Apesar da sequência de quedas nas expectativas de inflação e da revisão positiva nas projeções de crescimento econômico, o BC (Banco Central) indicou que pretende manter a taxa básica de juros elevada por mais tempo. A afirmação foi dada na manhã de hoje (19) por Gabriel Galípolo, presidente da instituição financeira, ao participar da Brazil Macro Conference, evento promovido pelo Goldman Sachs em São Paulo.
Segundo Galípolo, o momento atual exige “cautela e flexibilidade”, destacando que o ambiente internacional é de incerteza, especialmente após novas tarifas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, revela a Folha de São Paulo. O presidente do BC acrescentou que os juros já migraram para um território contracionista – ou seja, capaz de desacelerar a atividade econômica. Portanto, agora é hora de observar os efeitos do atual nível da Selic.
“Faz sentido que os juros fiquem em um patamar restritivo por mais tempo. Agora, o momento é de pensar como vamos reagir, e não o que vamos fazer”, disse o executivo a jornalistas, descartando qualquer sinalização prévia de cortes.
A declaração ocorre justamente quando o mercado financeiro revisa para baixo suas projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Divulgada hoje, a última atualização do Boletim Focus, por exemplo, estima que a inflação fique em 5,5% ao fim de 2025 – quinta queda consecutiva – e em 4,5% em 2026, teto da meta perseguida pela autoridade monetária. A estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano também foi revisada para cima: de 2% para 2,02%.

Ainda assim, as projeções para a Selic permanecem estáveis. O Focus aponta manutenção da taxa em 14,75% ao fim de 2025, com recuo apenas em 2026, para 12,5%. A cotação do dólar, por sua vez, foi revisada para baixo: R$ 5,82 no fim deste ano e R$ 5,90 no próximo.
Prudência e impacto
A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada no dia 13, reforçou o tom de prudência adotado por Galípolo. No documento, o colegiado destacou o impacto do novo crédito consignado privado sobre o consumo e alertou para o efeito expansionista da política fiscal nos últimos anos. Segundo o BC, uma condução fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para reduzir o prêmio de risco ajuda a conter a inflação e facilita o trabalho da política monetária.
A taxa Selic acumula alta de 4,25 pontos percentuais desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de aperto teve início. Com o último aumento, de 0,5 ponto, a taxa chegou a 14,75% ao ano, maior patamar desde 2006.
A manutenção de juros elevados tem efeitos diretos sobre a cadeia do turismo e da hotelaria. Com crédito mais caro, o consumo tende a desacelerar, afetando negativamente o turismo doméstico e a decisão das famílias de viajar. O ambiente restritivo também tem potencial de inibe investimentos corporativos em viagens de negócios, eventos e feiras, reduzindo a ocupação fora dos períodos de lazer. A sorte é que isso não vem ocorrendo.
Além disso, a taxa elevada encarece o financiamento de novos empreendimentos, dificultando o desenvolvimento de hotéis e resorts, sobretudo em regiões que dependem de crédito imobiliário estruturado para viabilizar novos projetos.
(*) Crédito da foto: Ueslei Marcelino/Reuters











