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Hotelaria avança em maio com foco na rentabilidade

A hotelaria brasileira manteve trajetória positiva em maio e registrou avanço nos três principais indicadores de desempenho. O InFOHB, levantamento produzido pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), baseado em uma amostra de 570 hotéis de redes associadas, mostra que a taxa de ocupação cresceu 1,6% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto a diária média aumentou 5,4%. Como consequência, o RevPAR avançou 7,1%.

Mais do que a evolução dos indicadores, os dados revelam um mercado que continua encontrando espaço para elevar preços sem comprometer significativamente a demanda. Embora o aumento da ocupação tenha sido relativamente modesto, a valorização das tarifas foi suficiente para impulsionar a rentabilidade dos empreendimentos, sinalizando um ambiente de consumo ainda favorável para as redes hoteleiras.

Esse cenário sugere que o setor atravessa uma fase de maior equilíbrio entre oferta e demanda. Em vez de depender exclusivamente do aumento do fluxo de hóspedes, os hotéis conseguem ampliar as receitas por meio de uma estratégia de precificação mais eficiente, considerada mais sustentável para a rentabilidade do negócio.

Recorte regional

O Sul apresentou o melhor desempenho entre as regiões brasileiras em maio. A taxa de ocupação cresceu 4,2%, a diária média avançou 5,7% e o RevPAR saltou 10,1%, refletindo a combinação entre maior demanda e valorização das tarifas.

O Sudeste, que concentra a maior oferta hoteleira do levantamento, também manteve resultados consistentes. A ocupação subiu 1,5%, a diária média aumentou 5,4% e o RevPAR registrou alta de 7%, em linha com a média nacional.

No Centro-Oeste, os hotéis elevaram a ocupação em 1,9%, reajustaram as diárias em 4,9% e encerraram maio com crescimento de 6,9% no RevPAR, demonstrando evolução equilibrada dos indicadores.

O Nordeste apresentou o comportamento mais heterogêneo. Foi a única região a registrar queda na taxa de ocupação (-1,7%), mas compensou parcialmente esse movimento com o maior aumento da diária média do país (+7,5%). Com isso, o RevPAR ainda cresceu 5,7%, evidenciando que a estratégia de precificação mitigou o impacto da menor demanda.

Já o Norte teve o desempenho mais discreto entre as regiões. Embora a ocupação tenha avançado 0,9%, a diária média recuou 0,8%, fazendo com que o RevPAR praticamente se mantivesse estável, com leve alta de apenas 0,1%. O resultado sugere menor capacidade de repasse tarifário em comparação às demais regiões.

Hotéis econômicos seguem puxando o mercado

A análise por categoria revela comportamentos distintos entre os segmentos da hotelaria. Os hotéis econômicos continuam liderando a expansão da demanda, com alta de 2,6% na ocupação e de 8% no RevPAR. O segmento midscale também apresentou desempenho sólido, registrando crescimento de 1,2% na ocupação e de 8,4% na receita por apartamento disponível.

Já os hotéis upscale vivem um cenário diferente. Apesar de elevarem a diária média em 4,4%, registraram queda de 0,7% na ocupação. Ainda assim, o RevPAR cresceu 3,7%, mostrando que o aumento das tarifas compensou parcialmente a redução no volume de hóspedes.

Hotelaria - Categorias

Os números indicam que o consumidor permanece mais sensível às tarifas dos empreendimentos de alto padrão, enquanto as categorias econômica e intermediária continuam concentrando a maior parte da expansão da demanda.

Porto Alegre lidera recuperação entre as capitais

Entre os principais destinos monitorados pelo FOHB, Porto Alegre apresentou o desempenho mais expressivo do mês. A capital gaúcha registrou crescimento de 13,2% na ocupação, aumento de 16,6% na diária média e um salto de 32% no RevPAR.

O resultado reforça a recuperação do mercado local após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Além da retomada da demanda reprimida, a cidade voltou a receber eventos corporativos e ampliou o fluxo de negócios, fatores que vêm sustentando esse movimento.

Outro destaque foi Goiânia, com alta de 12,3% na ocupação, avanço de 11,8% na diária média e crescimento de 25,5% no RevPAR, consolidando-se entre os mercados de melhor desempenho do país.

Salvador, Vitória e Manaus também registraram avanços expressivos na receita hoteleira. Na outra ponta, Recife e Fortaleza apresentaram retração tanto na ocupação quanto no RevPAR, enquanto Belém foi o único município a registrar queda simultânea nos três indicadores — ocupação, diária média e receita por apartamento disponível —, configurando o desempenho mais fraco entre as cidades analisadas.

Acumulado do ano reforça tendência positiva

Os resultados de janeiro a maio confirmam que o bom desempenho observado em maio não representa um movimento isolado. No acumulado do ano, a hotelaria brasileira registra alta de 1,2% na ocupação, avanço de 6,2% na diária média e crescimento de 7,5% no RevPAR.

Mais uma vez, o comportamento das tarifas chama atenção. O aumento da diária média supera com folga a evolução da ocupação, indicando que a recuperação da rentabilidade continua sendo sustentada principalmente pela capacidade das redes de agregar valor às hospedagens, e não apenas pelo crescimento da demanda.

Hotelaria - Acumulado

Os números mostram que, apesar das diferenças entre mercados e segmentos, a hotelaria brasileira segue em um ciclo de expansão sustentado por maior disciplina tarifária e receitas mais robustas. Caso a demanda permaneça aquecida nos próximos meses, a tendência é que o setor continue priorizando a rentabilidade em vez de buscar ganhos de ocupação a qualquer custo.

O desempenho também evidencia que o foco da hotelaria deixou de ser apenas recuperar os níveis de ocupação observados antes da pandemia. Com tarifas em trajetória de valorização e crescimento consistente do RevPAR, o setor dá sinais de que entrou em uma nova fase, na qual eficiência comercial e gestão de receita ganham protagonismo como principais motores dos resultados.

(*) Crédito da foto: Arquivo HN

(**) Crédito dos infográficos: Divulgação/InFOHB

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