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Uso de dados pela OpenAI acende alerta na hotelaria

A atualização da política de privacidade da OpenAI reacendeu debates sobre publicidade, uso de dados e impactos regulatórios da IA (inteligência artificial) no setor de viagens. As mudanças, implementadas nos EUA em abril deste ano, passaram a permitir o compartilhamento de identificadores de usuários com parceiros de marketing, além da utilização de dados de compra fornecidos por anunciantes para personalização de conteúdo e anúncios fora da plataforma.

Segundo artigo publicado no Phocuswire, a alteração marca um novo posicionamento do ChatGPT, que passa a atuar também como plataforma de mídia e publicidade digital, aproximando-se de modelos já utilizados por empresas de busca e metabuscadores de viagens, como Google, Kayak e Skyscanner.

Segundo informações divulgadas pela revista Wired, a configuração de privacidade voltada ao marketing está ativada por padrão para usuários gratuitos nos EUA, enquanto contas pagas permanecem com a opção desabilitada.

O movimento já começa a chamar atenção de empresas ligadas ao turismo e hotelaria, principalmente por possíveis impactos na distribuição digital e nas estratégias de mídia. Isso porque buscas realizadas dentro do ChatGPT podem passar a considerar conteúdos patrocinados ou acordos comerciais nas recomendações apresentadas aos usuários.

Para especialistas do setor, o cenário cria uma nova frente de atenção para marcas de viagens, hotéis e plataformas de reservas, que precisarão acompanhar a evolução desse novo ambiente de aquisição de clientes. O mercado já observa o surgimento de estratégias voltadas ao chamado GEO (Generative Engine Optimization), conceito relacionado à otimização de presença em ferramentas de IA generativa.

Outros pontos de impacto

Além da publicidade, outras mudanças recentes na política da OpenAI também ampliaram discussões regulatórias. Entre elas, estão recursos de sincronização de contatos, mecanismos de estimativa de idade dos usuários e novos períodos de retenção de dados descritos explicitamente nos documentos da companhia.

As alterações também abrangem produtos como o navegador Atlas, o Sora 2 e o recurso Saved Memories. Na Europa, a empresa passou a operar uma política separada, em linha com as exigências regulatórias mais rígidas da região.

No segmento de viagens, especialistas alertam ainda para desafios relacionados à proteção de dados e responsabilidade jurídica no uso de IA. Um dos pontos envolve empresas que utilizam a tecnologia para reescrever descrições de hotéis, gerar resumos automáticos ou inferir atributos de produtos turísticos.

Cresce a preocupação sobre quem assume a responsabilidade em casos de informações incorretas geradas por IA, especialmente diante das regras previstas no GDPR europeu e em legislações ligadas à proteção do consumidor.

Legislação

Outro tema em debate envolve a entrada em vigor da Lei de IA da UE (União Europeia), prevista para agosto de 2026. Aplicações relacionadas à precificação de seguros, análise de crédito e prevenção a fraudes podem ser classificadas como sistemas de alto risco, exigindo documentação e controles específicos.

Questões relacionadas à discriminação algorítmica também avançam na pauta regulatória internacional. Nos EUA, estados como Colorado já implementaram legislações voltadas ao monitoramento de decisões automatizadas, enquanto novas regras seguem em discussão na Califórnia.

O avanço das investigações conduzidas por autoridades regulatórias europeias sobre práticas de tratamento de dados da OpenAI também permanece no radar do mercado. Entre os órgãos que acompanham o caso, estão a DPC da Irlanda, a Garante italiana e a CNIL francesa.

Para empresas de turismo e hotelaria que utilizam IA em operações, atendimento ou estratégias comerciais, o movimento reforça a necessidade de revisão de contratos, políticas de dados e práticas de compliance diante da rápida evolução regulatória do setor.

(*) Crédito da foto: Unsplash

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