InícioNEGÓCIOSShort-term RentalAirbnb mira US$ 1 bi com novas fontes de receita
Evento FOHB
Slaviero hospitalidade
Banner Bee2Pay

Airbnb mira US$ 1 bi com novas fontes de receita

O Airbnb vem ampliando as fronteiras de seu modelo de negócios. Depois de avançar em Serviços e Experiências e aumentar sua presença no segmento de hotéis, a plataforma agora identifica novas oportunidades de monetização do ecossistema de anfitriões — movimento que pode adicionar receitas sem depender exclusivamente do crescimento das reservas de hospedagem.

De acordo com o Phocuswire, Brian Chesky, CEO e cofundador do Airbnb, afirmou que a expansão de categorias e o avanço internacional estão entre os principais vetores de crescimento da companhia. Durante a Conferência de Comunicação e Tecnologia da Goldman Sachs, realizada nesta semana, o executivo indicou que novos segmentos devem ganhar espaço progressivamente dentro da plataforma.

“Vocês verão muita expansão vertical e, a cada mês, um aumento no lançamento de novos segmentos. Essa é a principal prioridade: expansão de categorias”, afirmou.

A estratégia aponta para um Airbnb cada vez menos concentrado apenas na intermediação de acomodações. Além da diversificação da oferta ao viajante, a empresa enxerga no próprio lado da oferta — especialmente nos anfitriões — uma oportunidade para ampliar receitas e margens.

Airbnb vê US$ 1 bi em potencial de novas receitas

Segundo Chesky, a oferta de serviços aos anfitriões pode representar uma das principais oportunidades de monetização do Airbnb. O executivo comparou a estratégia ao modelo adotado por marketplaces como Amazon, Alibaba e Etsy, que desenvolveram diferentes fontes de receita a partir de seus vendedores.

“Se você pensar na Amazon, no Alibaba, no Etsy, em muitos desses marketplaces, eles ficam com uma margem enorme do lado da oferta. Acho que existem muitos serviços diferentes que podemos vender para os anfitriões”, disse.

Entre as possibilidades está a publicidade. Chesky classificou os anúncios patrocinados como um caminho “óbvio” para a companhia e estimou que a iniciativa poderia representar US$ 1 bilhão em receita incremental de alta margem, considerando experiências adotadas por outras empresas.

A movimentação ocorre enquanto outros players do setor também exploram esse modelo. Recentemente, o Vrbo lançou anúncios patrocinados como parte de uma atualização mais ampla de seus produtos.

Chesky citou ainda o seguro viagem do Airbnb entre as iniciativas que ampliam as possibilidades de geração de receita da plataforma.

Diversificação amplia disputa no mercado de viagens

Para o setor de hospedagem, a estratégia reforça uma transformação importante no posicionamento das grandes plataformas digitais. Ao combinar acomodações, hotéis, experiências, serviços e novas ferramentas destinadas aos fornecedores, o Airbnb busca ampliar sua participação em diferentes etapas da jornada de viagem.

Essa diversificação também aumenta as possibilidades de monetização para além das taxas diretamente relacionadas às reservas. No modelo apresentado por Chesky, a relação comercial com os anfitriões passa a representar uma frente adicional de crescimento.

Paralelamente, a expansão internacional permanece como outro pilar da estratégia da companhia. Segundo o CEO, tanto o avanço geográfico quanto a entrada em novas categorias são fundamentais para sustentar o crescimento do Airbnb.

IA ainda não transformou a jornada do consumidor

Outro ponto abordado por Chesky foi o papel da inteligência artificial. Embora otimista em relação ao potencial da tecnologia, o executivo avalia que seus efeitos ainda são mais perceptíveis no ambiente corporativo e financeiro do que na rotina dos consumidores.

“Se pensarmos no consumidor, praticamente não houve mudanças na vida cotidiana nos últimos quatro anos. A IA não mudou o mundo, nem de perto”, afirmou. “Ela mudou a forma como as empresas fazem negócios. Mudou a forma como os investidores investem.”

Na avaliação do executivo, grande parte do valor da IA para o consumidor ainda está por ser criada. Chesky acredita que essa transformação pode ganhar força nos próximos 18 a 24 meses.

Para Chesky, essa evolução também deverá levar a inteligência artificial para além dos grandes modelos de linguagem baseados principalmente em texto. Recursos de geração de vídeos e imagens e modelos multimodais devem ganhar protagonismo conforme essas tecnologias avancem.

“A maior revolução será a geração de vídeo, a geração de fotos e os modelos de mundo multimodais. Acredito que, quando essas coisas convergirem, no futuro não estaremos mais digitando, mas sim conversando com computadores”, projetou.

Airbnb testa nova interface com inteligência artificial

Dentro dessa transformação, o Airbnb trabalha em uma experiência de IA mais visual e conversacional, diferente do formato tradicional de chatbot. Chesky também defendeu uma inteligência artificial mais “colaborativa”, característica que, em sua avaliação, ainda não está incorporada adequadamente às soluções destinadas aos consumidores. “Esse talvez seja o maior defeito da IA voltada para o consumidor atualmente”, avaliou.

A companhia já testa uma interface baseada nessa proposta, embora o projeto ainda esteja em estágio piloto e não tenha lançamento confirmado. “Ainda não desenvolvemos isso. Estamos em fase piloto. Não sei se seremos nós que vamos implementar, mas acredito que é para aí que a IA vai caminhar. Será algo muito, muito rico, muito, muito visual”, concluiu Chesky.

A combinação dessas frentes mostra que o próximo ciclo do Airbnb pode ser marcado menos pela expansão isolada do inventário e mais pela ampliação do ecossistema em torno da viagem. Serviços, publicidade, novas categorias e inteligência artificial aparecem, assim, como peças de uma estratégia para aumentar tanto as possibilidades de uso da plataforma quanto as fontes de receita da companhia.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Airbnb

Grupo R1
Realgems amenities