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Slaviero hospitalidade

Três perguntas para: Rúben Leme

Entre caminhadas na praia para desacelerar, partidas de tênis e momentos no stand up paddle, Rúben Leme construiu uma trajetória profissional marcada pela atenção aos detalhes e busca por experiências autênticas no setor hoteleiro. Formado em Hotelaria pelas Faculdades Integradas Hebraico Brasileira Renascença, o executivo acumula passagens por empreendimentos como L’Hotel PortoBay, Campo Bahia Hotel Villas Spa e Fera Palace Hotel.

Agora à frente do Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, no vilarejo de Baixio (BA), Leme aposta em uma hospitalidade conectada ao território, onde natureza, cultura local e acolhimento ganham papel central na experiência do hóspede.

Em seu retorno ao Três perguntas para, o profissional fala sobre excelência em hotéis boutique, valorização da identidade regional e construção de vivências que vão além do discurso de posicionamento.

Três perguntas para: Rúben Leme

Hotelier News: O Ponta de Inhambupe está inserido em um destino onde natureza, cultura e ritmo de vida têm forte identidade. Como transformar esses elementos em parte real da experiência do hóspede, e não apenas em discurso de posicionamento?

Rúben Leme: Mais do que comunicar um destino, o desafio é traduzir a sua essência em experiência concreta. Natureza, cultura e ritmo de vida só deixam de ser discurso quando passam a orientar decisões reais do dia a dia, da curadoria de experiências à forma como servimos um café da manhã.

No Ponta de Inhambupe, buscamos fazer com que a natureza não seja apenas contemplada, mas vivida. Que a cultura não esteja restrita à estética, e sim presente nas relações. E que o ritmo local não seja apenas mais lento, mas mais consciente. Isso se traduz em pequenos gestos, no tempo respeitado do serviço, na presença de pessoas e saberes locais, e na forma como o hóspede é convidado a desacelerar sem perder intensidade.

No fim, a experiência verdadeira nasce da coerência. Quando o que se comunica está alinhado com o que se entrega, o destino deixa de ser um conceito e passa a ser algo que o hóspede sente e leva consigo.

HN: Quando se fala em excelência de serviço em um hotel boutique, o conceito parece ir além da cordialidade. O que excelência significa, na prática, para a sua atuação à frente do hotel?

RL: Durante toda a minha trajetória como gerente geral, sempre foquei em três pilares: pessoas, serviço e atenção aos detalhes. Acredito que a excelência começa no olhar individual. Chamar um hóspede pelo nome, compreender suas preferências e antecipar suas necessidades não é um diferencial, é o ponto de partida.

Em um hotel boutique, excelência vai além da cordialidade. Está na capacidade de criar uma experiência genuinamente personalizada, onde cada interação é pensada, mas nunca artificial. É o equilíbrio entre proximidade e discrição, entre presença e sutileza. Nesse contexto, o sorriso e a cordialidade do baiano serão fundamentais, pois traduzem de forma autêntica o espírito de acolhimento que queremos oferecer.

No Ponta de Inhambupe, esse é o meu início. Construir uma operação onde o cuidado é percebido nos pequenos gestos, onde a equipe está conectada com o propósito do hotel e onde o hóspede se sente não apenas bem recebido, mas verdadeiramente reconhecido.

Para mim, excelência é quando o serviço deixa de ser notado como um esforço e passa a ser sentido como algo natural e fluido.

HN: A valorização da cultura local é um dos pilares da sua proposta de gestão. Como isso pode aparecer concretamente na experiência do hóspede — gastronomia, atendimento, decoração, vivências ou programação?

RL: A valorização da cultura local só faz sentido quando deixa de ser um conceito e passa a orientar escolhas práticas do dia a dia. No hotel, isso aparece de forma transversal, em diferentes pontos da experiência.

Na gastronomia, estamos promovendo uma revisão de cardápio com foco na valorização de frutas e produtos da região, respeitando a sazonalidade e trazendo uma leitura contemporânea desses ingredientes. É uma forma de conectar o hóspede ao lugar também pelo paladar.

No atendimento, o acolhimento ganha uma dimensão muito própria, onde o sorriso e a cordialidade do baiano não são apenas um traço cultural, mas parte essencial da experiência.

Na ambientação, buscamos elementos que carreguem identidade com autenticidade, como as peças da artesã Cris Coco, que trazem textura, história e conexão com o local, sem excessos e com coerência estética.

E, principalmente, nas vivências, abrimos espaço para conexões reais com pessoas, histórias e saberes locais, de forma leve e natural, sem a rigidez de uma programação engessada. No fim, a cultura local se revela nos detalhes e na consistência. Quando ela está presente de forma verdadeira, o hóspede não apenas observa, ele sente e se conecta.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Slaviero Hotéis