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Viajantes estão dispostos a pagar por IA como assistente de viagens

Os viajantes ao redor do mundo estão recorrendo cada vez mais à IA (Inteligência Artificial) generativa, e mais da metade deles afirma que estaria disposta a pagar por um assistente digital, revela o Phocuswire. Um amplo estudo realizado pela Amadeus revelou que 64% dos consumidores globais desembolsariam quantias por um agente capaz de fornecer informações durante a viagem — e 17% aceitariam investir até 5% do valor total do roteiro.

O levantamento, intitulado Connected Journeys: How Technology Will Transform Travel in the Next Decade, ouviu 9,5 mil viajantes da China, França, Índia, Singapura, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. O objetivo foi analisar o papel das novas tecnologias na transformação das indústrias de turismo e hospitalidade.

De acordo com Mike Coletta, gerente sênior de Pesquisa e Inovação da Phocuswright, a disposição dos viajantes em pagar pelo serviço revela o potencial de monetização da IA. “Se os assistentes de IA seguirem o mesmo modelo econômico da internet, financiados por quem gasta mais em anúncios ou paga maiores comissões, a promessa de uma ferramenta imparcial, que encontra as melhores opções para cada viajante, não será cumprida”, destaca.

“Mas, se os viajantes estiverem dispostos a pagar pelo serviço diretamente, como fazemos com o celular, esses assistentes poderão atuar de forma neutra, abalando a lógica atual da distribuição de viagens”, completa.

Outros insights

Apesar do interesse, a tecnologia ainda gera frustrações. Um quarto dos entrevistados relatou ter recebido informações incorretas ou desatualizadas ao usar a IA, enquanto outro quarto afirmou que a ferramenta não conseguiu compreender suas preferências pessoais.

“O rápido crescimento do uso da IA generativa mostra que os viajantes estão ávidos por experiências mais inteligentes e personalizadas. Mas os dados também trazem um recado claro: as expectativas são altas, e a indústria precisa trabalhar em conjunto para atendê-las”, afirma Decius Valmorbida, presidente de Viagens da Amadeus.

Na mesma linha, Francisco Pérez-Lozao Rüter, presidente de Hospitalidade da Amadeus, reforçou que as demandas dos viajantes representam um “chamado à ação”. “Desde a reserva da estadia ideal até a condução da viagem em si, hiperpersonalização e precisão em tempo real deixaram de ser opcionais: são expectativas básicas”, ressalta.

Entre os principais benefícios apontados pelos viajantes estão economia significativa de tempo (42%), recomendações altamente personalizadas (37%) e descoberta de novos destinos (36%). Cerca de 35% disseram ainda que a tecnologia os fez se sentir mais confiantes em suas decisões de viagem.

Outro dado relevante é que 90% dos passageiros de avião relatam algum tipo de ansiedade durante a jornada. Por isso, soluções tecnológicas que ofereçam conveniência e tranquilidade ganham cada vez mais espaço — entre elas, o check-in remoto de bagagens (66%) e portais biométricos (69%).

Uso da IA no Brasil

No Brasil, a tendência identificada pelo estudo da Amadeus também encontra terreno fértil. A combinação entre maior digitalização do setor de turismo e o crescimento do uso de ferramentas de IA tem transformado a forma como viajantes planejam e vivenciam suas jornadas. Plataformas de reservas, companhias aéreas e redes hoteleiras locais já testam soluções que vão desde chatbots com respostas mais assertivas até assistentes virtuais capazes de personalizar ofertas em tempo real.

Com um mercado turístico cada vez mais competitivo, o interesse dos brasileiros em serviços de IA que tragam conveniência e segurança pode se tornar um diferencial. Dados apontam para uma demanda crescente por experiências customizadas, especialmente entre as gerações mais jovens, que valorizam tanto praticidade quanto inovação tecnológica.

Outro fator que favorece a adoção dessas soluções no país é o alto índice de conectividade móvel. O Brasil está entre os maiores mercados de smartphones do mundo, o que amplia o alcance de aplicativos de viagem baseados em IA. Para destinos turísticos e empresas do setor, investir nessas ferramentas significa não apenas melhorar a experiência do cliente, mas também abrir novas frentes de monetização e fidelização.

Além disso, o potencial de redução de ansiedade durante a viagem, apontado pelo estudo global, é particularmente relevante no contexto brasileiro, onde a malha aérea enfrenta desafios e imprevistos são comuns. Tecnologias como check-in remoto de bagagem e portais biométricos, já em implementação em alguns aeroportos nacionais, podem se beneficiar de uma integração mais profunda com sistemas de IA, oferecendo ao viajante local mais confiança, comodidade e controle em todas as etapas do percurso.

(*) Crédito da foto: Freepik

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