A hotelaria é um setor que exige um contato direto e constante com os hóspedes, e dentro desse cenário, o entretenimento se destaca como um dos departamentos que mais demanda interação interpessoal. No entanto, a diferença geracional dentro das equipes de entretenimento tem criado desafios e oportunidades para gestores que precisam adaptar suas estratégias de liderança para lidar com profissionais de idades distintas.
Atualmente, encontramos em um mesmo time animadores com idades que variam de 18 a 50 anos, o que exige uma gestão diferenciada para cada grupo. Essa diversidade pode ser enriquecedora, mas também desafia os líderes a desenvolverem novas formas de treinamento e motivação.
O impacto das diferenças geracionais no entretenimento
Os profissionais mais jovens, especialmente aqueles da geração Z (18 a 25 anos), demonstram maior dificuldade em estabelecer contato visual com os hóspedes, chamá-los para atividades e se colocar como centro das atenções. A necessidade de vestir fantasias, interagir de maneira extrovertida e espontânea pode ser um desafio para esses animadores, que cresceram em um ambiente digital onde a comunicação muitas vezes ocorre de maneira indireta e mediada por telas.
Por outro lado, os profissionais mais experientes têm maior facilidade para iniciar conversas, criar conexões instantâneas e manter uma comunicação fluida e natural.
Acostumados a uma era onde a tecnologia não mediava todas as interações sociais, eles possuem habilidades interpessoais desenvolvidas ao longo da vida, tornando o contato direto com o cliente algo natural e espontâneo.
Essa diferença se torna ainda mais evidente no pós-pandemia, quando a tecnologia se consolidou como parte essencial do dia a dia, tornando a interação digital mais confortável para as gerações mais novas e, ao mesmo tempo, destacando a necessidade de treinamentos específicos para aprimorar a comunicação presencial.
A evolução da gestão no entretenimento hoteleiro
Até alguns anos atrás, habilidades como comunicação, proatividade e abordagem interpessoal eram pré-requisitos básicos para ingressar no setor de entretenimento.
Hoje, essas competências precisam ser ensinadas e desenvolvidas dentro das próprias equipes. O gestor passa a ter um papel mais educativo, treinando os novos profissionais para lidar com situações que antes eram dominadas de maneira instintiva pelos mais velhos.
Além disso, há um desafio adicional: os profissionais mais jovens nem sempre demonstram interesse em crescer dentro da empresa ou assumir mais responsabilidades. Essa questão não está apenas ligada a questões salariais, mas também a uma mudança na forma como essa geração enxerga trabalho, saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Esse cenário exige que o setor de entretenimento hoteleiro se adapte a novas formas de motivação e retenção de talentos.
Estratégias para integrar diferentes gerações
Diante desses desafios, algumas estratégias podem ser implementadas para garantir uma equipe integrada e eficiente:
- Treinamento personalizado: oferecer treinamentos específicos para diferentes perfis etários, respeitando as dificuldades e habilidades de cada geração.
- Grupos de trabalho multigeracionais: criar times que misturem profissionais de diferentes idades, permitindo que cada um contribua com suas forças e aprenda com as diferenças.
- Desenvolvimento de novos líderes: oferecer pequenas responsabilidades aos mais jovens, incentivando o crescimento profissional e mostrando que assumir liderança pode ser algo positivo e recompensador.
- Valorização do debate e da criatividade: promover reuniões onde as ideias possam ser discutidas entre as diferentes gerações, incentivando a troca de conhecimento e a inovação.
- Feedback estruturado: sempre fornecer retornos sobre as sugestões e iniciativas dos colaboradores, reconhecendo boas ideias e explicando as razões para a não implementação de outras, quando necessário.
Conclusão
A diversidade geracional dentro das equipes de entretenimento não é um problema, mas sim uma oportunidade para evoluir e aprimorar os métodos de gestão na hotelaria. Os mais experientes precisam estar abertos a novas ideias e abordagens, enquanto os mais jovens devem compreender e valorizar as técnicas e estratégias que já provaram sua eficácia ao longo do tempo.
Com uma abordagem equilibrada e estratégias bem definidas, é possível transformar essas diferenças em um diferencial competitivo, criando equipes mais coesas, eficientes e preparadas para oferecer uma experiência excepcional aos hóspedes. A adaptação às novas gerações não é uma opção, mas sim uma necessidade para garantir a renovação e o sucesso do setor hoteleiro no futuro.
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Lucas Casiraghi Viesti, 29 anos é formado em Educação Física pelo Centro Universitário de Barra Mansa (RJ), possui MBA em Liderança Estratégica pela Universidade Anhembi Morumbi e tem 14 anos de experiência no mercado de Entretenimento. Sua trajetória também conta com 11 anos de atuação na hotelaria sendo nove na internacional, tendo visitado 41 países. Atualmente ocupa o cargo de gerente de Entretenimento do GAV Porto Alto Resort em Muro Alto (PE).
(*) Crédito da foto: Arquivo Pessoal












