O Expedia Group encerrou 2025 com crescimento de dois dígitos em receita e reservas brutas, em um momento em que a inteligência artificial deixa de ser apenas aposta estratégica e passa a ocupar o centro da operação. Durante teleconferência com analistas, a CEO Ariane Gorin afirmou que a companhia vem ampliando sua atuação em um ambiente moldado por novas ferramentas de busca e navegação baseadas em IA. As informações são do Phocuswire.
“À medida que a IA de última geração transforma a maneira como os viajantes descobrem viagens, novas oportunidades de crescimento se abrem para nós. Estamos trabalhando com todas as principais plataformas para atender à demanda dos viajantes, garantindo que nossas marcas apareçam com destaque nas buscas feitas por IA e funcionem de forma eficaz com navegadores interativos”, disse a CEO.
Segundo a executiva, embora o volume originado por essas integrações ainda seja reduzido, o aprendizado é estratégico. “E embora o volume ainda seja pequeno, cada integração adicional nos fornece dados e aprendizados sobre como melhor atender nossas marcas e como os comportamentos do consumidor estão evoluindo.”
Para Ariane, o movimento vai além da simples presença em novas interfaces digitais. Trata-se de compreender como a tecnologia redefine o início da jornada do viajante e, a partir daí, ajustar produtos, canais e estratégia comercial. Ainda assim, ela reforçou que a “maior oportunidade a longo prazo” está no engajamento direto: dois terços das reservas já são feitas por viajantes que começam o planejamento dentro do ecossistema da companhia.
“Essas reservas diretas estão crescendo mais rápido do que as reservas por meio de canais indiretos”, disse a executiva.
Questionada sobre eventuais impactos das iniciativas de IA do Google no tráfego da empresa, a CEO afirmou que o grupo “não está observando mudanças significativas no momento”.
“Estamos trabalhando em estreita colaboração com o Google e outras empresas, à medida que elas adaptam suas interfaces”, disse ela, citando testes com otimização de mecanismos de busca, integrações nativas e navegadores com agentes. “A busca por IA abre ainda mais possibilidades para alcançar mais viajantes e, como há mais contexto nessas buscas, temos a oportunidade de segmentar melhor e, à medida que trazemos esses viajantes para o nosso ecossistema, converter melhor.”
Sobre a aquisição da Tiqets, a executiva indicou que a operação terá impacto tanto no B2B quanto no B2C. “Acreditamos que seja uma proposta de valor excelente poder expandir o que oferecemos no mercado B2B, mas obviamente… a experiência deles terá um impacto no mercado B2C”, disse ela.
Resultados financeiros
Os números acompanharam o discurso estratégico. No quarto trimestre, a receita avançou 11% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 3,5 bilhões. No mesmo período, as reservas brutas cresceram 11%, somando US$ 27 bilhões. No acumulado do ano, tanto a receita quanto as reservas registraram alta de 8%.
O volume de diárias reservadas aumentou 9%, atingindo 94 milhões no quarto trimestre. De acordo com Scott Schenkel, diretor financeiro do grupo, o desempenho refletiu a “força contínua nos EUA e à aceleração sequencial na EMEA, onde o segmento B2C registrou mais uma vez seu crescimento mais rápido em quase três anos”. Já em outras regiões, o avanço perdeu ritmo diante de questões geopolíticas na Ásia.
O segmento B2B manteve trajetória mais acelerada. Segundo Ariane, tanto o B2B quanto a publicidade “tiveram trimestres excelentes”. As reservas brutas B2B cresceram 24%, totalizando US$ 8,7 bilhões no quarto trimestre, com expansão de dois dígitos em todas as regiões. No B2C, as reservas somaram US$ 18,3 bilhões, alta de 5% na comparação anual.
No campo da rentabilidade, o lucro líquido ajustado avançou 52%, enquanto o lucro líquido GAAP recuou 31% no trimestre. O EBITDA ajustado cresceu 32%, atingindo US$ 848 milhões. As despesas diretas com vendas e marketing chegaram a US$ 1,7 bilhão, aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ao comentar a estratégia de marketing, Ariane destacou o uso crescente de inteligência artificial para aprimorar campanhas e segmentação. Segundo ela, o grupo vem “adotando uma abordagem mais disciplinada e orientada por dados para o nosso marketing”, ancorando as decisões em insights sobre comportamento do consumidor.
Em dezembro do ano passado, a OTA anunciou a contratação de Xavier Amatriain como seu primeiro diretor de IA e Dados, reforçando sua estratégia para consolidar a tecnologia no centro das operações.
Com crescimento consistente e aposta declarada em IA, o Expedia Group sinaliza que vê na tecnologia não apenas eficiência operacional, mas uma alavanca estrutural para capturar demanda em um mercado de viagens cada vez mais mediado por algoritmos.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Expedia Group











