O mercado de short-term rentals tem seguido uma trajetória muito particular. Composto por um conjunto fragmentado de pequenos operadores, o setor foi duramente impactado no início da pandemia de Covid-19, mas rapidamente caiu nas graças dos consumidores, que passaram a valorizar hospedagens privadas e espaçosas, com menor risco de contágio, aponta o Phocuswire.
Nos EUA, com a explosão da demanda e as taxas de juros em mínimas históricas, novos anfitriões ingressaram no mercado buscando aproveitar o bom momento. No entanto, o crescimento da categoria também atraiu mais escrutínio. Os hóspedes passaram a reconhecer as vantagens do modelo, mas também enfrentaram experiências inconsistentes, em razão da grande variedade de operadores, níveis distintos de profissionalismo e características únicas de cada imóvel.
Em 2025, os viajantes têm à disposição muito mais opções de hospedagem do que no auge da pandemia. Mas com muitos dos anfitriões que entraram no setor naquele período ainda ativos, a competição se intensificou. E alguns gestores estão mais preparados do que outros para se destacar. Expandindo a discussão para o recorte global, cabe lembrar que alguns players importantes, como Airbnb, Booking.com e Vrbo, seguem se destacando no segmento. Juntas, as três companhias detiveram 71% do mercado global no ano passado, segundo dados do Skift.
No Brasil, Airbnb e Booking.com dividem o protagonismo, com a primeira na frente em muitos mercados. A Vrbo, por sua vez, não possui operações no país.
O relatório mais recente da Phocuswright, U.S. Short-Term Rentals 2025: Host and Property Manager Trends, analisa o desempenho dos operadores à medida que o mercado avança para uma nova fase de normalização. Anfitriões que operam menos de 10 imóveis e não atuam como gestores profissionais mostram perfis variados em termos de metas financeiras e capacidade competitiva. Há diferenças claras entre os que buscam lucro e os que têm objetivos mais modestos. Muitos estão se profissionalizando diante da concorrência cada vez mais acirrada, mas ainda enfrentam desafios para entregar experiências consistentes, crescer de forma sustentável e oferecer acomodações que atendam às expectativas dos hóspedes.
Metas financeiras e desempenho
A orientação financeira dos anfitriões é um fator essencial para entender o mercado, pois está diretamente ligada às atitudes, decisões e dificuldades de negócio — e não apenas ao lucro. Diferentemente da hotelaria tradicional, na qual o lucro é a força motriz, a maioria dos operadores de short-term rentals não tem esse foco. Segundo o estudo, 45% desejam lucrar, mas 28% buscam apenas cobrir ou reduzir despesas mensais com a propriedade, enquanto 27% pretendem quitá-las totalmente com a receita dos aluguéis.
Entre os principais obstáculos enfrentados pelos anfitriões estão os custos operacionais. Em um cenário de saturação e padrões mais altos de concorrência, cresce a pressão sobre as receitas e a necessidade de controle mais rígido de despesas.
As preferências dos consumidores mudaram desde a pandemia. E isso não é uma exclusividade do mercado estadunidense. No Brasil, segundo análise da ABLT (Associação Brasileira de Aluguel por Temporada), o mercado de short-term rentals do país é permeado por dois fatores principais: experiência personalizada ao máximo e flexibilidade, cada vez mais buscadas pelos clientes deste modelo de acomodação.
Como fazer dar certo?
Nos EUA, quase 25% dos anfitriões interromperam temporária ou permanentemente o aluguel de pelo menos uma propriedade no último ano, o que traz insights importantes para o mercado brasileiro. Para Alexandre Frankel, CEO da Housi, pensar em tecnologia é o ponto de partida para melhoras qualquer índice. Muito por conta dos custos operacionais altos, o executivo acredita que pensar neste recurso ajuda significativamente na operação dos short-term rentals.
Globalmente, a regulamentação é um dos maiores pontos de incerteza para o futuro do setor. Mesmo com boas estratégias de crescimento, legislações locais podem inviabilizar operações da noite para o dia — como aconteceu em Nova York. O mercado, portanto, vive um momento de consolidação e amadurecimento, com players enfrentando pressões por profissionalização, eficiência e diferenciação, em meio a uma nova realidade pós-pandemia.
(*) Crédito da foto: Pixabay











