gera um impacto maior”, ressaltou.
O executivo também citou o cenário macroeconômico como um dos elementos que tornam o momento mais desafiador para a hotelaria. A avaliação ganha relevância diante do processo de elaboração dos orçamentos para o próximo ano, já que parte dessas condições pode permanecer no mercado.
“Estamos pensando no orçamento para o ano que vem e talvez esses fatores ainda estejam presentes. Mas não podemos ficar paralisados diante disso. Precisamos identificar onde estão as oportunidades e trabalhar para aproveitá-las”, afirmou Moura.
Para ele, a diversidade de mercados e perfis de empreendimentos exige um acompanhamento mais detalhado da performance. Nesse processo, as equipes comerciais e de Revenue Management ganham importância na definição de estratégias adequadas às características de cada hotel.
“Na minha visão, quando acompanhamos esse trabalho com frequência, conseguimos identificar oportunidades e aproveitá-las de maneira mais assertiva”, analisou.
Renovações e investimentos nos ativos hoteleiros
Outro ponto discutido no painel foi o papel dos investimentos em reformas e renovações de hotéis para melhorar a performance dos ativos. O tema está diretamente relacionado à necessidade de manter os empreendimentos competitivos e potencializar os resultados obtidos a partir da operação.
Adelfo afirmou que, nos ativos acompanhados pelo BTG, os investimentos realizados tiveram impacto positivo sobre a receita de hospedagem, com alta de 35%. “É preciso oferecer um bom hardware para quem tem um bom software. Para nós, o Capex é uma importante ferramenta de lucratividade, mas isso só funciona quando existe uma boa estratégia por trás. Caso contrário, o dinheiro é desperdiçado”, destacou.
A relação entre investimento físico, gestão e resultado também foi abordada por Castro. Na visão do executivo, as renovações realizadas pela Accor estão diretamente relacionadas à performance dos hotéis, mas os aportes precisam estar associados a uma estratégia clara. “É necessário ter estratégia. Sem isso, o resultado não vem”, afirmou.
A discussão mostrou que o investimento em um ativo hoteleiro não deve ser analisado apenas pelo volume de recursos destinados a uma reforma, mas também pela capacidade de transformar esse aporte em desempenho operacional. Para os participantes, a gestão do empreendimento e a definição de prioridades são elementos fundamentais nesse processo.
Adelfo reforçou que a lógica por trás das decisões de investimento é a busca pela maximização dos resultados. O desafio, segundo ele, está justamente em definir quais estratégias e iniciativas têm maior potencial para produzir esse efeito.
“Na nossa visão, o objetivo é sempre maximizar o resultado. A grande questão é entender como fazer isso da melhor maneira possível”, concluiu.
Gestão como fator de geração de valor
Ao longo do painel, as discussões sobre desempenho, Revenue Management, investimentos e condições de mercado convergiram para um ponto central: a geração de valor nos ativos hoteleiros depende de uma combinação entre estratégia, acompanhamento próximo e capacidade de adaptação.
A análise dos participantes também reforçou que não existe uma única fórmula para melhorar a performance. As características de cada praça, o posicionamento do empreendimento, a atuação das equipes comerciais e de Revenue Management e a decisão sobre onde direcionar investimentos são fatores que precisam ser avaliados de forma integrada.
Com diferentes visões sobre o mercado, o painel encerrou a programação do HTC destacando justamente o papel da gestão profissional na identificação de oportunidades e na busca por melhores resultados. Para asset managers e investidores, acompanhar de perto a operação e entender onde estão os pontos de geração de valor se torna parte fundamental da estratégia para melhorar a performance dos ativos hoteleiros.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News


















