A Onfly projeta movimentar R$ 760 milhões em reservas de hospedagem em 2026, avanço de 70% na comparação com o ano anterior. A expectativa da travel tech é encerrar o período com cerca de 2 milhões de diárias transacionadas, em um movimento que amplia o peso da hotelaria dentro de sua operação de viagens corporativas.
Segundo a empresa, esse volume coloca a plataforma entre os três maiores clientes corporativos das principais redes hoteleiras do Brasil. Mais do que o crescimento das reservas, porém, a estratégia da Onfly passa pela ampliação da conexão direta com hotéis e redes, buscando reduzir intermediários e estreitar a relação comercial com os fornecedores.
Atualmente, 60% das vendas de hospedagens realizadas pela Onfly já passam pelo canal direto. Para sustentar a estratégia, a companhia também reforçou sua equipe de Sourcing, com profissionais dedicados ao relacionamento, negociação e integração tecnológica com redes e hotéis independentes em diferentes regiões do país.
Canal direto ganha espaço
A operação hoteleira da Onfly é apoiada por um OBT (Online Booking Tool) proprietário, que conecta canais diretos e indiretos para selecionar as opções disponibilizadas aos clientes corporativos. O avanço da distribuição direta acrescenta uma nova camada à discussão sobre canais de venda na hotelaria. Para os hotéis, sobretudo em um mercado corporativo de grande volume, a conexão direta pode representar maior proximidade com a origem da demanda e mais controle sobre a distribuição.
“Não é possível construir uma área de Sourcing eficiente sem se relacionar de verdade com nossos hotéis parceiros, e relacionamento genuíno é um fator humano que nenhuma tecnologia consegue substituir”, afirma Lucas Botelho, head de Sourcing de Hotéis da Onfly.
Segundo o executivo, a estrutura dedicada à hotelaria busca combinar tecnologia e relacionamento comercial. “O time de Sourcing da Onfly dedicado à hotelaria foi construído para criar laços verdadeiros, gerando mais negócios e rentabilidade para ambas as partes, maior controle de distribuição e mais velocidade na resolução de problemas, tornando toda a operação mais eficiente para quem mais importa: nosso cliente final”.
Viagens corporativas sustentam demanda
A expansão da operação hoteleira acontece em um momento de crescimento das viagens corporativas no Brasil. Levantamento da FecomercioSP, em conjunto com a Alagev (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas), aponta que o segmento movimentou R$ 102 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 5,8% frente ao mesmo período de 2025.
Somente em junho, os gastos com viagens corporativas chegaram a R$ 17,3 bilhões, estabelecendo um recorde para o mês. O desempenho ajuda a dimensionar o mercado no qual a Onfly pretende ampliar sua participação em hospedagem e, ao mesmo tempo, reforça a importância do segmento corporativo para a geração de demanda hoteleira.
A estratégia de aumentar a participação das conexões diretas, entretanto, não significa abandonar os intermediários. De acordo com Botelho, os brokers continuam fazendo parte do modelo de distribuição. “Eles continuam sendo uma opção, principalmente, para dar acesso a pequenos negócios e ampliar alcance. Quando conectamos o hotel diretamente à nossa plataforma, não estamos tentando substituir os canais indiretos que o hotel já utiliza, mas sim oferecendo uma rota de distribuição mais rentável, com prazos claros e controle do cliente final para a hotelaria”, destaca o executivo.
A projeção de R$ 760 milhões em hotelaria não representa apenas uma expansão de volume para a Onfly. O crescimento também evidencia a disputa por eficiência na distribuição das reservas corporativas, em um ambiente no qual tecnologia, acesso ao inventário e relacionamento direto com os hotéis passam a ocupar espaço cada vez maior nas estratégias das plataformas de viagens.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Onfly

















