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FNH: tecnologia exige novas competências humanas

A evolução da IA (Inteligência Artificial) não elimina a necessidade de competências humanas. Pelo contrário: à medida que novas ferramentas passam a fazer parte da rotina profissional, entender como pessoas percebem, processam informações e tomam decisões se torna um ponto cada vez mais relevante para as organizações. Esse foi um dos temas discutidos no FNH (Fórum Nacional da Hotelaria), durante o painel O futuro pertence ao profundamente humano, apresentado por Carlla Zanna, psicóloga, coach e mentora executiva especialista em Cultura Organizacional.

Ao abordar as transformações provocadas pela tecnologia no mercado de trabalho, a palestrante destacou que a discussão sobre inovação precisa caminhar junto com a reflexão sobre o papel das pessoas. Para Carlla, o avanço dos recursos tecnológicos não deve fazer com que decisões e experiências que dependem da percepção humana sejam transferidas integralmente para sistemas.

“Quando falamos de mercado de trabalho, o que vem logo à cabeça? Tecnologia. Mas não dá para falar disso sem falar de gente. E precisamos prestar atenção porque não dá para os recursos tecnológicos decidirem por nós e experimentar sensorialmente o que a gente experimenta”, disse a palestrante, abrindo o bate-papo.

Na hotelaria, em que a experiência do cliente envolve diferentes interações ao longo da jornada, a discussão sobre o equilíbrio entre tecnologia e capacidades humanas ganha relevância. A adoção de ferramentas digitais pode transformar processos, mas, segundo a abordagem apresentada no FNH, também exige profissionais preparados para lidar com as mudanças e interpretar as novas demandas.

Competências para um mercado em transformação

Segundo Carlla, a capacidade humana precisa acompanhar a evolução tecnológica, mas não de maneira desenfreada. Para ela, compreender as diferenças entre a forma como pessoas e tecnologias processam informações é fundamental para definir como esses recursos serão incorporados às organizações.

“O segredo é entender as diferenças de processamento e percepção do mundo e de realidade”, reforçou. Durante a palestra no FNH, foram apresentados dados que apontam para um desafio relacionado à preparação dos profissionais. A expectativa é de que, até 2030, 39% das pessoas não tenham as competências necessárias para atuar no mercado de trabalho em meio à evolução dos recursos tecnológicos.

Além disso, 63% das pessoas apontam o gap de competências como principal barreira para as implementações. Os números colocam a capacitação no centro da discussão sobre transformação tecnológica. Para a palestrante, investir no desenvolvimento das equipes é parte necessária da adaptação das empresas às novas ferramentas e às mudanças provocadas por elas.

“Diante deste cenário, o ideal é treinar as pessoas. É preciso entender qual tipo de organização estamos construindo para sustentar as complexidades que estão surgindo a partir da tecnologia”, refletiu.

IA e o futuro da hotelaria

Outro dado apresentado por Carlla durante o FNH diz respeito especificamente à indústria de hospitalidade. Segundo as informações compartilhadas na palestra, 69% dos empregadores do setor esperam um aumento no uso de IA e big data até 2030.

A perspectiva reforça que a adoção dessas tecnologias tende a fazer parte das transformações pelas quais a hotelaria passará nos próximos anos. Ao mesmo tempo, a implementação de novas ferramentas demanda clareza sobre os objetivos buscados pelas empresas e os resultados esperados.

Carlla Zanna
“Implementação depende de planejamento”, disse Carlla

“Diante disso, é preciso se questionar: qual o objetivo? Quais serão os ganhos disso?”, disse, destacando que qualquer implementação precisa ser extremamente bem pensada para garantir assertividade. Mais do que discutir a presença crescente da IA no ambiente profissional, a palestra colocou em evidência a necessidade de preparar as pessoas para trabalhar em conjunto com essas ferramentas. A transformação tecnológica envolve não apenas a adoção de sistemas, mas também competências, treinamento e uma definição clara sobre o papel da tecnologia dentro das organizações.

Para a hotelaria, o debate apresentado no FNH reforçou que o avanço da IA e do big data não deve ser analisado de forma isolada. À medida que novas soluções chegam ao setor, o desenvolvimento das pessoas permanece como parte importante da estratégia para lidar com as mudanças e sustentar as novas demandas do mercado de trabalho.

(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News

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