Para os viajantes, a escolha entre o short-term rental ou um hotel ainda não é totalmente definida e tudo pode mudar na próxima estada. Em 2024, a proliferação da oferta de aluguéis de curta duração, aliada ao aumento da visibilidade dessas acomodações em grandes OTAs (agências de viagens online), transformaram o alternativo em uma opção, muitas vezes, mais viável para o consumidor.
Dados da Lighthouse mostram que, embora os hóspedes estejam menos hesitantes em reservar uma acomodação de short-term rental para suas próximas férias, este tipo de hospedagem apresenta movimentos únicos quando o setor é analisado mais de perto. Para anfitriões de aluguéis de curta duração, por exemplo, vale entender as últimas tendências de viagens no e-commerce é crucial para se manter à frente e se preparar para a incerteza que um novo ano traz.
Do ponto de vista da oferta, em 2024, o número de unidades listadas atingiu máximas históricas em todas as principais regiões (Europa, América do Norte, Ásia, América Latina e Oceania). A Europa liderou com mais de 9 milhões de unidades vendidas durante o verão passado, mas esses saltos não estão isentos de desafios.
A América do Norte ocupa um forte segundo lugar com mais de 4,5 milhões de unidades disponíveis online em outubro de 2024, mostrando crescimento consistente ao longo do último ano. A Ásia, América Latina e Oceania apresentam taxas de crescimento e contagem de propriedades muito mais modestas. Na segunda macro região citada, por exemplo, aspectos positivos como volume de reservas crescendo — em alguns casos mais de 100% ante níveis de 2019 — deixam um panorama muito otimista para 2025.
Apesar das tendências promissoras na oferta, existem alguns obstáculos, especialmente na forma de legislações contra o short-term rental e um crescente sentimento “anti-turistas” em alguns destinos que têm sido historicamente afetados pelo overtourism. Mesmo assim, estima-se que a indústria global de aluguéis de curta duração alcançará US$ 172 bilhões até 2030, com todos os sinais apontando para um crescimento adicional da oferta em 2025.

Distribuição do inventário em OTAs
Em 2023, no primeiro ano em que este quesito foi abordado pela Lighthouse nesta pesquisa, 33% dos empreendimentos de short-term rental estavam listados em várias OTAs principais. Em termos de preferência por canais, 57% do inventário estava listado exclusivamente no Airbnb, enquanto apenas 6% estavam presentes exclusivamente no Vrbo (subsidiária da Expedia) e 3% no Booking.com.
No entanto, ao analisar os dados dos aluguéis no final de 2024, algumas tendências surpreenderam. Primeiro, o número global de aluguéis listados em mais de uma OTA caiu para apenas 28,8%, indicando que os gerentes preferem listar em apenas uma plataforma.
Além disso, a porcentagem dos aluguéis listados exclusivamente no Airbnb caiu para 45,95%, enquanto o Vrbo também viu uma queda para 3,34%. O maior destaque foi o Booking.com, que viu sua participação saltar para 13,6%.

Tendências
Em relação às tendências em diária média e duração da estada, o estudo mostra que 2024 foi um ano excepcional para os preços praticados nas reservas. O desempenho semanal das diárias médias foi superior a anos anteriores na maioria das semanas. A duração das estadas permanece alinhada com o desempenho observado em 2022 e 2023.
A porcentagem de viajantes domésticos utilizando aluguéis continua caindo, no entanto, países como os EUA ainda veem 84% dos viajantes vindo do mercado interno. É fundamental que os operadores entendam essa dinâmica para ajustar suas estratégias.
Previsões para 2025
Os gerentes dos empreendimentos de short-term rental continuarão participando das principais OTAs, preferindo canais que oferecem reservas constantes, capilaridade e fácil distribuição. Espera-se que tanto a oferta, quanto a demanda em ambos sentidos aumentem neste ano. As plataformas também continuarão elevando o número de listagens nas buscas por hotéis.
Os operadores também darão continuidade aos processos de melhorias em termos de tecnologias de distribuição, visando maximizar a ocupação durante períodos de baixa demanda. À medida que as perspectivas entre hotéis e aluguéis tomam rumos diferentes, entender o mecanismo das OTAs pode ser crucial ambos.
Por fim, o cenário dos aluguéis de curta temporada continuará fragmentado em comparação ao espaço hoteleiro, muito pelas diferenças entre cada unidade. No entanto, ainda existem grandes oportunidades para proprietários adotarem soluções que ajudem a reduzir atritos nas reservas e aumentar a visibilidade em múltiplos canais.

(*) Crédito da foto: Freepik


















