No balanço referente ao terceiro trimestre de 2026, a Booking Holdings registrou lucro líquido ajustado de US$ 3,5 bilhões, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado cresceu 9%, alcançando US$ 4,6 bilhões, além de 345 milhões de diárias comercializadas, representando crescimento de 7% na comparação anual. As reservas brutas somaram US$ 54,5 bilhões, com avanço de 10%. Os dados foram apresentados durante a teleconferência de resultados do período e publicados pela Phocuswire.
A venda de passagens aéreas também apresentou aceleração, com 21 milhões de bilhetes comercializados, crescimento de 19% em relação ao terceiro trimestre de 2025, ante alta de 4% no trimestre anterior. Já as transações de viagens conectadas, que envolvem a reserva de diferentes componentes de uma mesma viagem, cresceram quase 20%.
A receita ajustada avançou 9%, para US$ 9,8 bilhões. Contudo, o resultado reportado foi de US$ 8,9 bilhões, configurando 1% de retração após ajuste de US$ 900 milhões relacionado a investigação da FTC (Federal Trade Commission), órgão de defesa do consumidor dos EUA.
Segundo a reportagem, o impacto está relacionado a práticas comerciais, envolvendo divulgação de informações, cobrança de taxas, atendimento ao cliente e faturamento. A Booking Holdings provisionou US$ 100 milhões para possíveis perdas e informou que não chegou a um acordo com o órgão.
Impacto da IA
Além dos resultados financeiros, a companhia destacou o desempenho de seus assistentes de IA (inteligência artificial), frente cada vez mais presente em sua operação. Segundo Ewout Steenbergen, CFO e vice-presidente executivo da Booking Holdings, usuários das ferramentas da Priceline e Agoda apresentaram taxas de conversão aproximadamente duas vezes superiores às de quem não utilizou os recursos.
Na Agoda, o valor médio das reservas realizadas por usuários do assistente também foi cerca de 20% maior. A empresa, porém, não divulgou a participação dessas ferramentas no total de visitantes nem as taxas absolutas de conversão.
Apesar do avanço das soluções próprias, o tráfego proveniente de plataformas externas de IA ainda representa uma parcela pequena dos negócios. As indicações de LLMs (sigla em inglês para modelos de linguagem) correspondem a significativamente menos de 1% das diárias comercializadas pelo Booking.com.
Steenbergen afirmou que as indicações orgânicas aumentaram após o lançamento de versões recentes do ChatGPT, que ampliaram as citações e direcionaram mais visitantes às plataformas do grupo. As indicações pagas também cresceram, acompanhando a expansão da parceria com a OpenAI para novos mercados.
A Booking Holdings também apresentou os primeiros resultados de engajamento do Vayo, assistente de IA voltado ao planejamento e gerenciamento de viagens. Lançada como iniciativa independente, assim como o Lola, ferramenta baseada em assinatura, a solução permite testar funcionalidades que poderão ser incorporadas às marcas do grupo.
Perspectivas e custos
No terceiro trimestre, as despesas com marketing somaram US$ 2,6 bilhões, alta de 11% em um ano. O indicador passou a representar 4,8% das reservas brutas, ante 4,7% no mesmo período de 2025. Entre os fatores apontados pela companhia estão aumento dos gastos com marketing de afiliados e redução do tráfego proveniente de buscas orgânicas.
Para os próximos meses, Steenbergen acredita na desaceleração da demanda global por viagens, especialmente no segmento internacional. O executivo também mencionou os impactos do conflito no Oriente Médio sobre operações aéreas e preços das passagens, além de episódios de instabilidade em cidades europeias. Na região, vale lembrar que a empresa possui problemas envolvendo suspeitas de fraudes.
A projeção da Booking Holdings para o quarto trimestre é de crescimento de 1% a 3% no volume de diárias comercializadas e de 2% a 4% nas reservas brutas, sinalizando um ritmo mais moderado em relação ao período anterior.
(*) Crédito da foto: Unsplash















