Após o panorama trazido sobre o funding, foi a vez de discutir sobre os caminhos de expansão da hotelaria brasileira durante o segundo e último dia do HTC (Hotel Trends Conference). Em um cenário de juros elevados e maior seletividade dos investidores, encontrar novas oportunidades passa por escolher melhor a localização dos ativos, diversificar produtos e explorar modelos como conversões e uso misto.
O tema foi debatido no painel Onde estão as grandes novas oportunidades da hotelaria? Mercados, produtos e modelos de contrato que definirão a próxima década, moderado por Pedro Cypriano, sócio da Noctua Advisory. Participaram Paulo Mancio, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios Brasil da Marriott International; Ricardo Manarini, country manager da Best Western Hotels & Resorts; e Maria Carolina Pinheiro, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios para América Latina da Wyndham Hotels & Resorts.

ROI volta ao radar
Para Mancio, ainda vale a pena construir hotéis no Brasil, mesmo diante da alta da taxa Selic. Ele avalia que o mercado voltou a entregar ROI (retorno sobre o investimento), embora de maneira seletiva e qualitativa. “A presença de uma marca forte é um dos principais fatores para sustentar a performance de um empreendimento. Uma marca consolidada contribui para ampliar as vendas diretas e fortalecer o desempenho comercial do hotel”, explicou.
A localização do ativo aparece como uma das principais premissas para novos projetos. O executivo também destacou a importância de trabalhar com uma segmentação clara desde a concepção dos empreendimentos.
Entre as tendências para curto prazo citadas pelos especialistas estão:
- Hotéis próximos a aeroportos;
- Branded residences;
- Produtos voltados ao luxo;
- Eventos em grandes capitais brasileiras.
As conversões também foram apontadas como uma das principais avenidas de desenvolvimento. Na visão de Mancio, o modelo representa uma oportunidade para transformar a operação de ativos já existentes.

Expansão além das grandes capitais
Manarini afirmou que a BWH Hotels mantém foco nas principais capitais e grandes cidades, como Campinas, mas também trabalha com mercados secundários e regionais, especialmente no Centro-Oeste e Norte. O executivo observou ainda uma mudança no perfil dos investidores. Segundo ele, os aportes na hotelaria brasileira estão considerando fatores que vão além do retorno financeiro.
“A busca dos hóspedes por experiências regenerativas é uma oportunidade para novos produtos no setor. Além disso, na eventual necessidade de complementar a receita dos empreendimentos, o uso misto com branded residences também aparece como alternativa”, comentou.
As conversões voltaram a ser destacadas como um caminho de expansão para a BWH Hotels. Na visão do executivo, o diferencial está na possibilidade de entrar na operação junto ao parceiro, otimizar processos e acompanhar os resultados diretamente na ponta.
Novos destinos
Maria Carolina avaliou que o Brasil ainda oferece muitas oportunidades para a hotelaria, mas ressaltou que os desafios precisam ser enfrentados com atenção. Uma dica especial é trabalhar a localização dos empreendimentos.

A especialista da Wyndham apontou que o país passou por um ciclo importante de desenvolvimento de resorts e multipropriedade e, agora, começa a observar uma nova onda de branded residences e produtos lifestyle. Os empreendimentos próximos a aeroportos também aparecem como uma tendência. Para ela, esse formato representa um caminho de crescimento relevante para os próximos anos.
“A Wyndham já atua com resorts em importantes mercados de lazer, como Olímpia (SP) e Natal. Agora, a criação de novos destinos turísticos no país reforça o potencial do segmento de lazer como uma das principais frentes de expansão, mas se junta a outras vias do corporativo, por exemplo”, disse a executiva. Na avaliação da vice-presidente, o modelo pode contribuir, no médio e longo prazo, para reduzir a dependência e os custos relacionados às OTAs.
A próxima década de desenvolvimento hoteleiro no Brasil deve combinar seletividade e diversificação. Localização, segmentação, marcas fortes, novos produtos, criação de destinos e conversões aparecem como caminhos para capturar oportunidades em um mercado que, apesar do ambiente de juros altos, volta a apresentar espaço para investimentos.
(*) Crédito das fotos: Bruno Churuska/Hotelier News


















